sexta-feira, dezembro 29, 2006

2006: o filme do ano

pode vir a estar em cima da mesa para discussão, embora não me pareça que isso vá acontecer.


Nota 1:
vou poucas vezes ao cinema. quando vou, evito as salas com mais de 10 pessoas. vejo os filmes com largos meses de atraso, quando saírem os dvd's falamos.
Nota 2: vi ontem o traffic, por isso talvez falemos lá para 2009.

2006: o disco do ano

não está em cima da mesa para discussão.

quinta-feira, dezembro 28, 2006

wishful thinking

(ou: slogans desfeitos #1)

a primeira vez é sempre a três.

silly season

não fora já suficientemente má esta quadra ignóbil, imbecil e modorrenta, a falta de bola faz com que a sport tv esteja a transmitir em diferido e na íntegra o charlton x fulham.

vou ver.

lixo esquizofrénico #1

mas a lua não apareceu.
e ele ali ficou. de tanto esperar, enlouqueceu. agora resta-lhe a escura solidão e a força da loucura, que embora fraca sempre ajuda e lhe estende uma mão. a mão vadia que o empurra. a mão amiga que o levanta. a mão cansada que o faz pensar, ou apenas recordar, que sonhos esquecidos são sonhos em vão. esta loucura. aquela mão. a mão sentida que lhe toca o rosto, que dá sabor e gosto, à vida, às lágrimas e ao desgosto. a mão esquecida que acalma a agonia, daquele choro de alegria. a mão perdida que o encontra, à procura do sentido, proibido e sem saída da mão presente que ele sente, à espera do sentimento sempre ausente.

quarta-feira, dezembro 27, 2006

errata

devido a lapso mnésico totalmente justificado pela fase de letargia mental que a época do calendário proporciona, a foto anterior vinha com o rótulo de ter sido tirada em bordéus. embora seja pouco relevante, uma vez que o importante é a foto itself e não a cidade em que o velhote parece existir sem se preocupar com o passar do tempo à sua volta, a verdade é que o flash disparou em cognac, vila pacata do sudoeste francês na qual - ninguém diria! - se produz o centenário elixir homónimo.
isto tudo para dizer que, no final de uma visita às caves obscuras (muito parecidas às do vinho de gaia, mas com mais teias de aranha) apropriei-me de uma garrafita de cognac cujo conteúdo dará para 3 penaltys mal medidos mediante o pagamento de 10 euros, com o propósito de me juntar às pessoas certas e dar-lhe o destino que merece. já lá vai mais de um ano e continuo sem encontrar a merda da garrafa. o único consolo é um fino bem tirado ser de longe melhor que cognac.

lost in time #2

[Cognac, France, Agosto 2005]

terça-feira, dezembro 26, 2006

exercício de mediocridade #3

o melhor do natal é, talvez, a família toda reunida.
o pior do natal é, sem dúvida, a família toda reunida.

não te queixarás quando te oferecem peúgas

recebi um sabonete azul, aroma marinho.

acto falhado

vinha só aqui dizer que desliguei o autoplay da música de natal aqui em baixo no post anterior, mas se calhar não vale a pena.

sábado, dezembro 23, 2006

Let me sleep*

"Cold wind blows on the soles of my feet
Heaven knows nothing of me
I'm lost nowhere to go
Oh when i was a kid oh how magic it seemed
Oh please let me sleep it's Christmas time
Flowered winds was where i lived
Thought you burned not froze for your sins
Oh I'm so tired and cold

Oh when i was a kid oh how magic it seemed
Oh please let me sleep it's Christmas time
Oh oh when i was a kid oh how magic it seemed
Oh please let me sleep it's Christmas time
Oh oh when i, if i was a kid oh how magic it seemed
Oh please let me dream it's Christmas time"


Pearl Jam, 1991

quarta-feira, dezembro 20, 2006

escapadinha

fodituri te salutant

exercício de mediocridade #2

os últimos são sempre os primeiros a dizer que os últimos são sempre os primeiros.

mulher, filha de deus

ama o próximo. pode ser o último.

na cara

embrulhamos as prendas de natal por pura vergonha de que alguém perceba cedo demais que oferecemos a mais barata.

frases desfeitas #7

mais vale pobre do que mal agradecido.

terça-feira, dezembro 19, 2006

capítulo nulo

junto às miúdas, tentava parecer engraçado.
junto aos pais delas, esforçava-se por parecer atinado.
junto a desconhecidos, tentava parecer culto.
junto ao chefe, tentava parecer responsável.
à noite, antes de dormir, fingia suportar-se junto a si próprio.
só ao balcão do café, não precisava de fingir nada, de parecer nada, de agradar a ninguém.

you, you, you

agora que a time (tardiamente) se lembrou que são os utilizadores assíduos da web social a person of the year 2006*, os meios (ou serão mínimos?) de comunicação lembraram-se de os caracterizar. assim, e segundo inquéritos oficiais, as personalidades do ano "integram a rede social do hi5, editam vídeos do youtube e vão buscar conteúdos ao myspace."

o que eu gostava mesmo de saber é, afinal de contas, onde é que esta malta vê o e-mail?

* mais uma cabala do americanismo. poeira para os olhos do povo. o prémio é teu, camarada chavez!

segunda-feira, dezembro 18, 2006

isto sim, importava referendar

concorda com a interrupção voluntária do coito, se realizada, por opção da mulher, nos primeiros dez minutos, em estabelecimento de diversão nocturna clandestino mas com condições de higiene devidamente asseguradas?

(o meu) espírito d'época #2

uma grande lacuna da literatura infanto-juvenil é não haver um conto que acabe com a frase:
o pai natal morreu.

ah, saudade!

[está tudo aqui]

exercício de mediocridade

este blog deseja a todos os seus 12 leitores um natal mais ou menos.

lost in time #1

[Pau, France, Agosto 2005]
"keep the whole thing going, baby
riding home after school / you took me home

gloria, gloria"
(The Doors)

quinta-feira, dezembro 14, 2006

no fresquinho da noite

não percebo o porquê de tanta celeuma pela decisão da d. quixote de publicar o livro d'ela, carolina. afinal de contas, é a editora do gajo que escreveu sobre os cús do apóstolo traidor, agora publica o livro de uma traidora que vendia o cú. faz sentido.

quarta-feira, dezembro 13, 2006

(o meu) espírito d'época

ao contrário de muitos milhões de pessoas, ainda não fiz uma única compra de natal. por outro lado, e ao contrário desse hábito pseudonacional(ista) de deixar tudo para os últimos dias, já fiz todas as minhas compras de natal.

terça-feira, dezembro 12, 2006

toma lá uma sala de fumo

Miguel

Entrava na sala fria sempre descalço. Espirrava duas ou três vezes seguidas antes de conseguir dizer boa noite. Continuava a caminhar. Com o olhar sempre fixo na janela como se alguém o esperasse lá ao fundo. Ou do outro lado. Do lado de fora, onde ingenuamente pensava um dia conseguir chegar. Ignorava os olhares mudos que seguiam o seu trajecto. Sorria um olá disfarçando a dor de garganta que já o atormentava há tanto tempo quanto a memória o permitia recordar. Escondia na mão direita um isqueiro em tons de salmão. Na outra, escondia a força de um sonho repetido a cada noite passada em branco. Sempre no bolso das calças sujas e rasgadas pelo tempo. Como todas as outras noites inclinou-se, cotovelos apoiados e acendeu um cigarro. Como todas as outras noites fumou. E esperou. Mas a lua não apareceu. E o sonho despediu-se com um beijo e sussurrou-lhe até amanhã. Amanhã estaria ali, com a mesma mão, as mesmas calças, a mesma dor de garganta, a mesma janela, o mesmo sonho adiado. Só o cigarro, esse seria outro. Que este desaparecia lentamente transformando-se em espirais a dançar no escuro da noite. Chegava ao fim o momento do dia em que mais ninguém interessava. Só ele, e o cigarro que se findava. Só ele, e o sonho que o desesperava. Amanhã repetir-se-ia a história. E quando finalmente se ia despedir dos olhares até então incógnitos, apagou o cigarro esquecendo-se que estava descalço e a única coisa que conseguiu dizer foi: foda-se!

segunda-feira, dezembro 11, 2006

mudando de assunto

eu, carolina - ó i ó ai
eu, carolina - ó ai meu bem.

pronto, já passou.

é uma vergonha ver tanta gente a festejar uma morte

morreu, o cabrão. pago eu esta rodada.

gambuzino

vi no telejornal o ministro do ambiente. juro que vi.

see you in hell

finochet.

fui ali já vim

e ao contrário do que pensava, voltei. são e salvo.

quinta-feira, dezembro 07, 2006

vou ali já venho

os senhores que organizam o national congress of biochemistry [atente-se no paradoxo que só por si é escrever isto em inglês], vá-se lá perceber por que carga de água, acharam que uma coisa com o título olive mild mosaic virus antibodies from a phage display library era muito gira e interessante para ser falada durante 20 minutos.

de modos que andarei por aqui no fim de semana (ou muito provavelmente noutro sítio a empanturrar-me de ovos moles) e no domingo tratarei então de lhes provar que estavam enganados.


[e há lá coisa mais gira para passar um fim de semana prolongado do que um congresso nacional de bioquímica? provavelmente, sim. mas não me consigo lembrar de mais do que cem.]

o carpinteiro

ao almoço comeu um prego no pão e bebeu um copo de vinho a martelo.

quarta-feira, dezembro 06, 2006

ídolos de infância [1]


o mais esquecido dos melhores jogadores do mundo. ou o melhor dos mais esquecidos.
enfim, dois minutos de silêncio, faz favor.

terça-feira, dezembro 05, 2006

um minuto de silêncio

morreu o porco do clooney. e atenção que não estou a ofender o senhor.

[estava a pensar meter aqui uma piada com as palavras "chouriço" ou "salsicha" mas acho que não vale a pena.]

segunda-feira, dezembro 04, 2006

o surrealismo no café da esquina [prefácio]

bica pós-jantar. balcão de café. dois alcoólicos no seu estado normal compõe a única vizinhança circunstancial. um deles, mais pequeno, traga aos soluços um uísque sem gelo. o outro, dono de portentoso bigode, vaza uma água das pedras num copo de fino. o bêbado sem bigode, magro de ossos, tosse, tuberculoso. o outro, o do bigode, braceja soluções para os males do mundo. o dono da casa escalda-me a chávena. já me explicou um dia que o café não é tão bom sem a chávena escaldada. a julgar pelo mal que sabe, prefiro não saber se tem razão.

o surrealismo no café da esquina [capítulo 1]

a tosse

- cof, cof, cof.
- sabe como é que lhe passava essa tosse? sabe?
- diga lá...
- o amigo deita-se de barriga para cima, desfaz um cigarro e espalha o tabaco assim seco (exemplificou desfazendo um cigarro para o chão) para cima do peito.
- um cigarro inteiro?
- e depois bochecha um gole de aguardente, não bebe, tá a ouvir? não é para beber. bochecha só.
- aguardente?
- e depois cospe para cima do peito. assim como os bebés fazem depois de comer. e pede à sua mulher ou a uma amiga ou a quem estiver consigo para massajar o peito até desfazer o tabaco.
- com a mão?
- sim, espalha com a mão até o tabaco desaparecer da mão e ficar bem espalhado no peito. mas depois não pode tomar banho. a sua mulher diz-lhe: ah, cheiras a aguardente! não faz mal. vai ver que lhe passa a tosse. amanhã quando acordar tá novo.
- vou já fazer isso hoje.
- estou-lhe a dizer. é certinho. depois amanhã conta-me.
- já tenho feito de tudo. vou ao hospital e só me dão é xaropes e a tosse não há meio de passar.
- os médicos não sabem curar a tosse. nenhum médico sabe isto. tou-lhe a dizer. os bebés até aos três anos. três, quatro, cinco, seis, sete, oito, nove, seja o que for. eles cospem sempre depois de comer porquê? é para despejar a tosse, tou-lhe a dizer. os médico não sabe isso, homem.

o surrealismo no café da esquina [capítulo 2]

a asma

- cof, cof, cof... até tenho aqui duas bombas mas não me fazem nada.
- ah, o que o meu amigo tem é asma?
- tenho outra bomba em casa mas nem assim a asma me passa.
- a asma cura-se num dia. eu até lhe dizia como é que se cura a asma mas é preciso ter fé e coragem.
- diga lá (cof cof) diga lá.
- é preciso munta coragem, tem coragem?
- tenho, tenho.
- agarra num coelho, mas tem que ser um coelho vivo. tem que ter munta coragem. agarra-o assim pelas pernas, ou outra pessoa que esteja consigo. o animal mata-se pela nuca, não é? mas você resga-lhe a pele assim na barriga, tá a ver? e aí é que tem que ter fé e coragem. no momento em que lhe abre a barriga tem que agarrar as tripas do animal e abraçá-las com força contra o peito. e o calor das tripas do bicho tiram-lhe a asma.
(risos do dono da casa)
- é verdade, tou-lhe a dizer.
- num dia, as tripas do coelho lançam calor que lhe tiram a asma num dia. é assim que se cura a asma. os médicos não sabe isto.

o surrealismo no café da esquina [posfácio]

ainda pedi um copo de água para alongar a estada na plateia mas não tinha dinheiro para outro café e tive que abandonar o espectáculo. mas desconfio que ali ainda se curaram câncros vários e a uma ou outra sida. valeram a pena os cinquenta cêntimos, a chávena escaldada e agora se me dão licença vou ali comprar um maço de tabaco e ver se funciona com medronho.

let us enjoy, augusto.

don't rush. die slowly.

pergunta retórica*

se last christmas you gave her your heart but the very next day (s)he gaves it away, por que caraças é que insistes todos os anos?

*ao caramelo que canta esta chaga e que de momento não se me recorda o nome nem vou fazer qualquer esforço para que se mo recorde.

sábado, dezembro 02, 2006

sounds like hã?

o australiano é assim uma espécie de açoreano da língua inglesa.

subconsciente

eu sabia que mais tarde ou mais cedo se havia de justificar o meu gosto pelo polga.

quarta-feira, novembro 29, 2006

estado maior das forças armadas*

senhores militares,
o corpo humano masculino, regra geral, vem acompanhado de umas proeminências localizadas entre uma perna e outra, protegidas mecânica e termicamente por uma bolsa escrotal, cuja função é armazenar milhões de potenciais vidas a ser desperdiçadas em exercícios auto-recreativos. na maior parte dos casos servem ainda para atrapalhar a tentativa de execução da maioria das posições descritas e/ou ilustradas no kamasutra.
espreitem lá. nada, pois não? bem me parecia.
assim sendo, das duas uma:
ou ganham tomates e se manifestam como os homens, ou - faxavôr - deixam-se de patetadas na via pública e vão fazer o que fazem o dia todo. ou então não façam nada, passe o pleonasmo.
obrigados.


*armadas em parvas!

15 polegadas

não são apenas as tv's novas, com plasma e lcd e pal plus mais não sei quê, que deformam as imagens e engordam os magros.
pois a minha televisão - contemporânea de pessoa, eça e camilo - que é daquelas com ecrã quadrado e tem uns botões que se rodam para sintonizar os uhf's (remember?) mostrou há bocado um senhor que foi um mau primeiro ministro e é um medíocre presidente da comissão europeia a receber um pisa-papéis dourado. e o senhor, que ostentava um ridículo papillon, estava tão inchado, tão inchado que não cabia no ecrã.

o sistema

o referendo (o outro, das dez semanas) é no fim de semana em que pára o campeonato.

o referendo da polémica

e tu, comias a floribella?

literatura, meus amigos, literatura

"não descrevendo uma linha recta, mas sim uma diagonal."
[algures aqui]

terça-feira, novembro 28, 2006

jackpot

farto de gastar 2 euros por semana no euromilhões, dedica-se agora a telefonar para a galp a ver se lhe sai a miúda do gás.

necrofilia

"contemplo o lago mudo
que uma brisa sacode
não sei se fodo tudo
ou se tudo me fode"
mário cesariny

segunda-feira, novembro 27, 2006

nem os franceses merecem paris

nem este clube merece um jogador assim.

dia de s. receber

o pior de nos tornarmos adultos é perceber que engano do banco a seu favor só mesmo no monopólio.

lei de murphy

cruzar-me com aquele man dos dzrt e com o ff* trinta segundos depois.

* a acreditar nos guinchos de "efiéfe, efiéfe" da criançada que o rodeava.

mas se calhar era da chuva

a zita seabra não parece tão feia ao vivo.

obrigatório

"faz-me o favor de não dizer absolutamente nada!"
mário cesariny

quinta-feira, novembro 23, 2006

há muito tempo que não me apetecia tanto bater em alguém

"o meu chefe mandou-me para um projecto nas galápagos mas eu não aceitei. já vi um documentário e aquilo é só tartarugas, tartarugas, tartarugas... ai, uma pasmaceira."

uma funcionária (engenheira, creio) lá do sítio onde trabalho, à qual - obviamente - me recuso a chamar colega.
ainda pensei em perguntar se não achava estranho o darwin ter passado tanto tempo naquela pasmaceira a ver só tartarugas, tartarugas, tartarugas e ter escrito aquele livrito dele - ai, como é que se chama? ah! - "a origem das tartarugas" mas achei que ela não ia perceber por isso suspirei e limitei-me a pensar que se deus existisse não permitia isto.

mental server error

pensando bem, é melhor ficar calado.

terça-feira, novembro 21, 2006

mas se for preciso aconselho uns quantos sites catitas

aterrou um(a?) internauta aqui nesta vossa página através da googlada:
casais a fuder em directo.

apesar de lamentar a desilusão que possa ter causado, quero aqui expressar a minha indignação. e deixar bem claro que acho que é uma vergonha!
já nem escrever sabem!

a derradeira prova da incompetência* da instituição militar

"também eu fui à tropa. foi lá que me fiz homem." [José Carlos Malato]

* ineficácia, inutilidade, o que quiserem.

humilde mensagem para os "rapazinhos"

é preciso é ganhar. de preferência com golos.

domingo, novembro 19, 2006

todos diferentes, todos iguais

na verdade nada tem a ver com racismo.

é uma simples constatação perante a secção de direito de uma livraria e aquelas entediantes capas.

o fascínio pelos clássicos

no artist is ever morbid. the artist can express everything.
thought and language are to the artist instrument of an art.
(oscar wilde, in the picture of dorian gray)

sou uma pita chorona.
(floribella, este fim de semana na sic)

pequeno ensaio sobre o inverno

gosto de chuva. mais do que gostar de chuva gosto dos dias com chuva. daqueles dias com tanta chuva que se chamam dias de chuva. sim, é dos dias de chuva que gosto.
não gosto de vento. o vento despenteia-nos a alma, desconsola-nos o sorriso, desequilibra-nos os passos e entorta-nos o caminho.
tolero o frio. sorrio-lhe até se ele quiser. o frio lembra-nos que é preciso sobreviver. que temos que nos juntar para aquecer. aproxima-nos. mas o vento separa-nos. o vento traz-nos o ruído desconcertante do céu a bradar.

já a chuva não. a chuva tem ritmo. a chuva traz-nos a música das nuvens direitinha pela janela adentro. a chuva torna o silêncio da noite menos solitário.
a chuva torna-nos mais iguais, mais pequenos e mais humanos.

mas a grande vantagem de estar de chuva é que os dias se tornam deprimentes.
e aquelas pessoas irritantes que durante todo o dia não se calam, andam agora cabisbaixas, deprimidas, taciturnas, tristes e caladas.

quinta-feira, novembro 16, 2006

about mercy

what's your last wish, james*?
i wish not to die, sir. i wish not to die.

*gosto de pensar que um condenado à morte se deve chamar james.

quarta-feira, novembro 15, 2006

frases desfeitas #6

em terra de velhos, quem tem um brinco é gay.

make-up

mais vale um olho roxo do que um sorriso amarelo.

eu, pecador, me confesso

não fazia idéia de quem era o amadeo.

mental note

não voltar ao colombo até meados de janeiro.

ninguém é perfeito

a tolerância pode ser o mais nobre dos valores.
mas certas e terminadas pessoas conseguem torná-la o pior dos defeitos.

o pobre desconfia

acabo de comprar água pois é 1,5 litros, a 11 cêntimos no continente.
para a eventualidade de envenenamento, se morrer digam à minha mãe que quero ir à benfica.

terça-feira, novembro 14, 2006

beck is back


"nausea, oh nausea, and we're gone"

o meu vício musical do momento.
som no máximo, meus caros, som no máximo.
deleitai-vos.

mas ainda vale a pena sonhar

[amadora]

tudo tem um preço

se fosse verdade que sonhar não custa nada, as consultas no psicanalista eram à borla.

segunda-feira, novembro 13, 2006

a semi-surpresa do fim de semana

esta fraca figura de gente


toca que é uma coisinha parva. até aborrece.
não está a par é daquela invenção recente chamada pente.

actualização:
um espectáculo de música. acima de tudo isso. música. de todos os tipos. do pop ao rock, do jazz ao bossa nova, do trip-hop ao samba.
um meia-leca (e estou a ser amigo!) que depressa encheu o coliseu com a espontaneidade de um puto e a calma e segurança de alguém que faz aquilo há muito tempo. uma série de trejeitos corporais take thatianos a dar para o popstar que eram dispensáveis mas que não se esforça por disfarçar. e a segurança musical de quem gosta de ouvir o que toca. mas acima de tudo de quem gosta de tocar. de quem sente cada nota, cada batida, cada ritmo.
igualmente dispensável o grupo de galinha teenagers que de quando em vez (nas músicas pelos vistos mais conhecidas) tentavam revelar a histeria perante o ídolo pop.

a despreocupação pelas vendas astronómicas, pelos hits e playlists. o zelo pela qualidade acima de tudo.
melhor que as músicas, as notas que não estavam na pauta. os improvisos, os devaneios, o concerto do desconcerto em todo o seu esplendor e glória. a saber agradar e entreter ao mesmo tempo, com destaque para o solo/improv com a tampa do piano a servir de bateria e a soar don't you wish your boyfriend was short like me?.

uma excelente selecção de covers brilhantemente executados, principalmente o poderoso high and dry no final (embora pense que depois houve encore, não me recordo bem) que não envergonharia o thom yorke. a prova de que será sempre muito melhor ao vivo do que em disco. e (também) isso faz um bom músico.

30 euros bem gastos.

estranhamente nunca tinha ouvido esta

ouvido algures (não me lembro onde)

- ó boneca, agarra aqui o peluche!

para quebrar o gelo #2

[alguém tem que dizer as verdades]

há até quem diga que uma vez por mês a mulher se transforma num bicho raivoso que nos quer lixar a vida. mas isso eu acho injusto.
até um bicho raivoso tem momentos de carinho em que chega a ser fofo.

domingo, novembro 12, 2006

pedimos desculpa pela interrupção

a sua vida segue dentro de momentos.

quinta-feira, novembro 09, 2006

por muito que treinasse

tanto no sexo como no futebol era um falhado.
tinha a destreza do luisão, a sensibilidade do petit, a velocidade de execução do beto e a pontaria do nuno gomes.

quarta-feira, novembro 08, 2006

assim é difícil

nem o google news dá crédito aos sindicatos.

cá para mim há mãozinha do sócras.

desilusão às 8 da noite

então mas hoje não chove, não há uma casa inundada, uma família desalojada, uma estrada cortada, um comboio parado, uma população indignada... nada?
só umas eleiçõezitas não sei aonde e uma discussão no circo sobre os tostões a dar e os milhões a tirar à malta.

o telejornal assim é uma seca!

o cansaço, a falta de inspiração, um remake

um dia gostava de fazer uma boa ada.

na hora da derrota, uma lição de democracia


mensagem ao povo amerciano em geral e ao rumsfeld em particular.

terça-feira, novembro 07, 2006

porque há dias fodidos

em que tudo corre mal. em que os deuses mostram claramente que não acreditam em nós.
e é num dia como o de hoje que faz todo o sentido o que o antónio oliveira disse off (?) the record:

"se eu soubesse que ia morrer amanhã, pegava numa caçadeira e fodia aí uns quantos filhos da puta!"


pronto. já estou mais calmo.

segunda-feira, novembro 06, 2006

diários de um camionista #2

(evidência a deslizar para o brejeiro)
perigos vários na A2.
para permitir uma melhor entrada:

obras de alargamento no troço da coina.

até parecia um gajo porreiro

esforçava-se por manter uma conversa séria. mas dizia lol sempre que ouvia uma piada.

ironias de um coração sem-abrigo

enrolava cada vez melhor o cachecol à volta do pescoço. cuidava assim proteger-se do frio.
mas tardou a perceber que andava sempre descalço sobre o chão molhado.

abre parêntesis

só para avisar que me apetece mudar o título do blog.

fecha parêntesis.

post-it onanista

não esquecer de inserir ali em cima (por debaixo do título) frase enigmática do kafka ou do oscar wilde para parecer que até sou um gajo culto.

domingo, novembro 05, 2006

valsa de um homem carente *

"se alguma vez te parecer ouvir coisas sem sentido não ligues, sou eu a dizer que quero ficar contigo e apenas obedeço com as artes que conheço ao princípio activo que rege desde o começo e mantém o mundo vivo.
se alguma vez me vires fazer figuras teatrais dignas dum palhaço pobre, sou eu a dançar a mais nobre das danças nupciais, vê minhas plumas cardeais em todo o seu esplendor, sou eu, sou eu, nem mais a suplicar o teu amor.

é a dança mais pungente, mão atrás e outra à frente, valsa de um homem carente.
mão atrás e outra à frente, valsa de um homem carente."
* (jorge palma)

justiça a tempo e horas

e se o enforcamento do infame fosse na próxima segunda transmitido em directo na fox news, isso é que dava cá um jeitaço, não era?

sábado, novembro 04, 2006

porque estamos em tempos de crise

"pay me or go to jail
pay me my money down"
[mr. bruce "the boss" springsteen live at conan "where is wally?" o'brien]

é o que dá fazer lisboa-beja a 80 derivado à chuva!

gosto de música. começo por dizer que gosto muito de música para não vir a ser mal interpretado. e por gostar muito de música é que não gosto da maioria da música que se faz agora. entenda-se este agora como os últimos anos, em que a música – e a cultura, de um modo geral – se democratizou.

democratizou-se no acesso às massas, o que acho bem.
democratizou-se enquanto forma de expressão cultural, emocional e sentimental, o que acho extraordinário.
democratizou-se na diversidade de culturas, sociedades, ritmos e tribos que ouvem e fazem música, o que não me aquece nem me arrefece.
mas democratizou-se no direito de (quase) qualquer um (artista ou banda) a poder transformar num produto comercial devidamente embalado, prestes a ser globalizadamente colocado à disposição do consumidor. e isso chateia-me bastante.

a mim que até sou a favor da maioria das democratizações (não confundir com democracias). acho piada até que um zé pegue no seu banjo algures entre uma favela do rio e a muralha da china e eu o consiga ouvir (ao banjo, não ao zé) enquanto me sento a escrever estas linhas em que os vossos olhos se cansam. o que começo a não suportar é a quantidade (normalmente na razão inversa da qualidade) de cd’s, dvd’s, ipods, mp3, downloads, e demais sucedâneos que vos pareçam adequados com que nos deparamos todos os dias.
[não obstante esta imensidão as rádios conseguem passar as mesmas quinze músicas da playlist durante meses seguidos, mas isso é outra discussão.]

onde é que eu ia? ah, a quantidade de bandas boas que aparecem num ano cabe na palma de uma mão. destas, as que têm um segundo álbum com décibeis qualitativamente no limite do aceitável são ainda menos. a quantidade de discos bons (com bê grande) durante um ano é a décima parte dos discos maus (com eme pequeno). para cada banda que surge e têm êxito (leia-se: vende discos comó caraças!) aparecem dezenas de réplicas ocas de talento, desejosas de se colar a uma fórmula de êxito puramente comercial e que pouco tem a ver com música. podia tratar-se de vender gravatas na feira da ladra que essas réplicas apareciam na mesma.

bandas com qualidade, cuja estética sonora preenche o mais amplo dos espaços etéreos, cuja leveza do som se alia à força das palavras para nos penetrar aquele bocado de terra interior que julgávamos ser só nosso, para nos transportar por inteiro ao mais belo dos sorrisos e emoções, bandas dessas há poucas. e a surgirem de novo quase nenhumas.

e é aqui que eu não gosto da democratização da música. dantes ouviam-se as boas bandas (excluir movimentos sociais disparatados dos quais a humanidade um dia se arrependerá). e conheciam-se todas pelo nome. mais o apelido dos dois guitarristas se os tivesse. e idades, e cidade, e discografia (que dantes, regra geral, ultrapassava em muito o actual álbum e meio de média), e autores da letra de cada faixa. e amava-se (com) aquela música.
as outras, salvo nos ditos movimentos, eram votadas ao esquecimento, onde o seu ruído pertence por direito próprio. agora, ouvem-se as más. à força e em massa. e são muitas. e são mais. desde que começaste a ler este texto já deverão ter aparecido centenas, milhares de bandas de brittish rock, reggae, heavy-metal, punk rock, new age, nouvelle vague, trash yeah, bois bands, street power, hip-flop, funny metal, get so loud, ye yes, das quais nos lembraremos de aproximadamente zero ainda antes de terminar este texto. esta democratização, meu amigo, está prestes a matar a música.

hoje conheço a música de duzentas bandas das quais nunca soube o nome. aprecio, assim com gosto e tudo, cinquenta ou sessenta bandas cujo nome já soube mas não consigo recordar. e isto está a matar a música do passado. a memória atraiçoa-nos porque as bandas são muitas. e são mais. e são demais. por isso não gosto da democratização da música.


e isto tudo porquê, afinal? porque ainda há bocado me queria lembrar daqueles mans - bastante apaneleirados, por sinal - que cantavam o who can it be now? / who can it be... now? e não conseguia. e naquele momento, meu amigo, fui um homem triste. não por mim, que o google resolve tudo. mas pela música.

sexta-feira, novembro 03, 2006

duas gajas

"darling, i'm lesbian!"
"darling, we're all lesbians when the right man is not around"
[in Will&Grace]

quinta-feira, novembro 02, 2006

não sei.

- sabes?
- o quê?
- se ele veio?
- o quê?
- se sabes se ele veio?
- não.
- não sabes ou não veio?
- não sei.
- também nunca sabes nada!
- não sei o quê?
- se ele veio.
- tu também não!
- não o quê?
- não sabes.
- não sei o quê?
- se ele veio.

mudam-se os tempos

alguém disse que o outono é um travesti do inverno.
eu atrever-me-ia a dizer que já é transexual.

podiam ser tão felizes juntos

ela pediu-lhe um tempo.
ele respondeu-lhe: céu pouco nublado com vento fraco a moderado.

a melodia está no olhar


curto ensaio sobre fast-food

a mulher é como um hamburguer. até podes comer rápido, mas demora a digerir.

[parecendo que não, há aqui filosofia]

quarta-feira, novembro 01, 2006

só hoje consegui ver a cena do crime, pá!

plamordeus, pá!!!

deixem-se lá de merdas, pá!
o grego não quis nada lixar o brasuca, pá!

tinha um título muito giro pra isto mas escapou-se-me

estou a ter uma formação em gestão da qualidade em projectos.
a gestão da qualidade é, basicamente, a criação de mecanismos de controlo para cada um dos passos da realização de um produto ou outro qualquer projecto. depois cria-se um procedimento para regular os mecanismos de controlo. depois cria-se um relatório de gestão para os procedimentos anteriormente referidos e assim por diante até atirar toda esta burocracia ao ar e fazer a merda do produto às três pancadas, o mais rápido e com menos custos possível. é isto.
como se não bastasse esta formação ser eminentemente enriquecedora, o senhor formador revela uma eloquência digna de um treinador de futebol. deixa as frases a meio e termina-as em voz baixa, já olhando para o computador à sua frente.
não só três horas por dia completamente perdidas, mas muitos anos de vida que ficam dentro daquela sala e não voltarão mais.


de entre o que já aprendi, duas ou três coisitas a destacar:

1. o senhor engenheiro mostrou-me a luz e deu outro sentido à minha (até então) triste existência, quando nos revelou que o segredo da gestão é arranjar o qb de processos de modo a gerir as coisas.

2. em vez de actividades, ele diz átevidades

3. para cada passo de controlo efectua-se um ciclo pdca (plan-do-check-act), de modo a conferir a eficiência e garantir a qualidade do mesmo. à primeira vista isto parece fazer sentido, mas rapidamente se percebe que só resultará em países anglófonos.
traduzindo o ciclo para português será planear-executar-verificar-actuar. ou seja, o ciclo peva.