terça-feira, janeiro 23, 2007

matemática quarta classe

o joão recebe xis vezes o salário mínimo.
o salário mínimo aumentou.
o salário do joão aumentou?

segunda-feira, janeiro 22, 2007

i got shit

"so i'll just lie down and wait for the dream
where i'm not ugly and you're looking at me"

sábado, janeiro 20, 2007

into my arms

into my arms

este cd é - sem dúvida - talvez um dos melhores cd's para se ouvir no carro. embora a opinião seja discutível e uma discussão deste género possa ser considerada infrutífera, para quem faz 400 km mais descontos de asfalto por fim de semana e visto que a radar fm (a melhor rádio para ouvir no carro) só é sintonizável (97.8) entre setúbal e loures, um bom cd para ouvir no carro não é um pormenor de somenos importância. ao longo de uma longa viagem (ou mesmo uma viagem mais curta mas que implique passagem pela ponte 25 de abril) percebemos a importância de ter cd's para ouvir no carro. e uma vez entendida a importância de ter cd's para ouvir no carro, atendemos com maior desvelo para a importância de um daqueles arquivadores de cd's para ouvir no carro.

e este escriba tem um desses arquivadores de cd's para ouvir no carro? tem. e por sinal bastante amaricado. e esta besta que vos escreve guarda lá os cd's para ouvir no carro? não. porquê? porque obviamente os deixa amontoar no porta-luvas sem capa. e o que é que aconteceu ao cd do best of do nick cave and the bad seeds (não sei se já disse mas é um dos melhores cd's para ouvir no carro) quando esta besta que vos escreve fechou o porta-luvas com toda a meiguice que duas horas de 2ª circular proporcionam? rachou-se ao meio. e o que é aconteceu quando esta besta que vos escreve o experimentou rapidamente no leitor de cd's? não funcionou. e como é que eu fiquei? triste, primeiro. completamente lixado, depois. lixado com "f".

conforme o exposto acima, e uma vez que naquela feira francesa de cd's e livros o cd original importa a módica quantia de 18,50 europas, vinha por este meio arriscar a caridade de quem tiver este cd (um dos melhores cd's para ouvir no carro), na expectativa da possibilidade de fazer uma cópia "free of charge" para esta besta que vos escreve e enviarem para morada a combinar por e-mail (está ali à direita). assumo desde já o pagamento dos portes de envio (estamos a falar de um envelope almofadado correio verde) através de transferência bancária. no caso do remetente ser uma rapariga, ou um homem extremamente sexy, prometo pagar contra-reembolso.

obrigados.

sexta-feira, janeiro 19, 2007

conclusão (reprise)

só há opinion makers porque há opinion takers.

conclusão

se pensamos na questão: o filme é bom? é porque o filme é bom.
os maus não deixam dúvidas.

tá tudo maluco?

no dia em que fui ver o Babel li (não tenho axn) que acabava de ganhar o globo para melhor filme. hesito. hesitaria mais se tivesse ganho o óscar. mas fui. à entrada a expectativa torna difícil esquecer o amores perros e as 21 gramas. mas apesar de díficil, é um exercício necessário. e o iñarritu merece o esforço. à saída a grande questão: o babel é bom?

se comparado com os anteriores, não é tão bom. o amor cão é, embora inflaccionado pela evidente carência de meios e pela incerteza de uma estreia, uma obra de arte. o 21 gramas, embora inflaccionado pelo sean penn e pelo benicio del toro, um pequeno murro no estômago (ah, cliché). o babel não é nada disso. e desilude quem esperava uma evolução dentro do género "mosaico". desilude ainda pela realização parca em mudanças de ambiente visual que a própria história proporciona ou até obriga. já a falta de densidade das personagens é algo normal na díade argumento/realização de arriaga/iñarritu. e é, arrisco-me a dizer, propositada. propositada na medida em que nos obriga a centrar naquilo que é importante acima de tudo - a história. as dificuldades de comunicação num mundo globalizado e egoísta. e a mensagem - quer nos queiramos reconhecer culpados dela ou não - é transmitida, independentemente de sabermos mais antecedentes das personagens. o que interessa é a situação actual, a angústia do presente (em cada uma das histórias simultâneas). e a história é boa. o problema é que não é suficientemente boa para nos implicar como co-responsáveis da mesma. e aí, nessa suposta pretensão de moralismo, iñarritu dá um passo maior que a perna.

não sendo um filme brilhante, o babel é bom. o enredo, melhorável sem dúvida, a montagem e fotografia excepcionais, e a banda sonora que balança ao ritmo da história, estão lá. a exposição de uma incomunicabilidade que catalisa a incompreensão e o preconceito, também. ao e ao mostrar o histerismo global face à ameaça de terrorismo e o desprezo da américa imperialista pela américa explorada (o que não podia deixar de ser num filme de mexicanos), pisca sem dúvida - e de maneira assumida - o olho aos prémios, nem que seja pela actualidade dos temas.

claro que queria um filme melhor. muito melhor. o filme revela mais potencial do que obra conseguida. mas isso não o transforma num filme mau. e a análise de toda a crítica do público/Y que o classifica como uma autêntica nulidade, não pode revelar mais do que um absurdo preconceito, que podendo estar presente na crítica, não deveria transformar-se num texto da mais abjecta inconsciência como este.

quinta-feira, janeiro 18, 2007

dissionário alternativo #1

um indefectível é alguém com prisão de ventre.

auto-biografia não autorizada #2

estou-me nas tintas para o dr. house.

coisas que uma mulher nunca disse

oh, fizeste a cama? não era preciso.

boas novas do capitalismo

o belmiro de azevedo acaba de dizer que avançou para a opa porque "não há mais centros comerciais para fazer".

ordem na sala

acusado de corporativismo, o advogado levou o caso para tribunal.

frases desfeitas #10

tau, tau - beijo, beijo.

um esquilo

1 esquilo são 1000 esgrama.

quarta-feira, janeiro 17, 2007

lost in time #7

[Coimbra, Jardim Botânico. Janeiro 2005]

psst, psst

a internet pensa que somos bons amigos, mas eu estou só a usá-la.

o tempo

o tempo não dura mais do que o momento que nos faz sorrir.

1970 / faixa 10 / 2'42"

"quero que saibas que cago no amor.
acho que fui sempre assim."

tão bom que até chateia

a princípio fico feliz por não pertencer à geração de 70. mas pouco a pouco percebe-se que o retrato não é de uma geração. o conceito de geração perde o significado cronológico. é o retrato de várias gerações. de muitos sonhos e mais desilusões. e, por um instante, todos nascemos em 1970.

terça-feira, janeiro 16, 2007

1970


não é (só) para ouvir. é para ler.
até tenho medo. depois conto.

sábado, janeiro 13, 2007

auto-biografia não autorizada #1

nunca fui ao dentista.

amor se llama el juego

"el agua apaga el fuego
y el ardor los años.
amor se llama el juego
en el que un par de ciegos
juegan a hacerse daño.
y cada vez peor
y cada vez más rotos
y cada vez más tu
y cada vez más yo
sin rastro de nosostros."
[Joaquín Sabina]

exercício de mediocridade #4

adoptar um filho, plantar uma rosa, escrever uma badana.

sexta-feira, janeiro 12, 2007

lost in time #6

[Grécia, Setembro 2005]

quinta-feira, janeiro 11, 2007

brand new car

"it's not about logic, it's about smell. there's nothing like the smell of a brand new car."
[warrick brown, csi las vegas]

vs

john legend: "save room for my love"
joão gaspar: "save love for my room"

quarta-feira, janeiro 10, 2007

escolhe a ignorância

um senhor do movimento "escolhe a vida" acabou de vomitar o seguinte:

"temos que proteger a vida humana, porque sem vida humana não há planeta terra."

e a rtp lembrou-se de o mostrar ao mundo.

aforismo do dia

[com dedicatória]

a vida é o que acontece entre dois cigarros.

waiting

uma das controvérsias da mui discutida tragicomédia em dois actos waiting for godot é precisamente a figura de godot. quem é? que relação tem com didi e gogo? que vem fazer? quando chega? a possibilidade de ser god(ot), enfim, um sem número de interrogações.
no entanto, a reflexão que mais interessa é a da espera. waiting for seria o meu nome para a obra. está-nos no sangue esperar. é talvez o vício mais castrador da sociedade e do indivíduo. e como bom vício, alia a destruição que provoca a um prazer hediondo. gostamos de esperar. passamos a vida à espera. esperamos que tudo se resolva, esperamos que o problema desapareça, esperamos que não nos chateiem, esperamos que o patrão não mande fazer nada, esperamos que o estado faça, esperamos em qualquer serviço público, esperamos que ela se decida, esperamos pelo autocarro, esperamos que passe, esperamos que o diabo nos carregue, esperamos que caronte nos leve, esperamos que fique tudo bem. e não fazemos nada.
quando godot chegar, os que estão à espera rapidamente encontrarão algo por que esperar outra vez. eles não estão à espera de godot. estão só à espera.
porque a malta gosta é de esperar. godot é só uma boa desculpa.

psicanálise

sim, eu sei que se escreve freud e se diz froid. mas eu leio sempre fraude.

segunda-feira, janeiro 08, 2007

lost in time #5

[Alentejo - algures, Setembro 2005]

frases desfeitas #9 e 1/2

[variação com um possível cariz oralista]

a maria joão faz à força.

frases desfeitas #9

[com um possível cariz onanista]

a minha mão faz a força.

épico

as nuvens no céu cerrado auguravam algo de mítico para aquela tarde fria de janeiro. a emoção cresce à medida que a grande hora se aproxima. noventa minutos de tensão crescente, o nervoso miudinho, as unhas a desaparecer, o coração a disparar ao ritmo alucinante do esférico, a esperança de uma nação nos pés de onze bravos gladiadores que travam a mais dura das batalhas. é hora da verdade. só os fortes de espírito resistem, só deles é o canto quente da memória. o apito final. a fé, a confiança numa vitória dos justos. o acelerar das emoções a onze metros do grito vitorioso. e surge então o momento em que todos os sonhos se concretizam, o regresso ao palco das gloriosas façanhas. é a glória, deus meu. é a glória. derrubado um dos colossos do futebol europeu. estamos na final. é a glória. numa palavra, épico.*

*só vi a segunda parte e adormeci três vezes.

o degredo visto pelas lentes do google

imagens de deprimidas e tristes
casais a fuder
como curar a tosse
bonecas transexuais são paulo
josé carlos malato gay
no dia 7 de janeiro paris dakar

tough ain't enough

"às vezes a melhor maneira de conseguir dar um murro é dando um passo atrás. mas se recuares demasiado, não há combate nenhum."*

in million dollar baby, o melhor filme desde os condenados de shawshank.
*(adaptação livre by me)

lutas desiguais

wikipédia da floribella vs. wikipédia de joão gaspar simões

domingo, janeiro 07, 2007

peço desculpa

não resisti.

ainda estou a pensar numa piada com tapadinha ou na fina ironia do gajo se chamar david, mas pronto. não se fala mais nisso.

sábado, janeiro 06, 2007

lost in time #4

[Beja, Outubro 2005]

final do conto mais feliz do mundo

e foderam felizes para sempre.

início do conto mais triste do mundo

folheava todos os dias as páginas do obituário, na esperança de um dia lá encontrar o seu nome.

quinta-feira, janeiro 04, 2007

lost in time #3

kafkaniano

não é por acaso que não se chama tratado, compromisso, declaração ou convenção de bolonha.

frases desfeitas #8

viver direito por linhas mortas.

dúvida existencial

até quando é que podemos desejar um bom ano sem parecer ridículo?

o trocadilho possível

nuno assiste da bancada.

quarta-feira, janeiro 03, 2007

conflito de gerações

o meu avô, que foi muitas vezes ao estádio da luz, garante-me que viu muito craque no benfica.
eu, que fiz hoje carnide - sete rios, posso assegurar-vos que há muito crack em benfica.

every morning

todas as manhãs, rádios e televisões prometem comunicar o estado do trânsito nas principais cidades do país. no entanto, acabam sempre por falar de lisboa e do porto.

hey ho let's go

só para contar que estive à fala com o Marky Ramone na fnac do colombo.
uma lenda, sem dúvida. viva, por assim dizer.

terça-feira, janeiro 02, 2007

por falar em boas entradas

o que ele queria era ter tido uma boa massagem de ano. e ter conseguido mandar 12 badaladas.

2007: um balanço

janeiro
completou-se mais uma edição do rali lisboa – grândola – portimão – dakar, contribuindo para “infernalizar” ainda mais o caótico trânsito da capital portuguesa. carlos sousa, que ao fim da segunda etapa era primeiro classificado, mais uma vez não ganhou o rali. Não se sabe quem foi o vencedor porque depois de ultrapassada a fronteira com o outro país da península ibérica ninguém liga mais àquela merda.

fevereiro
o "não" ganhou o referendo ao aborto, no qual se registou 89% de abstenção. o principal mandatário da campanha pelo “não” – d. josé policarpo, no intervalo possível entre dois cigarros, disse que era uma grande vitória para a Vida. do lado do sim, louçã disse que “este país é uma merda”, suicidando-se em seguida. josé sócrates, para compensar, aumentou em 20 euros o troço da A6 elvas – badajoz.

março
das 23 categorias a que concorria, clint eastwood arrecadou 27 óscares da academia de Hollywood. as suas duas versões do mesmo filme só não ganharam o óscar para melhor actor, uma vez que no pior filme da trilogia de iñarritu (babel), brad pitt tem barba e aparenta ser 10 anos mais velho.
mudança de hora. às duas da manhã passou a ser uma da madrugada.

abril
mágoas mil.

maio
o chelsea perdeu a final da liga dos campeões com o barcelona. o jogo foi decidido com um penalty no último minuto a punir falta de hilário sobre ronaldinho, que foi parar ao hospital com fractura de tíbia e perónio. para o seu lugar entrou um tal de joão gaspar que marcou o penalty de calcanhar, atirando ao ângulo superior esquerdo. mourinho disse que a fractura era teatro “desse gajo que não vale nada”, que o árbitro foi "um ranhoso" e que vai ganhar todas as finais liga dos campeões até 2012.
no campeonato nacional, o sporting apresentou o melhor futebol das equipas sem avançados e com jogadores sem barba, o benfica encheu estádios de pessoas e garrafões de tinto, a académica manteve-se na superliga após um empate no último jogo. o porto foi campeão com trinta pontos de avanço do segundo classificado, o estrela da amadora.

junho
milhares de alunos do ensino secundário manifestaram-se à porta da assembleia da república, com gritos de “a ministra é ranhosa”, exigindo o fim dos exames nacionais e a colocação de estagiárias com mamas boas para professoras de educação física.
num ano sem europeu nem mundial de futebol, milhões de portugueses suicidaram-se.

julho
carolina salgado publicou o livro “eu, outra vez a carolina”, em que acusou pinto da costa de ter usado o seu gloss e o eye-liner, numa manhã fria de março.
pinto da costa foi acusado de três mil cento e oitenta e dois crimes no âmbito do processo apito dourado.
os xutos e pontapés comemoraram pela décima terceira vez os seus 25 anos de carreira, com um lançamento de um dvd e um concerto no pavilhão atlântico com convidados especiais.

agosto
os milhões de portugueses que não se suicidaram em junho foram para o algarve. no resto do país arderam 3 milhões de hectares de floresta. o ministro antónio costa distribuiu medalhas de honra aos bombeiros portugueses e abriu inquérito para apurar responsabilidades.

setembro
segundo o jornal record, o benfica contratou figo, drogba, ronaldinho (ainda lesionado), maniche, rui costa (a si próprio), figo outra vez e um tal de joão gaspar.
saddam hussein aparece num vídeo ao lado de bin laden, com uma margueita numa mão e o dedo médio espetado na outra.
o ministro da economia anunciou o fim da crise.

outubro
um tal de joão gaspar completou 25 primaveras e alcoolizou-se fazendo figuras tristes perante a família, trauteando o we are the champions em cima da mesa da cozinha.
os ponteiros do relógio avançaram uma hora.
o primeiro ministro admitiu ter-se esquecido da presidência da união europeia que devia ter começado em julho. convocou eleições antecipadas e ganhou novamente com maioria absoluta. marques mendes obteve 3 votos e meio.
o prémio nobel da literatura foi entregue a um rapazinho iraquiano que escreveu 10 post-its antes de se suicidar às cavalitas de um soldado americano.

novembro
o processo casa pia foi arquivado.
os U2 lançaram um cd ainda pior que os três anteriores, com um dvd de um concerto em Denver, Colorado.
o professor marcelo continua a discorrer banalidades antes do gato fedorento.
o mês passou sem que se tivesse passado mais nada.

dezembro
pinto da costa foi ilibado dos três mil cento e oitenta crimes de que era acusado.
o número de mensagens idiotas a desejar feliz natal diminuiu drasticamente devido ao suicídio de milhões de portugueses verificado em junho.
embora bush tenha rezado muito, ainda não foi este ano que fidel castro morreu.

massagem de ano

ainda não percebi se é genial ou ignóbil uma humanidade que transforma uma meia-noite numa euforia global, absurda e ridícula. de qualquer modo é orgulho que sinto em pertencer a esta humanidade. mesmo que primeira opção seja a acertada.

sexta-feira, dezembro 29, 2006

2006: cerveja do ano

está em cima da mesa. obviamente, não para discussão.

2006: o livro do ano

provavelmente estará em cima da mesa para discussão, uma vez que ainda não li o da xô dona salgado.

Nota 1: o hiato temporal entre a edição de um livro e a respectiva leitura é ainda maior que o fosso cinema / dvd.
Nota 2: este livro é de 2004, mas como a edição que tem esta capa é de 2006 e foi este ano que o li, conta.
Nota 3: queria ter mais candidatos ao título de livro do ano, mas o sacana do record continua a sair todos os dias.

2006: o filme do ano

pode vir a estar em cima da mesa para discussão, embora não me pareça que isso vá acontecer.


Nota 1:
vou poucas vezes ao cinema. quando vou, evito as salas com mais de 10 pessoas. vejo os filmes com largos meses de atraso, quando saírem os dvd's falamos.
Nota 2: vi ontem o traffic, por isso talvez falemos lá para 2009.

2006: o disco do ano

não está em cima da mesa para discussão.

quinta-feira, dezembro 28, 2006

wishful thinking

(ou: slogans desfeitos #1)

a primeira vez é sempre a três.

silly season

não fora já suficientemente má esta quadra ignóbil, imbecil e modorrenta, a falta de bola faz com que a sport tv esteja a transmitir em diferido e na íntegra o charlton x fulham.

vou ver.

lixo esquizofrénico #1

mas a lua não apareceu.
e ele ali ficou. de tanto esperar, enlouqueceu. agora resta-lhe a escura solidão e a força da loucura, que embora fraca sempre ajuda e lhe estende uma mão. a mão vadia que o empurra. a mão amiga que o levanta. a mão cansada que o faz pensar, ou apenas recordar, que sonhos esquecidos são sonhos em vão. esta loucura. aquela mão. a mão sentida que lhe toca o rosto, que dá sabor e gosto, à vida, às lágrimas e ao desgosto. a mão esquecida que acalma a agonia, daquele choro de alegria. a mão perdida que o encontra, à procura do sentido, proibido e sem saída da mão presente que ele sente, à espera do sentimento sempre ausente.

quarta-feira, dezembro 27, 2006

errata

devido a lapso mnésico totalmente justificado pela fase de letargia mental que a época do calendário proporciona, a foto anterior vinha com o rótulo de ter sido tirada em bordéus. embora seja pouco relevante, uma vez que o importante é a foto itself e não a cidade em que o velhote parece existir sem se preocupar com o passar do tempo à sua volta, a verdade é que o flash disparou em cognac, vila pacata do sudoeste francês na qual - ninguém diria! - se produz o centenário elixir homónimo.
isto tudo para dizer que, no final de uma visita às caves obscuras (muito parecidas às do vinho de gaia, mas com mais teias de aranha) apropriei-me de uma garrafita de cognac cujo conteúdo dará para 3 penaltys mal medidos mediante o pagamento de 10 euros, com o propósito de me juntar às pessoas certas e dar-lhe o destino que merece. já lá vai mais de um ano e continuo sem encontrar a merda da garrafa. o único consolo é um fino bem tirado ser de longe melhor que cognac.

lost in time #2

[Cognac, France, Agosto 2005]

terça-feira, dezembro 26, 2006

exercício de mediocridade #3

o melhor do natal é, talvez, a família toda reunida.
o pior do natal é, sem dúvida, a família toda reunida.

não te queixarás quando te oferecem peúgas

recebi um sabonete azul, aroma marinho.

acto falhado

vinha só aqui dizer que desliguei o autoplay da música de natal aqui em baixo no post anterior, mas se calhar não vale a pena.

sábado, dezembro 23, 2006

Let me sleep*

"Cold wind blows on the soles of my feet
Heaven knows nothing of me
I'm lost nowhere to go
Oh when i was a kid oh how magic it seemed
Oh please let me sleep it's Christmas time
Flowered winds was where i lived
Thought you burned not froze for your sins
Oh I'm so tired and cold

Oh when i was a kid oh how magic it seemed
Oh please let me sleep it's Christmas time
Oh oh when i was a kid oh how magic it seemed
Oh please let me sleep it's Christmas time
Oh oh when i, if i was a kid oh how magic it seemed
Oh please let me dream it's Christmas time"


Pearl Jam, 1991

quarta-feira, dezembro 20, 2006

escapadinha

fodituri te salutant

exercício de mediocridade #2

os últimos são sempre os primeiros a dizer que os últimos são sempre os primeiros.

mulher, filha de deus

ama o próximo. pode ser o último.

na cara

embrulhamos as prendas de natal por pura vergonha de que alguém perceba cedo demais que oferecemos a mais barata.

frases desfeitas #7

mais vale pobre do que mal agradecido.

terça-feira, dezembro 19, 2006

capítulo nulo

junto às miúdas, tentava parecer engraçado.
junto aos pais delas, esforçava-se por parecer atinado.
junto a desconhecidos, tentava parecer culto.
junto ao chefe, tentava parecer responsável.
à noite, antes de dormir, fingia suportar-se junto a si próprio.
só ao balcão do café, não precisava de fingir nada, de parecer nada, de agradar a ninguém.

you, you, you

agora que a time (tardiamente) se lembrou que são os utilizadores assíduos da web social a person of the year 2006*, os meios (ou serão mínimos?) de comunicação lembraram-se de os caracterizar. assim, e segundo inquéritos oficiais, as personalidades do ano "integram a rede social do hi5, editam vídeos do youtube e vão buscar conteúdos ao myspace."

o que eu gostava mesmo de saber é, afinal de contas, onde é que esta malta vê o e-mail?

* mais uma cabala do americanismo. poeira para os olhos do povo. o prémio é teu, camarada chavez!

segunda-feira, dezembro 18, 2006

isto sim, importava referendar

concorda com a interrupção voluntária do coito, se realizada, por opção da mulher, nos primeiros dez minutos, em estabelecimento de diversão nocturna clandestino mas com condições de higiene devidamente asseguradas?

(o meu) espírito d'época #2

uma grande lacuna da literatura infanto-juvenil é não haver um conto que acabe com a frase:
o pai natal morreu.

ah, saudade!

[está tudo aqui]

exercício de mediocridade

este blog deseja a todos os seus 12 leitores um natal mais ou menos.

lost in time #1

[Pau, France, Agosto 2005]
"keep the whole thing going, baby
riding home after school / you took me home

gloria, gloria"
(The Doors)

quinta-feira, dezembro 14, 2006

no fresquinho da noite

não percebo o porquê de tanta celeuma pela decisão da d. quixote de publicar o livro d'ela, carolina. afinal de contas, é a editora do gajo que escreveu sobre os cús do apóstolo traidor, agora publica o livro de uma traidora que vendia o cú. faz sentido.

quarta-feira, dezembro 13, 2006

(o meu) espírito d'época

ao contrário de muitos milhões de pessoas, ainda não fiz uma única compra de natal. por outro lado, e ao contrário desse hábito pseudonacional(ista) de deixar tudo para os últimos dias, já fiz todas as minhas compras de natal.

terça-feira, dezembro 12, 2006

toma lá uma sala de fumo

Miguel

Entrava na sala fria sempre descalço. Espirrava duas ou três vezes seguidas antes de conseguir dizer boa noite. Continuava a caminhar. Com o olhar sempre fixo na janela como se alguém o esperasse lá ao fundo. Ou do outro lado. Do lado de fora, onde ingenuamente pensava um dia conseguir chegar. Ignorava os olhares mudos que seguiam o seu trajecto. Sorria um olá disfarçando a dor de garganta que já o atormentava há tanto tempo quanto a memória o permitia recordar. Escondia na mão direita um isqueiro em tons de salmão. Na outra, escondia a força de um sonho repetido a cada noite passada em branco. Sempre no bolso das calças sujas e rasgadas pelo tempo. Como todas as outras noites inclinou-se, cotovelos apoiados e acendeu um cigarro. Como todas as outras noites fumou. E esperou. Mas a lua não apareceu. E o sonho despediu-se com um beijo e sussurrou-lhe até amanhã. Amanhã estaria ali, com a mesma mão, as mesmas calças, a mesma dor de garganta, a mesma janela, o mesmo sonho adiado. Só o cigarro, esse seria outro. Que este desaparecia lentamente transformando-se em espirais a dançar no escuro da noite. Chegava ao fim o momento do dia em que mais ninguém interessava. Só ele, e o cigarro que se findava. Só ele, e o sonho que o desesperava. Amanhã repetir-se-ia a história. E quando finalmente se ia despedir dos olhares até então incógnitos, apagou o cigarro esquecendo-se que estava descalço e a única coisa que conseguiu dizer foi: foda-se!

segunda-feira, dezembro 11, 2006

mudando de assunto

eu, carolina - ó i ó ai
eu, carolina - ó ai meu bem.

pronto, já passou.

é uma vergonha ver tanta gente a festejar uma morte

morreu, o cabrão. pago eu esta rodada.

gambuzino

vi no telejornal o ministro do ambiente. juro que vi.

see you in hell

finochet.

fui ali já vim

e ao contrário do que pensava, voltei. são e salvo.

quinta-feira, dezembro 07, 2006

vou ali já venho

os senhores que organizam o national congress of biochemistry [atente-se no paradoxo que só por si é escrever isto em inglês], vá-se lá perceber por que carga de água, acharam que uma coisa com o título olive mild mosaic virus antibodies from a phage display library era muito gira e interessante para ser falada durante 20 minutos.

de modos que andarei por aqui no fim de semana (ou muito provavelmente noutro sítio a empanturrar-me de ovos moles) e no domingo tratarei então de lhes provar que estavam enganados.


[e há lá coisa mais gira para passar um fim de semana prolongado do que um congresso nacional de bioquímica? provavelmente, sim. mas não me consigo lembrar de mais do que cem.]

o carpinteiro

ao almoço comeu um prego no pão e bebeu um copo de vinho a martelo.

quarta-feira, dezembro 06, 2006

ídolos de infância [1]


o mais esquecido dos melhores jogadores do mundo. ou o melhor dos mais esquecidos.
enfim, dois minutos de silêncio, faz favor.

terça-feira, dezembro 05, 2006

um minuto de silêncio

morreu o porco do clooney. e atenção que não estou a ofender o senhor.

[estava a pensar meter aqui uma piada com as palavras "chouriço" ou "salsicha" mas acho que não vale a pena.]

segunda-feira, dezembro 04, 2006

o surrealismo no café da esquina [prefácio]

bica pós-jantar. balcão de café. dois alcoólicos no seu estado normal compõe a única vizinhança circunstancial. um deles, mais pequeno, traga aos soluços um uísque sem gelo. o outro, dono de portentoso bigode, vaza uma água das pedras num copo de fino. o bêbado sem bigode, magro de ossos, tosse, tuberculoso. o outro, o do bigode, braceja soluções para os males do mundo. o dono da casa escalda-me a chávena. já me explicou um dia que o café não é tão bom sem a chávena escaldada. a julgar pelo mal que sabe, prefiro não saber se tem razão.

o surrealismo no café da esquina [capítulo 1]

a tosse

- cof, cof, cof.
- sabe como é que lhe passava essa tosse? sabe?
- diga lá...
- o amigo deita-se de barriga para cima, desfaz um cigarro e espalha o tabaco assim seco (exemplificou desfazendo um cigarro para o chão) para cima do peito.
- um cigarro inteiro?
- e depois bochecha um gole de aguardente, não bebe, tá a ouvir? não é para beber. bochecha só.
- aguardente?
- e depois cospe para cima do peito. assim como os bebés fazem depois de comer. e pede à sua mulher ou a uma amiga ou a quem estiver consigo para massajar o peito até desfazer o tabaco.
- com a mão?
- sim, espalha com a mão até o tabaco desaparecer da mão e ficar bem espalhado no peito. mas depois não pode tomar banho. a sua mulher diz-lhe: ah, cheiras a aguardente! não faz mal. vai ver que lhe passa a tosse. amanhã quando acordar tá novo.
- vou já fazer isso hoje.
- estou-lhe a dizer. é certinho. depois amanhã conta-me.
- já tenho feito de tudo. vou ao hospital e só me dão é xaropes e a tosse não há meio de passar.
- os médicos não sabem curar a tosse. nenhum médico sabe isto. tou-lhe a dizer. os bebés até aos três anos. três, quatro, cinco, seis, sete, oito, nove, seja o que for. eles cospem sempre depois de comer porquê? é para despejar a tosse, tou-lhe a dizer. os médico não sabe isso, homem.

o surrealismo no café da esquina [capítulo 2]

a asma

- cof, cof, cof... até tenho aqui duas bombas mas não me fazem nada.
- ah, o que o meu amigo tem é asma?
- tenho outra bomba em casa mas nem assim a asma me passa.
- a asma cura-se num dia. eu até lhe dizia como é que se cura a asma mas é preciso ter fé e coragem.
- diga lá (cof cof) diga lá.
- é preciso munta coragem, tem coragem?
- tenho, tenho.
- agarra num coelho, mas tem que ser um coelho vivo. tem que ter munta coragem. agarra-o assim pelas pernas, ou outra pessoa que esteja consigo. o animal mata-se pela nuca, não é? mas você resga-lhe a pele assim na barriga, tá a ver? e aí é que tem que ter fé e coragem. no momento em que lhe abre a barriga tem que agarrar as tripas do animal e abraçá-las com força contra o peito. e o calor das tripas do bicho tiram-lhe a asma.
(risos do dono da casa)
- é verdade, tou-lhe a dizer.
- num dia, as tripas do coelho lançam calor que lhe tiram a asma num dia. é assim que se cura a asma. os médicos não sabe isto.

o surrealismo no café da esquina [posfácio]

ainda pedi um copo de água para alongar a estada na plateia mas não tinha dinheiro para outro café e tive que abandonar o espectáculo. mas desconfio que ali ainda se curaram câncros vários e a uma ou outra sida. valeram a pena os cinquenta cêntimos, a chávena escaldada e agora se me dão licença vou ali comprar um maço de tabaco e ver se funciona com medronho.

let us enjoy, augusto.

don't rush. die slowly.

pergunta retórica*

se last christmas you gave her your heart but the very next day (s)he gaves it away, por que caraças é que insistes todos os anos?

*ao caramelo que canta esta chaga e que de momento não se me recorda o nome nem vou fazer qualquer esforço para que se mo recorde.

sábado, dezembro 02, 2006

sounds like hã?

o australiano é assim uma espécie de açoreano da língua inglesa.

subconsciente

eu sabia que mais tarde ou mais cedo se havia de justificar o meu gosto pelo polga.

quarta-feira, novembro 29, 2006

estado maior das forças armadas*

senhores militares,
o corpo humano masculino, regra geral, vem acompanhado de umas proeminências localizadas entre uma perna e outra, protegidas mecânica e termicamente por uma bolsa escrotal, cuja função é armazenar milhões de potenciais vidas a ser desperdiçadas em exercícios auto-recreativos. na maior parte dos casos servem ainda para atrapalhar a tentativa de execução da maioria das posições descritas e/ou ilustradas no kamasutra.
espreitem lá. nada, pois não? bem me parecia.
assim sendo, das duas uma:
ou ganham tomates e se manifestam como os homens, ou - faxavôr - deixam-se de patetadas na via pública e vão fazer o que fazem o dia todo. ou então não façam nada, passe o pleonasmo.
obrigados.


*armadas em parvas!

15 polegadas

não são apenas as tv's novas, com plasma e lcd e pal plus mais não sei quê, que deformam as imagens e engordam os magros.
pois a minha televisão - contemporânea de pessoa, eça e camilo - que é daquelas com ecrã quadrado e tem uns botões que se rodam para sintonizar os uhf's (remember?) mostrou há bocado um senhor que foi um mau primeiro ministro e é um medíocre presidente da comissão europeia a receber um pisa-papéis dourado. e o senhor, que ostentava um ridículo papillon, estava tão inchado, tão inchado que não cabia no ecrã.

o sistema

o referendo (o outro, das dez semanas) é no fim de semana em que pára o campeonato.