sexta-feira, fevereiro 16, 2007

estar de vela

fiquei a saber há um par de dias que na gíria da enfermagem é utilizada a expressão "estar de vela" para aqueles dias em que o serviço foi durante a noite e acaba de manhã.
deduzo que estar de vela signifique o estado de semi-letargia em que não se trabalha mas também não se dorme, o estado de pós-actividade e pré-qualquer coisa não muito definida, uma espécie de trânsito entre o dia de ontem e a vida de amanhã, ser refém de um sono adiado, escravo de uma mente letárgica, cansada, confusa, cujas ordens incoerentes o corpo disforme teima em não acatar.

percebo agora que estou de vela interruptamente há mais de uma década. o que dá sensivelmente metade da minha existência.

esclarecimento

um amigo pergunta-me algures num comentário lá para baixo em que momento do dia é que me lembro destas coisas. assumindo que por estas coisas queres dizer o que escrevo, poder-te-ia dizer que são rasgos momentâneos de pura parvoíce. por outro lado, e constatando a qualidade dos escritos, será fácil deduzir que virão à tona do mar das idéias durante a mais ou menos breve estada sentado de frente para a banheira, num momento de resposta aos pedidos dos reféns do intestino que se querem à força libertar. porém, e por respeito à verdade, dir-te-ei apenas que, dado o estado de demência em que me encontro há anos, a questão certa a colocar é: em que momentos do dia é que não me lembro destas coisas?

a outra frase da semana

a ciência é uma puta caprichosa. (dita por mim a precisar de duas minis)

a frase da semana

"lisboa é mesmo uma rameira" (dita por um amigo a precisar de uma mini)

quinta-feira, fevereiro 15, 2007

a história vista só com um olho*

do progama da dra maria elisa:

- d. afonso henriques foi o melhor primeiro rei de portugal.
- álvaro cunhal tinha muito jeito para a pintura.
- o salazar foi bonzinho.
- o aristides foi um gajo que deu muitos autógrafos.


*e ainda não estou a falar do camões.

piadola (com um dia de atraso)

happy ballantines day

quarta-feira, fevereiro 14, 2007

referendo, votos, 600 mil

a todos os interessados, ide ler isto. ide.

auto-biografia não autorizada #3

detesto kiwis.

dúvida metabloguística

depois do supercitado, superparticipado e superlinkado concurso de melhores blogues e bloggers de 2006, mais alguém continuou a ler o geração-rasca?

o meu espelho

até o meu espelho tem vergonha do que vê quando olha para mim.

imbecil

não seria mais honesto chamar-lhe dia das namoradas?

disclaimer

claimer.

(peço desculpa)

terça-feira, fevereiro 13, 2007

grau 0 na escala de rixetâr

lamento desiludir várias famílias mas não senti a revolta de deus vosso senhor pelos 59%. nada. nem um abanãozito. nem um fraquejar de pernas. nem algo parecido com aquele arrepiozito na espinha depois do primeiro xixi da manhã. nada.

junho, 8 e 9 de










talvez o mais próximo que estarei de experimentar orgasmos múltiplos.

segunda-feira, fevereiro 12, 2007

um sincero desejo

não se fala mais nisso, bem?

sejamos justos

o sim fez uma campanha séria e enfadonha, focada na despenalização. não houve barrigas mandadas por ninguém, gritaria no meio da rua. nada. a ana drago viu-se pouco e ouviu-se ainda menos. uma seca, portanto. até o único momento realmente engraçado foi uma resposta ao vídeo do outro lado.

foi o não que proporcionou excelentes momentos de humor. tantos, tantos que são inlincáveis sob risco de colapsar o technorati. fez rir todos os dias por volta das 19h quando ao fim do dia a mente pedia uma boa piada. argumentou, por assim dizer, com pérolas semânticas dignas de um woody allen, com idéias entre o ridículo de uns monty python e uma misteriosa e ténue relação com o debate dignas de um lynch. procurou confundir e atordoar o enredo com a mestria de um fellini. usou e abusou da violência verbal à boa maneira do mel gibson. no rescaldo dos resultados congratulou-se com a abstenção, significado de que os portugueses não querem que a lei mude, o que só poderia lembrar a alguém inspirado no borat. enfim, foi um fartote. que merece a maior das ovações.

mas acima de tudo isto, os maiores respeitos e torso curvado perante a lição de humildade, elevação e democracia na hora da aceitação do resultado.
bem hajam.

domingo, fevereiro 11, 2007

a grande decisão do dia

boxers largos ou daqueles justos e apertados?

sábado, fevereiro 10, 2007

ah bom

- atão comadre, foi à missa?
- fui, fui. e o senhor padre disse para ir votar não.
- atão e a missa foi boa?
- foi, foi.
- atão e o senhor padre falou do quê?
- ah, isso não percebi.

declaração de voto

prefiro a vaca que te abortou
do que a puta que te pariu.

quinta-feira, fevereiro 08, 2007

parvoíce geográfica

todos os dias ela pede-lhe um café ao Balcã. e ele Sérvia.

quarta-feira, fevereiro 07, 2007

frases desfeitas #12

foram-se os alfredos, ficaram os manéis.

é público

sou um anónimo chamado João.

taras

ela, ordinária, pediu-lhe "chama-me nomes". ele, sempre solícito no que toca a satisfazê-la, começou: "sandra, sara, sónia, carla, paula, mónica, albéééérta." e veio-se.

terça-feira, fevereiro 06, 2007

dissionário alternativo #4

um boicotado não passa de um macho bovino com acções na bolsa.

pH (reprise)

no fundo, concebo todas as relações como um equilíbrio ácido-base.
eu sou o ácido que corrói. ela a base que sustenta.

pH (3 de 3)

e por isso raramente tinha uma opinião definida. em quase todos os assuntos se mantinha neutro.

pH (2 de 3)

por outro lado, o seu raciocínio era tão básico que nunca articulava três frases seguidas.

pH (1 de 3)

era tão ácido nas palavras que dizia que provocava úlceras em quem o escutava.

benfica-porto

estádio da luz. 60 mil pessoas nas bancadas. último minuto. golo do benfica. 1-0. benfica campeão nacional. fátima campos ferreira salta para o meio do relvado e diz:
- ninguém grita golo! ninguém bate palmas! estamos a perder tempo!

ó sôtor, tenho aqui um gráfico

e arrisco-me a dizer que o aborto nas primeiras dez semanas, por opção da mulher, num hospital ou clínica, vai aumentar 100%.

segunda-feira, fevereiro 05, 2007

citação

"sou da geração ecografia" dra. assunção cristas*.

*nome ao alcance de muito poucos argumentistas.

à espera de uma ecografiazita para animar

normalmente a disputa para o terceiro e quarto lugares acontece antes da final. mas este prós e contras, depois dos trunfos todos jogados e do pressing em todo o terreno da semana passada, tresanda a jogo de consolação.

p&b

via o mundo a cores. a rua vermelha, os carros amarelos, o céu cor de laranja, o sol em tons de âmbar, o mar às riscas verdes e roxas. nunca chegou a perceber se era dos alucinogénios ou do papel celofane que punha nos óculos.

scoop

algures a meio do filme, o woody allen diz, em jeito de piada: "I was born of the Hebrew persuasion, but I converted to narcissism."
achei bastante piada. só não estou bem certo que tenha sido uma piada.

scoop

o melhor de ir ao cinema sozinho é sem dúvida ir ao cinema sozinho.

o mito das alterações climáticas

há um ano estava um frio do caraças. hoje está um frio do caraças.

domingo, fevereiro 04, 2007

a conclusão

marcar o referendo, esperando uma vitória do sim, revela um optimismo quase irracional. o processo de alfabetização de um povo demora, provavelmente, mais do que oito anos.

sexta-feira, fevereiro 02, 2007

serviço público

concordar: consentir; anuir, ter a mesma opinião.
despenalização: acto ou efeito de retirar uma pena; ausência de pena em sede legal.
interrupção: cessação; paragem no tempo; suspensão da continuidade de; extinção.
voluntária: por vontade ou desejo; não imposta por outrem.
gravidez: condição das fêmeas durante a gestação; prenhez.
realizada: posta em prática; tornada real; executada; efectuada.
opção: acto ou possibilidade de optar; escolha.
mulher: indivíduo do sexo feminino; fêmea da espécie humana;
primeiras: numeral ordinal; ordem de um elemento num conjunto cuja posição relativa equivale ao número um; aquelas que estão no princípio de uma ordem.
dez: numeral cardinal; número equivalente a nove mais um;
semanas: períodos equivalentes a sete dias cada;
estabelecimento: casa; instituição; fundação; (acto de estabelecer).
saúde: estado de quem não tem doença ou ferimento; estabelecimento de, local de exercício da medicina, em que se são prestados cuidados de.
legalmente: conforme, de acordo com a lei.
autorizado: que teve ou tem permissão para.


mais alguma dúvida?

parece-me bastante evidente

que quem não percebeu, não quer perceber, acha que é mentirosa, diz que é mentirosa, usa falsos argumentos para deturpar, ou pura e simplesmente não quer ler, não sabe ler a pergunta, pode sempre optar pelo quadradinho que diz:

ns/nr.

a melhor meia-horinha de tv em muito muito tempo

a grande (desta vez literalmente, em conteúdo) entrevista que o professor quintanilha deu foi tão boa, tão boa, tão boa que até a judite de sousa esteve (ou pareceu estar) bem.

passaram para o ciclo

os senhores que me pagam afinal perceberam que se x=y, então 2x=2y.
mas no fundo, não passou de uma desculpa para aumentarem o irs.
[e não obstante, estamos a falar de apenas mais um jantar fora do que em dezembro].

quinta-feira, fevereiro 01, 2007

soneta

da série: um único verso seria uma nódoa no meu poema

és um bandalho, um bandido, um barreta.
um crápula, um cretino, um careta.
um drácula, um destino, um direita.
uma espátula, um espinho, um à espreita.
és um falso, um facínora, um fantoche.
um guaxini (guaxinim, estúpido), um ganso, um garrote.
um hipócrita, uma hipérbole, um holofode-te.
um jacobino, um jacinto, um jarreta.
és um leigo, uma lula, um luneta.
um merdas, um marroquino, um marreta.
um nenúfar, um nipon, um nó cegueta.
um palhaço, um paquiderme, uma peta.
és um reles, um rabino, um rabeta.
um sem-nada, um sandokan, uma saqueta.
um totó, um tolstoi, uma teta.
um vendido, uma víbora, um vegeta.
foda-se, no p esqueci-me da punheta.

para os mais desatentos

no tempo de antena da plataforma do não obrigada (dez minutos de excelente humor, mas adiante) surge um jovem estudante na (não sei se da) universidade de lisboa que, no meio dessa actividade de redobrado e visível esforço que foi articular letras e vomitar duas ou três frases diz algo do género: "eu acho que nenhuma mulher aborta em consciência só porque sim, por isso voto não." [adaptação que apesar de livre encerra a ideia do jovem]. não consegui ligar muito ao resto do discurso, perdoe-se-me a hipérbole, porque o rodapé me disse que o jovem se chama(va) bernardo eça. e isso fez-me cócegas.

quarta-feira, janeiro 31, 2007

lost in time #8

[Maio 2005, 11:51 am]

terça-feira, janeiro 30, 2007

o recluso

já o recluso, esse, tinha um amor condicional à liberdade.

platão

tinha por ela um amor incondicional. amava-a tanto que estava disposto a ir para a cama com ela.

toma lá

um post dos teus:

alguém me sabe dizer a quanto é que está a uva mijona?

frases desfeitas #11

mais vale uma febra no pão do que dois quilos de caviar.

pequena nota

um dia destes escrevo um texto sério sobre o referendo. mas não prometo nada.

pós e compras

conclusão 1: somos todos contra o aborto.
conclusão 2: somos todos contra a penalização.

solução: anule-se o referendo. apague-se a lei. com borracha ou corrector. caso omisso, assunto encerrado.

somos seis milhões

e o fernando santos acabou de convencer pelo menos três milhões a votar sim.

segunda-feira, janeiro 29, 2007

dissionário alternativo #3

anacrónica: toda aquela que nasceu ana e nunca mudou de nome em toda a sua vida.

à atenção do senhor careca da quercus

o raciocínio é simples. por que carga de água enviamos ficheiros informáticos para a reciclagem e não separamos nada? dá que pensar. assim sendo, e em nome do mais elevado valor ecológico e ambiental de todos os desktops deste mundo, proponho a criação de várias recicle bins.
- vermelha para powerpoints e pdf's;
- azul para words.doc;
- verde para excel.

e pronto, o ignobel prize é meu.

se fossem baleias era um escândalo

"forças iraquianas abatem 250 xiitas". in destak.
e nenhuma associação de defesa dos animais se revolta contra isto?

stranger than fiction*

tentei reanimar uma tomada em coma, mas num instante a luz ao fundo do corredor se apagou. apagão total já depois do sol ter ido dormir. perdi a luta sempre injusta contra fusíveis e disjuntores, pelo que fui forçado a ligar para a assistência da edp. quando me preparava para transmitir os dados pessoais, a senhora responde-me:
"ligue daqui a 5, 10 minutos porque o nosso sistema foi abaixo e os computadores ainda estão a actualizar"
só muitos minutos depois percebi que acabou a luz na edp.

*stranger than fiction, de marc forster.

e por falar em não

também não vi nevar.

e agora sem qualquer ironia

não vi futebol este fim de semana.

bem no fundo

eu no fundo, no fundo até sinto um certo carinho pela maior parte dos apoiantes do "não".

'tava a brincar.

quinta-feira, janeiro 25, 2007

no entanto, uma dúvida

a certa altura do show, o professor regozija com um delicioso e felino "fui eu que tive a idéia deste referendo".
ora, vendo e lendo como anda a discussão, o professor gaba-se exactamente de quê?

marcelo show

fui injusto. tremendamente injusto. afinal o vídeo do marcelo não se resume à frase inicial. é todo um espectáculo de stand up comedy (embora sentado). do melhor que o humor português já produziu.

resumindo

a idéia fundamental e extremamente interessante do vídeo do prof. marcelo numa frase:

eram (breve pausa) 10 horas do dia 21 de janeiro de 2007.

dicionário [errata]

na palavra burocratas falta um r.

o verdadeiro

conheci um gajo que tem um cão chamado montepio.

quarta-feira, janeiro 24, 2007

sonasolenka

vou contratar uma empregada doméstica para me lavar a casa. mas tem que ser de leste. uma eslava tudo.

dissionário alternativo #2

um capitalista é alguém com um amor desmedido à cidade de lisboa.

ode

masoquista a tendência para gostar mais de alguém que nos fode (metaforicamente falando) do que de alguém que nos fode (literalmente falando).

orgulho

faz hoje (ontem) um ano, houve umas eleiçõezecas para escolher o dono da chave daquela casita cor de rosa ali ao lado dos pastéis de belém. a maior parte do país não deu grande importância a esse facto e deu a chave ao senhor que gosta de bolo-rei mas não é grande adepto de picante. beja foi o único distrito em que o senhor não ganhou. o quê? beja foi o único distrito em que o senhor não ganhou.

nas legislativas já não sei de quando - as últimas, as do sócras - aquele partido (literalmente) político (por assim dizer) que agora faz campanha pelo "nim" e que o santana insiste em chamar ppd barra psd obteve aproximadamente 12% dos votos no distrito mais importante do país. [é possível que tenham sido 13. 14, vá. 16% no máximo. mas acho que foram 12% - ide pesquisar].

há uns dias, e contrariando a sempre bem disposta não-campanha da igreja católica no referendo, o bispo de beja (que temo que venha a sofrer represálias pela sensatez das palavras) disse que o embrião "não é uma pessoa humana, porque não tem consciência dos seus actos. não tem alma".

terça-feira, janeiro 23, 2007

2 linhas sobre a ivg

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ivg

lugarzinho no céu*

a senhora da cantina deu-me 5 euros a mais no troco. devolvi-lhos.
*que obviamente troco com deus vosso senhor por um lugar para o carro em lisboa.

matemática quarta classe

o joão recebe xis vezes o salário mínimo.
o salário mínimo aumentou.
o salário do joão aumentou?

segunda-feira, janeiro 22, 2007

i got shit

"so i'll just lie down and wait for the dream
where i'm not ugly and you're looking at me"

sábado, janeiro 20, 2007

into my arms

into my arms

este cd é - sem dúvida - talvez um dos melhores cd's para se ouvir no carro. embora a opinião seja discutível e uma discussão deste género possa ser considerada infrutífera, para quem faz 400 km mais descontos de asfalto por fim de semana e visto que a radar fm (a melhor rádio para ouvir no carro) só é sintonizável (97.8) entre setúbal e loures, um bom cd para ouvir no carro não é um pormenor de somenos importância. ao longo de uma longa viagem (ou mesmo uma viagem mais curta mas que implique passagem pela ponte 25 de abril) percebemos a importância de ter cd's para ouvir no carro. e uma vez entendida a importância de ter cd's para ouvir no carro, atendemos com maior desvelo para a importância de um daqueles arquivadores de cd's para ouvir no carro.

e este escriba tem um desses arquivadores de cd's para ouvir no carro? tem. e por sinal bastante amaricado. e esta besta que vos escreve guarda lá os cd's para ouvir no carro? não. porquê? porque obviamente os deixa amontoar no porta-luvas sem capa. e o que é que aconteceu ao cd do best of do nick cave and the bad seeds (não sei se já disse mas é um dos melhores cd's para ouvir no carro) quando esta besta que vos escreve fechou o porta-luvas com toda a meiguice que duas horas de 2ª circular proporcionam? rachou-se ao meio. e o que é aconteceu quando esta besta que vos escreve o experimentou rapidamente no leitor de cd's? não funcionou. e como é que eu fiquei? triste, primeiro. completamente lixado, depois. lixado com "f".

conforme o exposto acima, e uma vez que naquela feira francesa de cd's e livros o cd original importa a módica quantia de 18,50 europas, vinha por este meio arriscar a caridade de quem tiver este cd (um dos melhores cd's para ouvir no carro), na expectativa da possibilidade de fazer uma cópia "free of charge" para esta besta que vos escreve e enviarem para morada a combinar por e-mail (está ali à direita). assumo desde já o pagamento dos portes de envio (estamos a falar de um envelope almofadado correio verde) através de transferência bancária. no caso do remetente ser uma rapariga, ou um homem extremamente sexy, prometo pagar contra-reembolso.

obrigados.

sexta-feira, janeiro 19, 2007

conclusão (reprise)

só há opinion makers porque há opinion takers.

conclusão

se pensamos na questão: o filme é bom? é porque o filme é bom.
os maus não deixam dúvidas.

tá tudo maluco?

no dia em que fui ver o Babel li (não tenho axn) que acabava de ganhar o globo para melhor filme. hesito. hesitaria mais se tivesse ganho o óscar. mas fui. à entrada a expectativa torna difícil esquecer o amores perros e as 21 gramas. mas apesar de díficil, é um exercício necessário. e o iñarritu merece o esforço. à saída a grande questão: o babel é bom?

se comparado com os anteriores, não é tão bom. o amor cão é, embora inflaccionado pela evidente carência de meios e pela incerteza de uma estreia, uma obra de arte. o 21 gramas, embora inflaccionado pelo sean penn e pelo benicio del toro, um pequeno murro no estômago (ah, cliché). o babel não é nada disso. e desilude quem esperava uma evolução dentro do género "mosaico". desilude ainda pela realização parca em mudanças de ambiente visual que a própria história proporciona ou até obriga. já a falta de densidade das personagens é algo normal na díade argumento/realização de arriaga/iñarritu. e é, arrisco-me a dizer, propositada. propositada na medida em que nos obriga a centrar naquilo que é importante acima de tudo - a história. as dificuldades de comunicação num mundo globalizado e egoísta. e a mensagem - quer nos queiramos reconhecer culpados dela ou não - é transmitida, independentemente de sabermos mais antecedentes das personagens. o que interessa é a situação actual, a angústia do presente (em cada uma das histórias simultâneas). e a história é boa. o problema é que não é suficientemente boa para nos implicar como co-responsáveis da mesma. e aí, nessa suposta pretensão de moralismo, iñarritu dá um passo maior que a perna.

não sendo um filme brilhante, o babel é bom. o enredo, melhorável sem dúvida, a montagem e fotografia excepcionais, e a banda sonora que balança ao ritmo da história, estão lá. a exposição de uma incomunicabilidade que catalisa a incompreensão e o preconceito, também. ao e ao mostrar o histerismo global face à ameaça de terrorismo e o desprezo da américa imperialista pela américa explorada (o que não podia deixar de ser num filme de mexicanos), pisca sem dúvida - e de maneira assumida - o olho aos prémios, nem que seja pela actualidade dos temas.

claro que queria um filme melhor. muito melhor. o filme revela mais potencial do que obra conseguida. mas isso não o transforma num filme mau. e a análise de toda a crítica do público/Y que o classifica como uma autêntica nulidade, não pode revelar mais do que um absurdo preconceito, que podendo estar presente na crítica, não deveria transformar-se num texto da mais abjecta inconsciência como este.

quinta-feira, janeiro 18, 2007

dissionário alternativo #1

um indefectível é alguém com prisão de ventre.

auto-biografia não autorizada #2

estou-me nas tintas para o dr. house.

coisas que uma mulher nunca disse

oh, fizeste a cama? não era preciso.

boas novas do capitalismo

o belmiro de azevedo acaba de dizer que avançou para a opa porque "não há mais centros comerciais para fazer".

ordem na sala

acusado de corporativismo, o advogado levou o caso para tribunal.

frases desfeitas #10

tau, tau - beijo, beijo.

um esquilo

1 esquilo são 1000 esgrama.

quarta-feira, janeiro 17, 2007

lost in time #7

[Coimbra, Jardim Botânico. Janeiro 2005]

psst, psst

a internet pensa que somos bons amigos, mas eu estou só a usá-la.

o tempo

o tempo não dura mais do que o momento que nos faz sorrir.

1970 / faixa 10 / 2'42"

"quero que saibas que cago no amor.
acho que fui sempre assim."

tão bom que até chateia

a princípio fico feliz por não pertencer à geração de 70. mas pouco a pouco percebe-se que o retrato não é de uma geração. o conceito de geração perde o significado cronológico. é o retrato de várias gerações. de muitos sonhos e mais desilusões. e, por um instante, todos nascemos em 1970.

terça-feira, janeiro 16, 2007

1970


não é (só) para ouvir. é para ler.
até tenho medo. depois conto.

sábado, janeiro 13, 2007

auto-biografia não autorizada #1

nunca fui ao dentista.

amor se llama el juego

"el agua apaga el fuego
y el ardor los años.
amor se llama el juego
en el que un par de ciegos
juegan a hacerse daño.
y cada vez peor
y cada vez más rotos
y cada vez más tu
y cada vez más yo
sin rastro de nosostros."
[Joaquín Sabina]

exercício de mediocridade #4

adoptar um filho, plantar uma rosa, escrever uma badana.

sexta-feira, janeiro 12, 2007

lost in time #6

[Grécia, Setembro 2005]

quinta-feira, janeiro 11, 2007

brand new car

"it's not about logic, it's about smell. there's nothing like the smell of a brand new car."
[warrick brown, csi las vegas]

vs

john legend: "save room for my love"
joão gaspar: "save love for my room"

quarta-feira, janeiro 10, 2007

escolhe a ignorância

um senhor do movimento "escolhe a vida" acabou de vomitar o seguinte:

"temos que proteger a vida humana, porque sem vida humana não há planeta terra."

e a rtp lembrou-se de o mostrar ao mundo.

aforismo do dia

[com dedicatória]

a vida é o que acontece entre dois cigarros.

waiting

uma das controvérsias da mui discutida tragicomédia em dois actos waiting for godot é precisamente a figura de godot. quem é? que relação tem com didi e gogo? que vem fazer? quando chega? a possibilidade de ser god(ot), enfim, um sem número de interrogações.
no entanto, a reflexão que mais interessa é a da espera. waiting for seria o meu nome para a obra. está-nos no sangue esperar. é talvez o vício mais castrador da sociedade e do indivíduo. e como bom vício, alia a destruição que provoca a um prazer hediondo. gostamos de esperar. passamos a vida à espera. esperamos que tudo se resolva, esperamos que o problema desapareça, esperamos que não nos chateiem, esperamos que o patrão não mande fazer nada, esperamos que o estado faça, esperamos em qualquer serviço público, esperamos que ela se decida, esperamos pelo autocarro, esperamos que passe, esperamos que o diabo nos carregue, esperamos que caronte nos leve, esperamos que fique tudo bem. e não fazemos nada.
quando godot chegar, os que estão à espera rapidamente encontrarão algo por que esperar outra vez. eles não estão à espera de godot. estão só à espera.
porque a malta gosta é de esperar. godot é só uma boa desculpa.

psicanálise

sim, eu sei que se escreve freud e se diz froid. mas eu leio sempre fraude.