quarta-feira, abril 25, 2007

33 anos depois

não é mito. eu vi. o povo saiu à rua: 25 de abril, fim de tarde numa das principais artérias (linguagem psp) da capital portuguesa (linguagem rtp). em vez do cravo, nas mãos o volante. tímidas dezenas primeiro, desavergonhadas centenas depois. paradas. travão de mão e à espera para ser o primeiro a passar o túnel.

contra a amnésia


«Era uma vez um país
onde entre o mar e a guerra
vivia o mais infeliz
dos povos à beira-terra.

Era uma vez um país
de tal maneira explorado
pelos consórcios fabris
pelo mando acumulado
pelas ideias nazis
pelo dinheiro estragado
pelo dobrar da cerviz
pelo trabalho amarrado
que até hoje já se diz
que nos tempo do passado
se chamava esse país
Portugal suicidado.

Foi então que Abril abriu
as portas da claridade
e a nossa gente invadiu
a sua própria cidade.

Disse a primeira palavra
na madrugada serena
um poeta que cantava
o povo é quem mais ordena.

Foi esta força viril
de antes de quebrar que torcer
que em vinte e cinco de Abril
fez Portugal renascer.

E em Lisboa capital
dos novos mestres de Aviz
o povo de Portugal
deu o poder a quem quis.»


[Ary dos Santos, 1975, versão incompleta]


versão completa aqui:

grândola vila morena aqui:

terça-feira, abril 24, 2007

quando o humor negro se alia à teoria da conspiração

aquilo do eusébio é um resfriado. e um golpe publicitário do hospital do bes.
algo do género: quem sabe, sabe. e o eusébio é que sabe.

segunda-feira, abril 23, 2007

dia pessoal do livro

"Na melhor das hipóteses, pensam estoicamente: Sim, eu compreendo que mais tarde ou mais cedo vou renunciar ao sexo neste casasmento, mas será a fim de ter outras coisas mais valiosas. Mas compreenderão aquilo de que estão a abdicar? Ser casto, viver sem sexo... bem, como encararaõ as derrotas, os compromissos, as frustrações? Ganhando mais dinheiro, ganhando todo o dinheiro que puderem? Fazendo todos os filhos que puderem? É uma ajuda, mas não é a mesma coisa. Porque a outra coisa se baseia no seu ser físico, na carne que nasce e na carne que morre. Porque só quando fodemos é que tudo aquilo de que não gostamos na vida e tudo aquilo que nela nos derrota é puramente, ainda que momentaneamente, vingado. Só então estamos mais limpamente vivos e somos mais limpamente nós mesmos. A corrupção não é o sexo, a corrupção é o resto. O sexo não é apenas fricção e divertimento superficial. O sexo é também vingança contra a morte. Não esqueçam a morte. Não a esqueçam nunca. Sim, o sexo também é limitado no seu poder. Eu sei muito bem a que ponto é limitado. Mas, digam-me, há algum poder maior?"
[Philip Roth, O Animal Moribundo. p. 63]

diz o roto ao nu

"há quem não entenda quando deve ficar calado."

josé manuel fernandes, publico 23/04/07

23 de abril, e mais...

que livro conhecerão as malfadadas gentes de darfur? que comemorarão os milhões se não a universalidade de um livro que não queremos ler? aqueles que mal soletram sobrevivência, à força de dias de fome, tarde de sangue e noites de frio? quem escreverá o livro que lhes leve as letras da palavra vida de volta?

mas que digo eu? darfur? esqueçam lá isso. não se passa lá nada.

23 de abril

mundial, como se fosse os analfabetos forçados e por opção de portugal não fossem suficientes para mostrar que nem chega a nacional, este triste dia.

do livro, como se não fosse preciso especificar. como se páginas de lixo editado também o fossem. como se houvesse uma letra sequer a ser celebrada em imbecilidades, essas sim universais, estampadas nos rostos de principezinhos e margaridas rebelos pintos.

e como se a Tia Amélia, que assina de cruz trémula e só sabe juntar as letras do banco, lhe importasse celebrar outro dia igual aos outros. hoje, que nem sequer houve missa e o Tio Zé está quase a querer o jantar quente. que de Camões só conhece a vista vazada.
ensine-se a Tia Amélia a ler além da programação da Maria, que é para ver a que horas é a novela da sic. explique-se às crianças a diferença entre escrita e literatura, entre vistas e leitura, entre bonecos e banda desenhada. e depois sim, celebrem-se as boas leituras e os bons livros.

que livros há muitos. e a maior parte deles não merecem ser lidos. muito menos celebrados por dá cá palha.

breves notas de um fim de semana quase irrelevante

- o d. sebastião do caldas.
- o sarkozy.
- nem um filme (por enquanto, espera-se) visto no indie.
- os outros também ganharam.
- o ex-futuro presidente da república continua a discorrer prosa sabichona antes do gato fedorento.

sexta-feira, abril 20, 2007

breve história de um homem qualquer

tinha muito amor para dar. mas guardava-o todo no bolso. junto com uma moeda de 50 cêntimos.
um dia, o bolso rasgou-se e perdeu-o para sempre.
ao menos ouviu a moeda cair no chão e foi tomar um café.

breve história de alguém que

nunca tinha tempo para nada. morreu à pressa.

my neighborhood is a strange place (2)

descubro hoje que ao lado da frutaria fernando santos (juro) está a pastelaria 11 de setembro (juro).

my neighborhood is a strange place (1)

acabo de tomar café com um gajo - termo técnico: artola - que tem a certeza que o treinador do benfica na próxima época é o eriksson.

circadianos

anseio pelo dia em que a noite não acabe. (não metaforicamente falando)

amén

sou uma espécie de ateu praticante. mantenho-me fiel ao ritual de nunca ir à missa.

mala educación

o maestro joaquin sabina, aqui há uns meses no programa do maradona.

maradona: a tua educação fez-te rebelde?
sabina: sim, porque estive num colégio de padres. e depois fui à tropa.

busca ofuscada

estranho mundo este em que todos procuram um lugar ao sol quando na maior parte das vezes se está melhor à sombra.

quinta-feira, abril 19, 2007

messidona

já variadíssimas vezes me tem apetecido explicar as razões do cristiano ronaldo não ser o melhor jogador do mundo (uma barbaridade assaz frequente, principalmente na boca de jornalistas que nunca foram à bola). nunca o fiz. mas também não o vou fazer. enjoy it.
[o sacana do vídeo is no longer available]

simplex

pedir transferência
ou ter equivalência
na independente
fazer uma cadeira
sem ninguém à sua frente

ter um professor
sempre à sua disposição
ou então um reitor
a estender-lhe uma mão

fazer um telefonema
e ter um diploma
em papel timbrado
não é problema
é esse o nosso lema

rabiscar três folhas
e não há mais porquês
assinar governo
é um quinze a inglês


dizer que é engenheiro
e pensar que é importante
é fácil
é como encontrar um trevo
na tromba de um elefante

quarta-feira, abril 18, 2007

el gol de abreu

o equivalente argentino do nuno gomes
sugestão: som no máximo.

revelações bombásticas na conferência de imprensa

não sei se houve novas provas, não sei se houve novos boatos, não sei se houve desculpas, explicações ou ataques pessoais e/ou institucionais. resumindo, não sei nada.
mas o senhor que falou disse sempre: mil nove e noventa e seis.

o chefe de culinária enquanto escritor

o seu sonho era servir um bom naco de prosa.

frases desfeitas #17

enquanto o vinagre estraga a molho.

momento de partilha

aconteceu-me algo que não vos digo nem vos conto. e não vos digo nem vos conto.

bowling for columbófilos

se calhar não é assim tão mau ser estudante da independente.

"miserável e maravilhoso"

a propósito deste post do rui miguel brás, lembrei-me desta frase (muito cara a um amigo que deve largos meses à escrita online):

[um cigarro] "(...) contra o aborrecimento, o medo, o frio, o calor, contra a disciplina, a injustiça, a ira, a solidão e a timidez; bom para esquecer, festejar, pensar ou não pensar em nada; bom para afastar o próximo e para dele nos aproximarmos; fonte inspiradora e criativa(...)"

segunda-feira, abril 16, 2007

(waiting for) better days

"every fool's got a reason to feel sorry for himself
and turn his heart to stone
tonight this fool's halfway to heaven and just a mile out of hell
and i fell i'm coming home."
[Bruce Springsteen]

promoções

passo os dias a pensar num post cheio de palavras caras. mas no fundo não passo de um fala-barato.

o fim

e-mail amigo avisa-me que o seu blog vai fechar as portas. fico a pensar nisso. e posso dizer que quando este blog fechar as portas, eu entro pela janela.

correcção

quatro ou cinco posts lá para baixo, refiro-me inconscientemente ao iefp como aquela merda toda.
agora, já mais calmo e à luz da razão, posso assegurar-vos que é o termo técnico.

quinta-feira, abril 12, 2007

UJam - Make Poverty History Concert

U2 e Pearl Jam, numa espécie de Rocking in the Free World.

frases desfeitas #16

mais vale tarte do que fruta.

a minha vida em 3 P's

palhaço, pateta, parolo.

de volta ao que realmente interessa

é melhor meia linha deste blogue do que mil posts sobre o sócrates.

instituto do desemprego e deformação profissional

há quase dois anos inscrito no centro de emprego (de coimbra, à época), os competentíssimos senhores que por lá andam comunicaram três vezes com este humilde escravo do trabalho. a primeira por carta, em convocatória para uma reunião para elaboração do plano pessoal de emprego ou coisa que o valha. a segunda, também via ctt, a anunciar que a minha inscrição tinha sido anulada por falta de comparência à dita reunião.

só que por acaso eu não tinha faltado ao profícuo encontro, mas o papelinho com a convocatória que tinha entregue na chegada à senhora do guichet nº3 ter-se-ia extraviado. enfim, pormenores.
actas das reuniões? modernices. assinatura de uma folha de presenças? falsificável. um aviso prévio a expôr a alegada irregularidade? ná, a senhora do guichet nº3 não se engana. a minha palavra a explicar tintim par tintim a reunião? hum, podia ter lá um amigo que me tivesse contado. arruma-se é já com este gajo que é para ele não ser parvo e a nossa competência ser glorificada pela diminuição do número de desempregados inscritos.
ao fim de semanas de violência verbal a roçar a física e ameaças por escrito (para lisboa, úúú... que lisboa lhes mete medo) de processar aquela merda toda lá perceberam que eu não estava a gozar. e afinal continuava inscrito. (oh, glory!)

um ano e meio depois, abro incauto o e-mail. e entre os aumentadores penianos, o IEFP como remetente de uma mensagem na inbox (olha, o simplex!). diligentemente me comunicam que devido às novas oportunidades a judite de sousa não atende atrás de um balcão, e eu posso finalmente concluir o secundário.

muito muito obrigado.

quarta-feira, abril 11, 2007

sócrates made in bollywood

tinha prometido a mim mesmo não voltar ao tema. mas se há uma metáfora para a minha vida é fazer coisas que tinha prometido a mim mesmo não fazer. assim como aqueles gajos do fim dos maias, que prometem nunca mais correr para o autocarro e mais não sei o quê e acabam a correr para o autocarro e mais não sei o quê. enfim, é uma questão de hábito.

ora aí vou eu.

tens toda a razão. também eu não quero que o primeiro-ministro do meu país seja desonesto. embora me pareça pouco provável que venhamos a ter um primeiro ministro que não seja desonesto, isso não é desculpa para que não continue(mo)s a não querer um primeiro-ministro desonesto.

mas a desonestidade do homem foi dizer que era engenheiro quando ainda não o era, como se isso fosse razão para se vangloriar. não sabemos por que razão mentiu. aposto na vergonha. e aí vem a parte triste. pelos vistos duas ou três letras antes do nome ganham mais respeito do que duas ou três vidas cheias de trabalho.

a vergonha? escudada num provincianismo bacoco de quem estudou em coimbra e não se fez lá doutor. mais triste que a vergonha é a necessidade da vergonha. claro que a desculpa das 21h em directo vai ser outra. foram lapsos, não tenho qualquer responsabilidade, é uma campanha contra mim, quando me apercebi retirei essa informação do curriculum. enfim, ópio pró povo.


quanto às trapalhadas do diploma/ não diploma, equivalência/ não equivalência, assinaturas ao domingo e a pedido, cheira-me a lobby bafiento. quantos diplomas desses haverá? se sócrates cair, não cai sozinho. há muito interesse em branquear a situação, essa sim, digna de investigação.

nunca saberemos se o bacharel josé sócrates teria tido maioria absoluta. quero acreditar que sim. as eleições foram no século xxi, c'um caramba.
que o engenheiro caia de podre, mas que o primeiro-ministro caia (e vai cair) por razões políticas.

os jornalistas? uma cambada. excepção feita aos que se estão nas tintas. não há maneira profissional de abordar o tema. este assunto é um não-assunto.

PS: é sempre um gosto ler a tua admirável ironia.

mohammed ali

a celebrar o dia mundial da doença de parkinson, o algarve tremeu.

shizgud

com a devida vénia de agradecimento, a barra lateral tem músicágain.

pausa no tom auto-destrutivo

não penso ser importante escrever, ler, ouvir ou falar sobre a licenciatura do sócrates simplesmente porque não penso ser importante escrever, ler, ouvir ou falar sobre a licenciatura do sócrates. o país (ah, o país), esse valor mais alto para muitos e poucochinho para mim - mas isto fica para outro dia - tem coisas mais importantes com que se preocupar. lugar comum. como todos os lugares comuns, certo a maior parte das vezes. o país precisa é que o benfica ganhe o campeonato, que o josé manuel fernandes fique desempregado, que o valentim seja preso e que os pólo norte se calem. e depois, embora menos importante, que o governo governe.

todos sabemos que o título académico não interessa para nada. mas fingimos que é muito importante. sabem-no os políticos, que o são independentemente do título académico. melhor do que os políticos sabem-no os detentores de uma carreira académica. os títulos académicos vão subindo em inutilidade ao longo da carreira. uns afortunados atingem o limiar da inutilidade com a cátedra. divago. volto ao tema. ah, o sócrates.

em dois pontos:
1. a campanha sobre o diploma é miserável.
2. falta aos patetas da engenharia o que sobra a sócrates em engenho.

este post inteiro é uma desculpa para linkar um excelente texto sobre o assunto.
tivera o tomás caixa de comentários e assinava por baixo. (sim, também votei no sócrates).


em conclusão:
interessa-me um caralho se o sócrates é engenheiro? interessa-me. um caralho.
interessa-me se o sócrates é bom primeiro-ministro? interessa-me. não porque seja o primeiro-ministro de portugal mas porque votei nele. e não me apetecia nada arrepender já. é inevitável que isso venha a acontecer, mas por mim posso esperar.

isto tudo para dizer o quê?
que o guterres era um engenheiro de excepção.

i rest my case.

terça-feira, abril 10, 2007

o meu cérebro não hibernou (linkar o azia), mas está em serviços mínimos

mantenho apenas as sinapses estritamente necessárias para me afastar dos carros que passam na estrada e para não me esquecer da password do blogger.

disclaimer

eu até vinha aqui só espetar um vídeo de uma excelência performativa sem igual, mas entretanto soube que os delfins (perdão) têm uma nova música (digamos assim) e isto descambou.

dúvidas desistenciais

às vezes interrogo-me como seria a minha vida se não tivesse nascido.

obviamente, desisto-me.

a minha vida em 3D's

deprimido, depressivo, deprimente.

a culpa obviamente é do lucílio baptista

na minha rua há uma frutaria chamada fernando santos (juro). à entrada da frutaria fernando santos há uma grande placa de plástico que anuncia(va) a frutaria fernando santos (juro). desde ontem que a placa foi violada e limita-se a dizer: frutaria f (juro).

mal a letargia me permita dar mais do que dois passos seguidos, uma foto o atestará. a cores e tudo.

um gajo percebe que é idiota

qaundo perde cerca de duas horas a tentar espetar uma música neste triste antro.
desisto.

inscrição tumular

não conseguia adormecer. nunca dormia. um dia adormeceu. morreu durante o sono. (e acordou morto.)

o idiota

perguntaram-lhe qual era o seu ideal de mulher. mas ele não fazia idéia.

segunda-feira, abril 09, 2007

este nem com 3 diplomas se safa

encerramento compulsivo era o que deviam fazer ao fernando santos.

a posta da época

não como carne. mas o bacalhau foi pascoal.

sexta-feira, abril 06, 2007

santa páscoa (2)

David Bowie with Arcade Fire - Five Years.

quinta-feira, abril 05, 2007

santa páscoa

PNR versão fedorenta


diz que está lá no Marquês, ao lado do outro sem piada.

quarta-feira, abril 04, 2007

o chefe de culinária enquanto artista

o seu sonho era fritar um quadro a óleo.

leaving on a jetplane

as relações são como uma viagem de avião.

o bilhete é caro. os voos low-cost não garantem a mesma qualidade. após o check-in há um tempo de espera absurdamente longo até começar a parte divertida. na partida, há uma mistura de sensações de insegurança e excitação inicial. quando finalmente se atinge a altura máxima o mundo parece maravilhoso visto dali. passado um tempo, torna-se tudo mais monótono e só uns poços de ar e a sensação de perigo associada apimentam a coisa. no final, o tédio instala-se e é uma questão de esperar pacientemente pelo fim. à saída, vamos para a zona do nada a declarar (um ao outro). invariavelmente, há bagagem extraviada.

o canudo do sócras

quem é que explica ao josé manuel fernandes que não ser licenciado ou ter um curso da independente é... não há maneira simpática de o dizer... indiferente.

terça-feira, abril 03, 2007

lost in time #9

[Marisa Monte, Coliseu dos Recreios, 9 Set 2006]

breve história de um homem cansado

esperava que a morte chegasse. morreu à espera.

ai ai

dói o dói-dói.

segunda-feira, abril 02, 2007

ponha a língua de fora e diga: aaaaahh

um médico, um advogado, um canalizador ou um mecânico...

"Quando usufrui dos serviços de uma "Dama de Companhia" é como quando usufrui dos serviços de um outro qualquer profissional, um médico, um advogado, um canalizador ou um mecânico.
Voçê esta a pagar por um serviço!!! Não importa que tipo de serviço está a contratar!
Quando voçê é amável com essa pessoa, a qualidade do serviço prestado vai ser melhor do que quando voçê não é simpatico.
Deve-se tratar uma dama de companhia como se trataria um médico, um mecânico ou qualquer outro profissional ao longo da vida, se voçê trata bem a "Dama" ela irá tratá-lo como um cliente valioso e poderá até ser sua amiga!
Ela vai gostar que a contrate novamente como qualquer outro profissional ela gosta que os bons clientes voltem novamente."

breve história de um canibal

mandaram prendê-lo. e ele foi para a cadeia alimentar.

frases desfeitas #15

abril, mágoas mil.

suicídio

"se decidisses suicidar-te, vinhas trabalhar nesse dia?"
[Grissom, algures na 1ª série do CSI]

sexta-feira, março 30, 2007

9 segundos (ou 100m para o obikwelu)

karate kid 4

quinta-feira, março 29, 2007

mudam-se os tempos...

três dias depois da vitória de salazar, no dia em que há jogo da selecção nacional, a televisão do serviço público ocupa largas horas da sua emissão a comemorar o centenário da irmã lúcia em directo do santuário.

e povo cá continua, carregando alegremente o nosso fardo, futebol e fátima.

quarta-feira, março 28, 2007

nenhum dos três "efes" era de foder

Salazar tinha aquele ar distante e austero que têm todas as pessoas com uma vida sexual miserável.

super blogue

terça-feira, março 27, 2007

breve história de um náufrago

passou a vida a ver passar navios. morreu afogado.

breve história de um homem médio

passou a vida a lutar contra o assédio. morreu de tédio.

breve história de um homem ausente

nascera por acidente. morreu atropelado.

cara de boi

tinha cornos, fazia mú e ruminava. mas nunca tinha olhado para um palácio.

imbecilidades

aos 18 tornou-se adulto. aos 28, adúltero.

assim não conta

no exame de matemática, fez de conta que sabia fazer as contas.

sinal otário

ao terceiro sinal serão horas de fugir daqui.

implicado

ele nunca lhe explica nada. e isso implica grandes complicações.

capuccino vermelho

era uma vez uma chavena com café, leite, natas e ketchup por cima.

segunda-feira, março 26, 2007

sobre aquilo lá da maria elisa e do salazar

Uma grande vitória do Portugal jovem, moderno e inteligente sobre o Portugal retrogrado, mesquinho e tacanho. E a derradeira prova dessa vitória foi a ausência de concorrência o carácter absolutista da expressão dos votos. Não posso sentir mais orgulho por pertencer a um Portugal jovem e moderno que inteligentemente se esteve nas tintas para um concurso idiota e imbecil.

sexta-feira, março 23, 2007

fráguas

não sou particular apreciador, mas disponho-me desde já a ingerir elevadíssimas quantidades de bohemias se com isso evitar concertos do luis represas.

quinta-feira, março 22, 2007

around the world

ao almoço comi uma francesinha
ao lanche, bolo inglês e uma italiana
durante a viagem comi só um pacote de belgas
mas jantei à grande e à francesa
num irish pub fui agredido com uma chave inglesa
ao serão joguei à sueca
com um gajo que usava canadianas
antes de ir para a cama li um livro do capitão américa
(por razões de decoro não vou referir a espanholada)

ubiquidade

motivos científicos de força maior (75€ previamente desembolsados) trazem-me ao porto durante três dias.
o grandioso torneio de ténis de mesa do ineti que se inicia hoje perde assim o seu campeão antecipado.

quarta-feira, março 21, 2007

ausência

um dos chavões das ciências forenses quer-nos convencer de que:
"a ausência da evidência não é a evidência da ausência".
no entanto, a tua ausência é tão evidente que é evidente que estás ausente.

terça-feira, março 20, 2007

ao sétimo dia

deus descansou. o diabo não.

dúvida de um gajo que só gosta de tinto e cerveja

porquê beber whiskey com gelo e não meter a garrafa no frigorífico?

o poeta

quando lhe faltou a inspiração, morreu sufocado.

o solitário

escrevia cartas de amor a si próprio. mas faltava-lhe a coragem para as ler.

na esperança de ouvir um obrigado

no fim de cada separação, pedia a factura.

o último comunista

farto de esperar, pegou no martelo e foice.

3 dias depois

e ainda não vi o golo do tello.

ando há dois dias a tentar um trocadilho com aquilo

mas só me apetece dizer que houve ali umas directas extraordinárias.

e que vou votar em óbidos nas maravilhas de portugal.

segunda-feira, março 19, 2007

perfeito perfeito ©

era ter álcool e ser sagres.

hoje é dia do pai

pôr dinheiro na conta.

cu-cu

moral desta pequena história:

mete-se o cu no assento mas não se mete o acento no cu.

quinta-feira, março 15, 2007

antropologia forense

Don’t you wanna come with me?
Don’t you wanna feel my bones
on your bones?
(The Killers)

quarta-feira, março 14, 2007

a gente

pensa que diz certo mas certamente
está errado ou então somente
não diz a verdade acertadamente
e fica p'ra ali, ao pé da gente.

calado, como um rato ele come rata
diz que é bom e não se farta
enfartada fica a gente
farta de ser diligente
por entre as falas do contente
porque quem cala consente.

e depois vem a vergonha
esconde-se atrás da gente
à espera que o sol se ponha
ou então que mude a corrente.

tu-tu-tu, queixa-se sempre o tatu
eu não quero fazer isso fá-lo tu
ou deixa pro teu filho qué moço rijo
que eu cá já não m'aflijo.

e se morrer morro contente
e se for volto certamente
nem que seja só p'ra dar
mais pontapés no cu da gente.

sob, o efeito, de,

pega no estantarte, está ali atrás da estante, vem ver arte, faz-te importante, parte e reparte, não fiques à parte, não sejas parvo, come o pargo, e o espadarte, com esparguete, mais a omelete, que fez a ti suzete, que é bem boa, e lê pessoa, mais o eça, vamos nessa, bem depressa, come e cala, que até estrala, estrala o ovo, faz-te novo, e delirante, pois portante, bamo lá, dá-me a pá, cava a cova, dá-me a escova, parte um dente, passa o pente, impotente, ai dói tanto, o entretanto, fica à espera, da galera, vem com pressa, o coveiro, quer fazer o seu trabalho, chega antes, do padeiro, paneleiro, era óbvio, um caralho, não vou pôr, o sol na eira, brincadeira, o cavalo, de madeira, foi a tróia, ganda nóia©, o jibóia, não tá bo(i)a, a girafa, de foz côa, faz óó, ao relento, realmento, não há medo, nem tens cú, gabiru, quem és tu, se não sabes, imaginas, as vaginas, purpurinas, das meninas, dos teus olhos, tens aos molhos, alecrim, por que choras, já são horas, oito e tal, é carnaval, não jaz mal, mas faz malvas, e ressalvas, esquece a vírgula não te salvas, não te safas, tás cansado, acossado, preocupado, ai dói tanto, outra vez, então não vês, que a cerveja, teve inveja, foi a beja, não voltou, nem ficou, ninguém sabe, não te babes, vê as babes, vê se bebes, e engoles, chuta à baliza, mete uns goles, se já está lisa, não enroles, não duvides, das pevides, melancia, dá o baço e a bacia, eu sabia, bem dizia, porcaria, cheiras mal, nem tens faro, eu reparo, está estragado, este gado, sé é bovino, ou menino, tanto faz, não faz nada, compra tudo, o dinheiro, paneleiro, p'rós coçar, dia inteiro, na retoma, ora toma, vai p'ra casa, fica em coma, (fim),

terça-feira, março 13, 2007

deve ser da TLEBS

a bebé raptada há um ano apareceu? apareceu. ainda é filha da mesma mãe? é. o director do hospital de penafiel local do crime deu uma conferência de imprensa? deu. e como é que o repórter da rtp enviado ao local a resumiu? assim:

"o director do hospital de penafiel disse muita coisa mas pode-se resumir numa palavra: emoção, alegria, satisfação. foram estes os adjectivos utilizados para exprimir o que sentia."

assim, sim.

microshit

o maricas do meu computador fez uma actualização não sei de quê e agora sempre que o inicio diz-me que posso estar a ser alvo de pirataria porque a minha versão do windows não é uma cópia genuína.

além do transtorno que constitui fechar 3 ou 4 janelas de avisos antes de poder começar a jogar solitário spider, acho a brincadeira um ataque insultuoso, pessoal e até à minha pessoa. a minha cópia do windows é completamente genuína. até porque fui eu que a copiei. palhaço.

preconceitos

eu sou é contra o sexo depois do casamento. quer dizer, não sou bem contra. mas um gajo come tanto que depois enjoa.

domingo, março 11, 2007

agora é que há mesmo dois tipos de pessoas

os que preferem putas e vinho verde. e os que se contentam com strippers e champanhe.

[adenda à atenção dos senhores doutores sociólogos: é esta a grande diferença entre litoral e interior, ruralidade e urbe, província e metrópole, and so on. e uma excelente tese de doutoramento, quer-me parecer.]

jazz again

estava às portas da morte. tocou. mas a morte não abriu.
amanhã tenta outra vez. mesmo sabendo que amanhã pode ser tarde demais.

aqui jazz

antes de se deitar confortavelmente no caixão que lhe havia sido destinado, repetiu pela última vez a sua frase preferida.
"vou-me embora que a minha vida não é isto."