sexta-feira, agosto 24, 2007

nem preciso de saber nada de especial. qualquer coisa chega. não quero saber se vou ser feliz. basta que me digas se vou perder o autocarro.

não quero que me contes como foi a tua vida, em que escola andaste, com que livros cresceste, que músicas dançaste, com que filmes choraste. nem o que comeste ontem, e muito menos os nomes que amaste. a não ser que me saibas dizer alguma coisa do futuro, mais vale estares calada.

hã?

a frase: não há regra sem excepção é uma regra ou uma excepção?

surpreende-me que ainda me surpreenda a força com que chega o arrependimento. e a forma arrebatadora com que nos corrói por dentro. é sempre assim, devastador. uma e outra vez, a fazer-nos disparar promessas de não voltar a fazer isto ou aquilo. nem sei por que ainda me surpreende cada vez que chega, mas desconfio que seja por durar tão pouco.

aviso 3

this side up

aviso 2

caution: fragile

aviso 1

atenção: coração com perímetro de segurança.

toxicóide

o traço mais relevante da sua personalidade era um traço de coca.

queria ter um blogue colectivo só para mim.

quinta-feira, agosto 23, 2007

terça-feira, agosto 21, 2007

o chefe de culinária míope

estava com problemas de vista. o médico aconselhou-lhe uma dieta rica em fibras ópticas.

isto é capaz de resultar

hum, tens cara de inês. mas cu de sónia.

posso dizê-lo sem preconceitos

comida vegetariana é boa. para acompanhar um bife.

são boatos, sr ministro

se aquilo dos milheirais fosse malta do BE tinham só sacado as folhas para fumar.

segunda-feira, agosto 20, 2007


que saudades da vera roquette.

entretanto, no serviço público

o daniel oliveira (o outro, o da tv. o netinho que a minha avó queria ter*) entrevista o toy, a ágata e o miguel & andré. em simultâneo. mute.


* eu também gostava que o daniel oliveira fosse neto da minha avó. para lhe poder dar porrada e depois dizer que eram coisas de primos.

ah, obviamente tenho uma teoria sobre o que aconteceu à maddie. e piadas sobre o assunto, mas isso não se diz.

o drama, a tragédia, o espectáculo.

e agora a filha do ferro rodrigues acaba de acrescentar que "o desaparecimento da pequena maddie é um drama que o país não pode deixar de acompanhar." logo seguido (mesmo logo seguido, quase sem vírgulas) de: "vamos dar 28.500 € no jogo do dómino, coisa extraordinária!!"

acabo de ouvir na sic, em directo da porta da polícia judiciária de portimão, que "hoje há alguma falta de notícias".

domingo, agosto 19, 2007

é engraçado conhecer brasileiros em portugal e ouvi-los dizer que estão de férias na europa. não sei se é apenas um distanciamento geográfico ou a força das raízes culturais árabes, mas pensar em portugal como europa dá-me vontade de rir. perguntam-me então onde começa a europa para mim. não sei responder. penso em barcelona. ou dos pirinéus para cima. mas não sei responder. sei que a europa também não começa em huelva. mas ao menos enche-se um depósito por 37€.

e se não houvesse amanhã?

já se sabia na austrália.

ser-se banal é isto

este é só mais um post sem vírgulas.

corro o risco de me tornar repetitivo. mas corro o risco de me tornar repetitivo. e corro o risco de me tornar repetitivo.

mensagem rapidinha aos criativos publicitários da super bock

eram vocês que tinham o slogan: uma super nunca há-de ser mini,

não eram?

e por que não

chegar ao cherne da questão?

como te sentes hoje?

como naquele dia em que nos cruzámos e nem sequer me viste. lembras-te?

revisão

em menos de um mês conduzi 4000 km. numa espécie de cá para lá, sem ir nunca muito longe. normalmente porque dou mais importância às pessoas do que aos sítios. mas agora que percebo que poderia ter percorrido meia europa no mesmo tempo, se calhar é tempo de rever as minhas prioridades.

higienização

não sei porquê mas não consigo responder aos comentários (nem deixar comentários noutros blogues). mas desconfio que a asae passou por aqui.

mas tenho amor prá troca.

sou um gajo sem idiossincrasias.

segunda-feira, agosto 13, 2007


¿Qué queréis?, aprendí a malvivir del cuento
pintando autorretratos al portador,
si faltan emociones me las invento,
la madrugada no tiene corazón.
(...)


joaquín sabina, vamonos pa'l sur

a paixão, segundo s. nicolau da guitarra eléctrica

não se ama alguém que não é da mesma rede de telemóvel.

domingo, agosto 12, 2007

editar, seleccionar tudo e salvar como

e os anarcas, deixam o texto desalinhado?

o blogger sugere como marcador (parece que antes de aprender português o blogger lhe chamava label) para esta postagem, entre outros, patinetes. acho que patinetes definiria na perfeição o que tento dizer, mas vou resistir ao apelo. por uma questão de estilo.

resumindo

só há uma coisa melhor do que carapaus alimados: cavalas alimadas.

tudo mudou, ou seja, está tudo na mesma.

uma semana. há quem lhe chame férias. no meu caso é apenas procrastinação.

enfim, nada que não se resolva com duas ou cinco minis.

como diziam os do big brother, o tempo aqui é diferente do tempo lá fora. uma semana sem ler blogues (qualquer coisa parecida com um internamento compulsivo para desintoxicação) parece-me agora uma eternidade que me passou ao lado. como disse alguém que não me lembro sobre algo que já não recordo: é como entrar sóbrio numa festa de bêbedos.

uma semana desligado do mundo. não sei o que se passou, não sei onde começo nem onde acabei. algures no caminho. de volta. o inadiado regresso ao dia, adia. uma e outra vez.

hey hey

ainda está aqui alguém?

domingo, agosto 05, 2007

o meu cérebro já me vinha avisando disto há algum tempo

eu bem dizia que o meu cérebro me avisara

há uns posts abaixo, escrevi corrigo em vez de corrijo. mas não me apetece ir corrijir.

sábado, agosto 04, 2007

até já

I will come to you at nightime
I will climb into your bed
I will kiss you in 155 places
As I go swim around in your head
(...)
And we may never forget it
As I make you call my name
as you shout it to the blue, summer sky
(...)
And we may never meet again
So shed your skin lets get started
And you will throw your arms around me
...
Throw your arms around me

com cartão jovem

são dois bilhetes para a felicidade, se faz favor.

O problema da amizade é que somos homens.

a minha proposta de receita para este Verão

quinta-feira, agosto 02, 2007

com um dia de atraso, porque ele já começou.

viva o mês da migração sazonal rumo ao sul, da época oficial da caça à conquilha, viva o escaldão e que se foda a melanina, viva o cheiro a sardinha assada na camisa aberta, o cão na praia e o cheiro a gasóleo da mota de água, viva o sol ao pôr e ao nascer, viva o entretanto entre tantas minis frescas, viva a festa e siga o baile, viva hoje e amanhã viva a ressaca, viva a barriga cheia e a maré vazia, viva o carro parado e o carapau alimado, que se foda o mcdonald's e o taiti, viva a praia, a areia na virilha e vivó bikini.



e viva (salvo seja) o grande dino meira

terça-feira, julho 31, 2007



[lıʌıɔ oʇsıƃǝɹ ou opɐqnoɹ ǝ oʇɹǝqoɔsǝp]

o perigoso jogo da sedução

Via bbba, chego a um pedido de ajuda da Pitucha. A Pitucha quer dicas sobre a arte da sedução. É urgente. Corrigo, era urgente às 9:10 am (hora que deduzo ser de Bruxelas, devido a um raciocínio brilhante que envolve o título do blogue da Pitucha e a indicação de localização da própria. Enfim, coisas ao alcance de uns poucos predestinados) da manhã de dia 30. Segunda-feira, portanto. São neste momento 2:12 am, hora de Lisboa - menos uma hora nos Açores - de dia 31, pelo que deduzo ter chegado tarde. Quer dizer, neste preciso momento já não são 2:12 am, visto que eu já acabei de escrever o post e tu já o estás a ler, mas terás que fazer fé no que eu te digo e confiar que escrevo a presente missiva às 2:12 am. Ou talvez às 2:13 am, visto que me estou a alongar sem dizer absolutamente nada de novo ou relevante. O que, não deixando de ser uma arte e, portanto, nobre, cumpre o imoral paradoxo de me aproximar, em tese, de um político. Nojo esse que preferia não estar a vivenciar neste preciso momento em que por acaso talvez já sejam 2:14 am. Adiante. Não obstante o suprareferido, teria sido de qualquer modo indiferente correr a tempo em auxílio da Pitucha. Nada do que eu possa aqui dizer dizer sobre sedução, arte que, manifestamente, não domino em termos práticos, se revelará útil para a Pitucha. O que torna pouco lamentável não ter reagido com a urgência que o caso, ou melhor, a própria, pedia. No entanto, e por pura irresponsabilidade, infantilidade, falta de objectivos na vida, e acima de tudo porque a cerveja só vai a meio, continuo. E, se me permitem, inclusivamente prossigo. A minha relação com a sedução é uma relação de puro medo. Tenho medo da sedução. Nem inveja, muito menos indiferença, nem tão pouco respeito. Medo. Porquê? Porque a sedução é um fardo, que pesa sobre os ombros (levar ao colo faria mal à coluna) de uma camada da sociedade a que orgulhosamente pertenco, e a qual, carinhosamente, gosto de apelidar de: "malta que se senta num sítio e bebe uns copos e se está a cagar para a sedução". Ora, sucede que a sociedade impõe regras e condutas, desde o elementar "agitar antes de abrir" até à obrigatoriedade de sedução da malta que bebe uns copos, passando pela condenação moral e psíquica de quem, propositadamente, troca a ordem aos canais que a sintonização automática programara, colocando a tvi como 1, a rtp1 como 2, a rtp2 como 3, a sic como 5. O 4 fica com aquela chuvinha para enganar e dizer que não vejo a sic todos os dias a partir das 14h, em que pasta e muge um gajo careca apoiante do Isaltino Morais e a filha daquele ex-ministro, ex-secretário geral do ps, ex-futuro primeiro ministro, ex-cagando para o segredo de justiça. E nesta cruzada castradora das liberdades individuais, a sociedade leva a mal que haja quem se esteja a cagar para a sedução. É ofensivo para os bons costumes que um gajo queira simplesmente beber. Mas, e se é verdade que um gajo nunca quer só só simplesmente beber, a esparrela da sedução torna-se, ainda que inconscientemente, a muitos títulos, inevitável. E a tentaçao do perigoso jogo da sedução adensa-se dentro da cabeça como a irritante música do Mika, de cuja letra ninguém conhece o sentido, mas o caralho do ritmo fica ainda antes da primeira vez que o ouvimos. E esse ritmo da música do Mika, não é mais senão a sociedade a sussurar-nos: joga o jogo da sedução, olha a sedução, ai a sedução, é tão bom a sedução. Está bem que seja bom, mas eu tenho medo. É bom como jogar xadrez, mas eu só sei jogar damas. Não sei jogar xadrez, logo, especializei-me nas damas. Damas é um jogo mais básico. Não mete medo a ninguém. O xadrez requer muitos raciocínios cruzados, assim como a sedução. Antecipar jogadas do adversário, ultrapassar a barreira de peões, comer a rainha e fazer xeque-mate. Tenho medo do xadrez. Não sei jogar o jogo da sedução, logo, especializei-me em beber. E a sociedade reprime de igual modo um gajo que não quer seduzir ou um jogador de damas. Analogamente, idolatra os sedutores como endeusa os jogadores de xadrez. O jogador de damas é extremamente básico demais. É como o gajo que se senta e bebe. O sedutor, foi jogar xadrez e tentar comer a rainha. Quando digo que não quero saber jogar xadrez, o pensamento lógico do meu interlocutor é: pff, não sabes, né? É muito complicado! Quando digo que não quero sedução. Pff, o mesmo. Sempre pressionando, sempre empurrando o incauto alcoólico para as teias da sedução. É aqui que me assalta a maior dose de medo. Não sei jogar, o que é um bom ponto de partida para a derrota. A falta de arte, leva-me a que vá jogar mal. Envergonhado. O resultado mais previsível desdobra-se em dois ou três finais alternativos. a) ela não quer - volto a beber, humilhado. b) ela tem namorado, levo porrada - volto a beber, humilhado. c) até me safo, mas ela tem pila e bigode - volto a beber, humilhado. d) a minha namorada aparece, levo porrada - volto a beber, humilhado.
O resultado final é o equivalente a perder um jogo de xadrez sem ter sequer conseguido comer um peão. Humilhação total de quem não deu luta e sai do jogo sem qualquer dignidade. Daí o meu medo da sedução. Um misto de medo e preguiça. Se não vou comer um único peão para quê jogar zadrez, certo? Mas acima de tudo medo, porque mesmo que a minha namorada não apareça, há sempre no local a amiga de uma amiga de uma amiga de uma colega de uma prima de outra amiga que lhe vai contar, porque as mulheres (todas menos a que leêm este post) são umas vacas e gostam de contar essas merdas umas às outras. E, parecendo que não, ela tem um bíceps que aquilo de mão fechada e força bem aplicada é gajo para magoar.

Pitucha, se me estás a ouvir, acho que divaguei um pouco. Espero ter demonstrado a minha inabilidade para o jogo da sedução, apenas comparável à minha inabilidade para a colocação de vírgulas. Se por acaso está alguém com dúvidas e a pensar "ah, ele está-se a fazer de parvo e tal, seduz quem quer", tenho três - três - coisas a dizer: 1) obviamente, nunca nos cruzámos. 2) em menos de duas passagens de mão direita pelo cabelo consigo imitar os Beatles. E se elas gritavam que nem galinhas nos concertos, parece-me que tenho poucas possibilidades de vir a viver nos anos 60. 3) Se o movimento da mão for no sentido oposto, desde a testa até ao alto do cucuruto - termo técnico - e depois desde a nuca a subir até ao mesmo sítio, sou um Tony Carreira ao espelho. Estamos entendidos? Estou neste nível do jogo da sedução. Mas ainda me dizem: "Oh, João, mas tu até colocas as vírgulas de um modo impecável e irrepreensível!" Pois lá, isso é, verdade,


Então, posto isto, cá vai.
Pitucha, se me estavas a ouvir no parágrafo de cima, deduzo que continues. Como espero estar bem claro, sou a pessoa indicada para falar de sedução. No plano teórico, sou um autêntico Kasparov. E é com muitas das minhas convicções profundamente enraizadas nas próximas linhas que me arrisco a colocar três - ou quatro - situações possíveis de acontecer quando uma mulher seduz um homem:
1) a mulher aparece. já está.
2) se a opção 1 não resultou, esboçar um sorriso. já está.
3) se a opção 2 não resultou, tentar novamente a 1, pode ser que ele já não se lembre de ti. se ainda assim não resultar, o decote. não falha. o decote. e o sorriso. sorriso + decote. já está.
4) o gajo é maricas. ou então sou eu e estou com medo dos biceps da minha namorada.

that's it.
e deixo-vos com uma dica: o sucesso ilusório e o posterior efeito surpresa são tanto maiores quanto maior for o intervalo de canais só com chuvinha até aparecer a sic.
e por incrível que pareça, garanto-vos que já não são 2:12 am.
vírgula.

O Bergman não morreu. Gajos como o Bergman não morrem. Quer dizer, morrer morrem, mas num processo mais lento do que o habitual. O último passo do processo de Morte do Bergman começou hoje (ontem, talvez) mas só acaba quando toda a gente se esquecer que O homem filmou isto:

segunda-feira, julho 30, 2007

Breve nota mental: no dia do Juízo Final, entre Beja e o Inferno, escolher o Inferno. Sempre deve estar mais fresquinho.

frases desfeitas #22

café move montanhas.

sexta-feira, julho 27, 2007

problem gambling

hás-de espadas.

quinta-feira, julho 26, 2007

Futebol (ii)

Acho que o Benfica aumenta as hipóteses de ganhar qualquer coisa esta época. E digo-o sem qualquer ironia. Se quiserem, depois explico.

Se bem que, por outro lado, me parece que o Simão volta em menos de dois anos.

Futebol (i)

o Zéd, d'A Vez do Peão, nomeia Beckham como exemplo de "cepo". O João, da Estação Central, discorda. Eu, como acho o Beckham dos jogadores mais vulgares e sobrevalorizados das últimas décadas, faço minhas as palavras do enorme e saudoso George Best:

"He (Beckham) cannot kick with his left foot, he cannot head a ball, he cannot tackle and he doesn't score many goals. Apart from that he's all right."

Nada a acrescentar.

quarta-feira, julho 25, 2007

preciso de um fio condutor para a minha vida. um fio de prumo. ou o fio da navalha. ou de uma navalha. é isso, tenho que fazer a barba.

terça-feira, julho 24, 2007

taxonomia alternativa

Reino: da Dinamarca
Filo: Sofia
Classe: Quarta
Ordem: no Tribunal
Família: Real
Género: Masculino
Espécie: de Magazine

é quando um homem quiser

olho para o que escrevi em novembro e o conceito de silly season desvanece-se por completo.

sábado, julho 21, 2007

Neste Verão, não abandone o seu blogue.

cantar no duche


Morrisey - the first of the gang to die

eu bem me esforço, mas as minhas mágoas sabem nadar.

a verdadeira amizade

está aqui um amigo que me deixa mentir.

sexta-feira, julho 20, 2007

mas não estou sozinho. a água da torneira cá de casa também é.

sou, portanto, inimputável.

poesia*

É inimputável quem,
em razão de anomalia psíquica,
for incapaz,
no momento da prática do facto,
de avaliar a ilicitude deste
ou de se determinar
de acordo com essa avaliação.

in Código Penal Português, Art. 20.º, nº1. Quarteto Editora.


*ou: usando o blogue como cábula.

quinta-feira, julho 19, 2007

"I don't like the word ironic. I like the word absurdity, and I don't really understand the word 'irony' too much. The irony comes when you try to verbalize the absurd. When irony happens without words, it's much more exalted."

David Lynch


sem estado de alma. sentado, com calma.

Na última página do Público, aquela coluna do ping-pong entre o Rui Tavares e a Helena Matos é, dia sim dia não, do mais interessante que se pode ler no dito pasquim. Hoje é dia não, e como tal, tive que me esforçar. Mas em dois parágrafos seguidos, lê-se duas vezes a palavra proselitismo. Desisti. Volto amanhã.

represento, e há momentos em que até personifico, o auge da justiça social.
eu não trabalho, ninguém me paga.
é isto que me faz acreditar no socialismo.

sentido proibido

ceci n'est pas une pipe

quarta-feira, julho 18, 2007

Carta à Berta*

Ex.mos Srs. do Ministério da Educação
(ou Ex.ma Sra. Ministra, ou Sr. Director do GAVE, quem quiser),

Eu sei que rever as perguntas de um exame é coisa que custa. Requer ler e fixar a atenção durante um período maior do que 5 minutos e, parecendo que não, é capaz de ser chato. Não obstante, venho por este meio colocar-me à disposição de V. Ex.ª para corrigir eventuais erros num futuro exame de Biologia. Fazemos assim: vocês mandam-me isso quando acharem que está pronto, eu releio e aponto eventuais falhas... distracções, perdão. Como estou desempregado, a disponibilidade seria imediata. Eu depois devolvia e mantinha um rigoroso sigilo profissional. A parte melhor: vocês nem tinham que trabalhar. Era só meter uma carta no correio ou - ele há coisas! - podíamos fazer isso por mail, vejam lá. E por uma sandes e duas ou três minis, não passavam por esta vergonha. Hã, era bom negócio, não era?


Do já um bocadinho vosso,

João


* Este título teria funcionado muito melhor se a Sra Ministra da Educação desse pelo nome de Alberta da Conceição Rodrigues (ou mesmo Alberta da Silva). Assim, temos só um título idiota. Enfim, contingências.

terça-feira, julho 17, 2007

bebo y cigala - eu sei que vou te amar

se algum dia me jogarem isto à cara, obviamente vou desmentir

depois da carta contra a guerra no iraque pensava nunca mais ter que utilizar as palavras concordo e saramago na mesma frase, mas a verdade é que
concordo com quase tudo o que o saramago diz na entrevista.

os outros

os outros? os outros são uma parte do que não é nosso. do que não sabemos e do que nunca perguntámos. do que calamos. do que duvidamos. os outros são a outra parte. ou como dizia aquele poeta: que se fodam os outros.

tu és assim (ou vice-versa)

tu és o lado de lá do lado de cá.

eu estou assim (ou vice-versa)

demasiado tudo para nada. demasiados nadas para tudo.

o chefe de culinária já chateia

pediram-lhe para fazer um caldo de galinha, mas isso para ele é canja.

segunda-feira, julho 16, 2007

Eleições Lisboa*

Durante semanas (quantas? demasiadas.) bombardeiam-nos com horas e horas de informação em telejornais nacionais, capas e florestas inteiras de jornais com dia-a-dias de campanhas, entrevistas escalpulizadas ao pormenor sem qualquer conteúdo a todos os candidatos, transformam umas eleições intercalares para uma Câmara Municipal em eleições Autárquicas com carácter nacional, sob a clássica desculpa de que Lisboa é o microcosmos representativo da política portuguesa. Discutem-se nadas, dissecam-se insinuações, intrigas, siglas, graffitis, fados e fantochadas. Branqueiam-se as corrupções como se tivesse sido o Sampaio a dissolver o executivo. Fecham-se os olhos a ultranacionalismos sob a égide da liberdade de expressão. Transformam-se as eleições numa luta do povo. Renovam-se os slogans de cartões ao governo, as eleições locais têm sempre/não têm nunca (riscar o que não interessa) leituras nacionais conforme a cor, o dia, o líder da oposição (quando existe, o que não é o caso) ou o estado do tempo. E nós ouvimos. E nós comemos isto tudo. E nós calámos.

E à falta de "novos desenvolvimentos no caso da pequenina Maddie", em época de defeso em que o Benfica ainda não começou uma série que se adivinha magnífica de jogos com toda a terceira divisão suiça, lá fomos todos durante semanas conhecendo os problemas de Lisboa. Que são os problemas de todos. Todos conhecemos o drama do Bairro dos Loios. Somos amigos íntimos do Arq. Manuel Salgado. Tratamos por tu o Zé. Aprendemos o significado das siglas. Andámos de bicicleta entre o Padrão dos Descobrimentos e a Praça Sony. Respirámos o ar puro do Corredor Verde e juntámos +1 à Portela. Indignámo-nos com parte de trás da Frente Ribeirinha. E com a ajuda de todos, resolveríamos estes problemas que são de todos. De todos nós. A vida de um país melhora com uma Câmara de Lisboa disposta a resolver os problemas dos 10 milhões de lisboetas.

E esta é a questão nacional. Estratégia: o PS perde, o governo perde e a vida dos 10 milhões de portugueses melhora. O que é que correu mal? O sol, a praia. A culpa foi do Sol. Mas afinal choveu. Pois, é isso. A culpa foi da chuva. Que nós não temos culpa. Nós estamos aqui para resolver os problemas dos 10 milhões de lisboetas. O Sol, perdão, a chuva, e depois o Sol outra vez é que não deixaram.

Se o PS tivesse perdido as eleições, os 10 milhões de lisboetas teriam ganho. Se o PS tivesse perdido as eleições, era ver Rosetas e Carmonas, Negrões e Marques Mendes (este é lixado pôr no plural), Zés e PêCês, Telmos e Portas a clamar por vitória, a pedir cabeças de ministros, a falar em cartões (e não tem nada a ver com o Zéquinha) ao Sócrates, a proclamar a vitória do povo sobre o governo opressor e autoritário. E, claro, a tirar as tais "ilações nacionais". Mas como o PS não perdeu, estas eleições são apenas locais. Nem votou assim tanta gente. Se calhar nem se passou nada aqui. E é um escândalo - um escândalo - agora vir malta de outras terras festejar a vitória numas eleições de Lisboa, que não são eleições nacionais. Apenas dizem respeito a Lisboa e aos lisboestas. 200 mil e não mais do que isso. Os restantes 10 milhões não tinham nada que ver televisão, ouvir rádio e ler jornais e ficar bem informados. Culpa vossa. Nossa, claro.


É claro que é ridículo o encher da sala dos festejos à custas de excursões peregrinas que vieram à sandocha. Mas de um ridículo vergonhoso. De um ridículo que espelha a podridão que grassa no interior do(s) partido(s). Mas de um ridículo tão óbvio que até fica mal dizê-lo mais vezes. Ridículo.


E prontos. É favor descer o pano, fechar a tenda e calar os palhaços. Foi bom, mas acabou-se. A silly season volta a ser o que era, espera-se. Que isto num ano sem Europeu nem Mundial nunca se sabe.




*Mas o que me fode mesmo é a Argentina ter levado 3 do Brasil.

domingo, julho 15, 2007

parecendo que não, há coisas importantes que acontecem hoje.


e eu lamento não ser embalado pelo nacional-brotherismo.
vamos argentina.

choque de gerações

Para mim o Nemo será sempre o capitão do Nautilus. Para a minha irmã mais nova não passa de um peixe, o palhaço.

o chefe de culinária rastafari

o seu sonho era fumar uma sopa da pedra.

o chefe de culinária solidário e economicista

queria fazer uma sopa dos pobres sem gastar uma pipa de massa.

tinha sempre os nervos em franja. no dia em que ficou sem calmantes, rapou o cabelo.

da série: grandes questões sempre pertinentes

estás a dormir?

lutar contra a abstinência*

parece-me óbvio que a solução era disponibilizar cabines de voto no algarve, em vez de bolinhas de berlim. mas só das com creme.

*não tardou nem 5 minutos de jornal da tarde (rtp1) a aparecer. o mesmo em que, minutos depois, uma senhora de uma freguesia que agora não me lembro mas cujos moradores apelaram ao boicote, respondia indignada com os seus vizinhos: eu vou votar nem que haja uma guerra do vietnam!

quando abri o blogger ia apagar o blogue. infelizmente e por razões que não me apetece explicar mas que envolvem um elogio à mediocridade, siga o baile.

quinta-feira, julho 12, 2007

aqui jaz, pedreiro da própria sepultura
antónimo de seu nome, não tem nib nem bi
tanto faz, aproveita enquanto dura
por todos vós espero, deitado, aqui.

a madrugada, casa triste da insónia
o quarto, sem janela nem jardim
tábua rasa do juízo e da loucura
tens tudo o que queria para mim.

excerto de inscrição tumular de um poeta cremado.

quarta-feira, julho 11, 2007

mas sei fazer a raíz quadrada "à mão"

3 em cada 4 alunos do 9.º ano tiveram negativa a matemática, noticia aqui o público. e notícias dadas deste modo só servem para prolongar o estigma de que os portugueses não se dão bem com a matemática. o que é uma completa mentira. há que ver o lado positivo. afinal de contas, um terço dos alunos teve positiva.

da série: grandes questões sempre pertinentes

a quantos estamos hoje?

auto-biografia não autorizada #7

sobranceria. arrogância. cinismo.
e fiquemo-nos por aqui. o resto são defeitos.

just do it

auto-biografia não autorizada #6

já consegui reduzir para 4 cafés por dia.

tributo

é com alguma surpresa, confesso, que encontro nas páginas 4 e 5 do caderno 2 do público de hoje (ontem, 10/07/07), uma reportagem sobre o "último colector de plantas de portugal". aproveito a oportunidade para prestar um sentido tributo ao senhor Arménio (vénia), o homem que ajudou muitas pobres almas a passar a essa interessantíssima cadeira que dava (não sei se ainda dá, ou os bolognistas lhe trocaram o nome) pelo nome de plantas vasculares. o senhor Arménio merece uma estátua, e não menos do que isso, ao lado do busto do brotero, ou - já agora - em local visível do Jardim Botânico de Coimbra.

terça-feira, julho 10, 2007

murais da história

nunca há uma benzodiazepina à mão quando precisamos dela.

ao mentir aumentou o tamanho, o tacanho. indecente, não se sente. fique em pé de cabra, mas não abra. só quem salta é que cai, ai ai. que me dói, mas que dor-mente, o demente.

segunda-feira, julho 09, 2007


exposição pedro vieira. clicai na imagem para assentar as coordenadas e metei-vos a caminho.

adenda: ou se calhar é melhor não se meterem já a caminho. mas fica à vossa consideração.