quarta-feira, setembro 12, 2007

sim, tenho-me esquecido de tomar o antidiótico.

metemos no bolso um par de metáforas
na mão, um punhado de adjectivos
gritámos a revolta, noite fora
com os poemas que fizémos quando ainda éramos vivos.

tinha um espaço tão grande entre os dentes da frente que lhe chamavam o triastema.

um amigo acusa-me de anti-americanismo primário por recordar apenas um 11 de setembro. não respondo. calo-me e ele pensa que lhe concedo a razão. mas recordar que caíram as torres gémeas faz tanto sentido como no dia 25 de dezembro recordar que é Natal.

terça-feira, setembro 11, 2007

ah, pois é, hoje é 11 de setembro. e vão 34, não esquecer.

"Tienen la fuerza, podrán avasallarnos, pero no se detienen los procesos sociales ni con el crimen ni con la fuerza. La historia es nuestra y la hacen los pueblos."
(Salvador Allende)

uma questão de prioridades

alguém devia ter feito desaparecer a fátima campos ferreira.

poesia quase em tempo real

"... a esfera da indigência intelectual..."
"... a hecatombe da natureza humana..."
"chegámos ao século xxi para quê, se somos capazes de fazer coisas horríveis?"

pelo presidente da c.m. de santarém e ex-argumentista de séries de época.

confesso

que nunca joguei rugby.

epifania

só hoje perceber que a maconde é de vila do conde.

escrevo sem pensar. para compensar as vezes que penso sem escrever.

segunda-feira, setembro 10, 2007

dedicado ao amigo J.

"os amores possíveis nada têm a ver com o Amor"

José Eduardo Agualusa, numa magazine de nomeada que, por lapso mnésico, não consigo nomear de momento.

a propósito da fotografia aqui em baixo, lembrei-me de um título tão bom tão bom que a pimpinela escreveu há uns meses e que, por razões várias que não importa aqui enumerar, seria a legenda ideal para a foto.

inserir título aqui

pois, já é segunda.

domingo desportivo

Rugby
Estando longe de querer tirar mérito à selecção, estou ainda mais longe de achar piada ao desporto. não me apetece explicar porquê, mas a presença da "única selecção amadora que se qualificou para um mundial" (parece que se tem que dizer isto tudo em vez de selecção nacional de rugby) em paris, desperta-me tanto interesse como se houvesse portugueses no mundial de curling.

Eurobasket2007
A selecção não joga nada de especial, quer-me parecer. Não vi a vitória de hoje contra Israel, por isso talvez venha a engolir estas palavras. Ossos do ofício. Mas é sempre bom festejar uma derrota da Espanha. Está mais que ganho o "nosso" europeu. O incrível é o pouco tempo de antena que uma prestação destas está a ter na comunicação social. A propósito, é seguir este homem.

US Open
Não segui a competição feminina. Dos homens, vi seis ou sete jogos. O Nadal a perder. Dois ou três encontros entre malta do meio da tabela que não aqueceu nem arrefeceu. o Djokovic a eliminar o Moya. E os passeios do Federer até aos quartos de final, altura em que deixou o Andy "sou uma besta quadrada com a delicadeza de um catterpillar e tenho a mania que disparo mísseis cada vez que estou a servir mas amorti deve ser uma palavra da esgrima" Roddick pensar que podia ganhar um set. Neste jogo, que mesmo assim só vi até ao 2-0 em sets, ambos no tie-break, o Federer fez 3 ases em segundos serviços, no espaço de uma hora ou isso. Dois deles, como se estivesse a marcar um penalty, com guarda-redes para um lado e bola para outro. E aí percebi que não precisava de ver mais nada. Até à Austrália.

Futebol
Parece que ainda faltam 7 ou 8 dias para o Benfica receber a Naval. E vai não sei quando à Reboleira para a Taça da Liga. Parece também que há quem não saiba, mas o Antunes joga na Roma e o Duda no Sevilha. Por isso enquanto o defesa esquerdo da selecção se chamar Caneira, não falamos disso, está bem. Ah, e sobre o Bruno Alves, nem uma palavra.

quarta-feira, setembro 05, 2007

ouve-se uma voz lá ao fundo

um qualquer. desde que combine com os sapatos.

segunda-feira, setembro 03, 2007

e amanhã,

já sabes que coração vais usar amanhã?



the world awaits just up the stairs
leave the pain for someone else.
Pearl Jam, Life Wasted

sexta-feira, agosto 31, 2007

calor e quase 500

pouca gente quer saber se correu tudo bem, se eu gostei, se fui feliz, se estou feliz, se lá voltava, se lá morava, se passei fome, se aprendi alguma coisa, se conheci alguma coisa interessante, como eram as pessoas, as cores, os cheiros, como se pedia um café, ou se as pessoas são bonitas. o importante é como estava o tempo. e mais importante do que isso é se tirei muitas fotos.

pior do que o péssimo hábito de mostrar as fotografias de uma viagem* é o hábito de pedir para ver as fotografias de uma viagem.


*este hábito é particularmente irritante se estamos a falar de viagens de noivos.

se a minha avó lesse o meu blogue dir-me-ia que ando a reservar lugar no inferno. e a parte má de ir para o inferno é saber que depois vou lá encontrar a diana e o elton john.

efeméride

faz hoje 10 anos o seguinte diálogo:
- eh pá, morreu a princesa diana.
- caguei.

mr reuters, you there?

o eduardo prado coelho, o nélson évora, a grécia, o outro fehér, o katsouranis, o sorteio da champions e o gualter. há mais alguma coisa de que eu precise de ser informado?

"are you talking to me?"

é sempre contigo que estou a falar. mesmo quando é contigo que estou a falar.

poema resumo

fui a praga e a viena.
ena.

sair de portugal é, na maior parte da vezes, engraçado. sofrer síndrome de abstinência de café é que é fodido.

sexta-feira, agosto 24, 2007

You are free, and that is why you are lost.

Franz Kafka

Derivado a motivos de férias, parece que vou a Praga daqui a umas horas.
Volto em Setembro.

entretanto, uma sugestão. um assunto de extrema importância que gostaria de ver discutido quando voltar: qual o melhor piropo que conheces?

sinto que falta discussão a este assunto. é possível melhorar, refinar o típico piropo fácil e brejeiro e elevá-lo a um nível quase artístico. um excelente exemplo é o piropo do azia, que figura nos lugares cimeiros (péssima expressão, adoro-a) da lista imaginária das minhas preferências. no fundo, a piropagem é uma arte. vejam lá isso. sintam-se à vontade para sujar a casa na minha ausência, que no meio da confusão nem se vai notar. discutam o tema, ou então caguem para mim. mas façam o favor a vocês próprios de ir ali abaixo ver a curta do tim burton. e sejam felizes.

o sexo está sobrevalorizado. há até quem pense que serve para fazer filhos.

e agora algo sério

uma causa a apoiar.

facto: este post tem mais pontos que o Benfica.

post sem dedicatória especial

Vincent, animação curta metragem de Tim Burton (1982)

nem preciso de saber nada de especial. qualquer coisa chega. não quero saber se vou ser feliz. basta que me digas se vou perder o autocarro.

não quero que me contes como foi a tua vida, em que escola andaste, com que livros cresceste, que músicas dançaste, com que filmes choraste. nem o que comeste ontem, e muito menos os nomes que amaste. a não ser que me saibas dizer alguma coisa do futuro, mais vale estares calada.

hã?

a frase: não há regra sem excepção é uma regra ou uma excepção?

surpreende-me que ainda me surpreenda a força com que chega o arrependimento. e a forma arrebatadora com que nos corrói por dentro. é sempre assim, devastador. uma e outra vez, a fazer-nos disparar promessas de não voltar a fazer isto ou aquilo. nem sei por que ainda me surpreende cada vez que chega, mas desconfio que seja por durar tão pouco.

aviso 3

this side up

aviso 2

caution: fragile

aviso 1

atenção: coração com perímetro de segurança.

toxicóide

o traço mais relevante da sua personalidade era um traço de coca.

queria ter um blogue colectivo só para mim.

quinta-feira, agosto 23, 2007

terça-feira, agosto 21, 2007

o chefe de culinária míope

estava com problemas de vista. o médico aconselhou-lhe uma dieta rica em fibras ópticas.

isto é capaz de resultar

hum, tens cara de inês. mas cu de sónia.

posso dizê-lo sem preconceitos

comida vegetariana é boa. para acompanhar um bife.

são boatos, sr ministro

se aquilo dos milheirais fosse malta do BE tinham só sacado as folhas para fumar.

segunda-feira, agosto 20, 2007


que saudades da vera roquette.

entretanto, no serviço público

o daniel oliveira (o outro, o da tv. o netinho que a minha avó queria ter*) entrevista o toy, a ágata e o miguel & andré. em simultâneo. mute.


* eu também gostava que o daniel oliveira fosse neto da minha avó. para lhe poder dar porrada e depois dizer que eram coisas de primos.

ah, obviamente tenho uma teoria sobre o que aconteceu à maddie. e piadas sobre o assunto, mas isso não se diz.

o drama, a tragédia, o espectáculo.

e agora a filha do ferro rodrigues acaba de acrescentar que "o desaparecimento da pequena maddie é um drama que o país não pode deixar de acompanhar." logo seguido (mesmo logo seguido, quase sem vírgulas) de: "vamos dar 28.500 € no jogo do dómino, coisa extraordinária!!"

acabo de ouvir na sic, em directo da porta da polícia judiciária de portimão, que "hoje há alguma falta de notícias".

domingo, agosto 19, 2007

é engraçado conhecer brasileiros em portugal e ouvi-los dizer que estão de férias na europa. não sei se é apenas um distanciamento geográfico ou a força das raízes culturais árabes, mas pensar em portugal como europa dá-me vontade de rir. perguntam-me então onde começa a europa para mim. não sei responder. penso em barcelona. ou dos pirinéus para cima. mas não sei responder. sei que a europa também não começa em huelva. mas ao menos enche-se um depósito por 37€.

e se não houvesse amanhã?

já se sabia na austrália.

ser-se banal é isto

este é só mais um post sem vírgulas.

corro o risco de me tornar repetitivo. mas corro o risco de me tornar repetitivo. e corro o risco de me tornar repetitivo.

mensagem rapidinha aos criativos publicitários da super bock

eram vocês que tinham o slogan: uma super nunca há-de ser mini,

não eram?

e por que não

chegar ao cherne da questão?

como te sentes hoje?

como naquele dia em que nos cruzámos e nem sequer me viste. lembras-te?

revisão

em menos de um mês conduzi 4000 km. numa espécie de cá para lá, sem ir nunca muito longe. normalmente porque dou mais importância às pessoas do que aos sítios. mas agora que percebo que poderia ter percorrido meia europa no mesmo tempo, se calhar é tempo de rever as minhas prioridades.

higienização

não sei porquê mas não consigo responder aos comentários (nem deixar comentários noutros blogues). mas desconfio que a asae passou por aqui.

mas tenho amor prá troca.

sou um gajo sem idiossincrasias.

segunda-feira, agosto 13, 2007


¿Qué queréis?, aprendí a malvivir del cuento
pintando autorretratos al portador,
si faltan emociones me las invento,
la madrugada no tiene corazón.
(...)


joaquín sabina, vamonos pa'l sur

a paixão, segundo s. nicolau da guitarra eléctrica

não se ama alguém que não é da mesma rede de telemóvel.

domingo, agosto 12, 2007

editar, seleccionar tudo e salvar como

e os anarcas, deixam o texto desalinhado?

o blogger sugere como marcador (parece que antes de aprender português o blogger lhe chamava label) para esta postagem, entre outros, patinetes. acho que patinetes definiria na perfeição o que tento dizer, mas vou resistir ao apelo. por uma questão de estilo.

resumindo

só há uma coisa melhor do que carapaus alimados: cavalas alimadas.

tudo mudou, ou seja, está tudo na mesma.

uma semana. há quem lhe chame férias. no meu caso é apenas procrastinação.

enfim, nada que não se resolva com duas ou cinco minis.

como diziam os do big brother, o tempo aqui é diferente do tempo lá fora. uma semana sem ler blogues (qualquer coisa parecida com um internamento compulsivo para desintoxicação) parece-me agora uma eternidade que me passou ao lado. como disse alguém que não me lembro sobre algo que já não recordo: é como entrar sóbrio numa festa de bêbedos.

uma semana desligado do mundo. não sei o que se passou, não sei onde começo nem onde acabei. algures no caminho. de volta. o inadiado regresso ao dia, adia. uma e outra vez.

hey hey

ainda está aqui alguém?

domingo, agosto 05, 2007

o meu cérebro já me vinha avisando disto há algum tempo

eu bem dizia que o meu cérebro me avisara

há uns posts abaixo, escrevi corrigo em vez de corrijo. mas não me apetece ir corrijir.

sábado, agosto 04, 2007

até já

I will come to you at nightime
I will climb into your bed
I will kiss you in 155 places
As I go swim around in your head
(...)
And we may never forget it
As I make you call my name
as you shout it to the blue, summer sky
(...)
And we may never meet again
So shed your skin lets get started
And you will throw your arms around me
...
Throw your arms around me

com cartão jovem

são dois bilhetes para a felicidade, se faz favor.

O problema da amizade é que somos homens.

a minha proposta de receita para este Verão

quinta-feira, agosto 02, 2007

com um dia de atraso, porque ele já começou.

viva o mês da migração sazonal rumo ao sul, da época oficial da caça à conquilha, viva o escaldão e que se foda a melanina, viva o cheiro a sardinha assada na camisa aberta, o cão na praia e o cheiro a gasóleo da mota de água, viva o sol ao pôr e ao nascer, viva o entretanto entre tantas minis frescas, viva a festa e siga o baile, viva hoje e amanhã viva a ressaca, viva a barriga cheia e a maré vazia, viva o carro parado e o carapau alimado, que se foda o mcdonald's e o taiti, viva a praia, a areia na virilha e vivó bikini.



e viva (salvo seja) o grande dino meira

terça-feira, julho 31, 2007



[lıʌıɔ oʇsıƃǝɹ ou opɐqnoɹ ǝ oʇɹǝqoɔsǝp]

o perigoso jogo da sedução

Via bbba, chego a um pedido de ajuda da Pitucha. A Pitucha quer dicas sobre a arte da sedução. É urgente. Corrigo, era urgente às 9:10 am (hora que deduzo ser de Bruxelas, devido a um raciocínio brilhante que envolve o título do blogue da Pitucha e a indicação de localização da própria. Enfim, coisas ao alcance de uns poucos predestinados) da manhã de dia 30. Segunda-feira, portanto. São neste momento 2:12 am, hora de Lisboa - menos uma hora nos Açores - de dia 31, pelo que deduzo ter chegado tarde. Quer dizer, neste preciso momento já não são 2:12 am, visto que eu já acabei de escrever o post e tu já o estás a ler, mas terás que fazer fé no que eu te digo e confiar que escrevo a presente missiva às 2:12 am. Ou talvez às 2:13 am, visto que me estou a alongar sem dizer absolutamente nada de novo ou relevante. O que, não deixando de ser uma arte e, portanto, nobre, cumpre o imoral paradoxo de me aproximar, em tese, de um político. Nojo esse que preferia não estar a vivenciar neste preciso momento em que por acaso talvez já sejam 2:14 am. Adiante. Não obstante o suprareferido, teria sido de qualquer modo indiferente correr a tempo em auxílio da Pitucha. Nada do que eu possa aqui dizer dizer sobre sedução, arte que, manifestamente, não domino em termos práticos, se revelará útil para a Pitucha. O que torna pouco lamentável não ter reagido com a urgência que o caso, ou melhor, a própria, pedia. No entanto, e por pura irresponsabilidade, infantilidade, falta de objectivos na vida, e acima de tudo porque a cerveja só vai a meio, continuo. E, se me permitem, inclusivamente prossigo. A minha relação com a sedução é uma relação de puro medo. Tenho medo da sedução. Nem inveja, muito menos indiferença, nem tão pouco respeito. Medo. Porquê? Porque a sedução é um fardo, que pesa sobre os ombros (levar ao colo faria mal à coluna) de uma camada da sociedade a que orgulhosamente pertenco, e a qual, carinhosamente, gosto de apelidar de: "malta que se senta num sítio e bebe uns copos e se está a cagar para a sedução". Ora, sucede que a sociedade impõe regras e condutas, desde o elementar "agitar antes de abrir" até à obrigatoriedade de sedução da malta que bebe uns copos, passando pela condenação moral e psíquica de quem, propositadamente, troca a ordem aos canais que a sintonização automática programara, colocando a tvi como 1, a rtp1 como 2, a rtp2 como 3, a sic como 5. O 4 fica com aquela chuvinha para enganar e dizer que não vejo a sic todos os dias a partir das 14h, em que pasta e muge um gajo careca apoiante do Isaltino Morais e a filha daquele ex-ministro, ex-secretário geral do ps, ex-futuro primeiro ministro, ex-cagando para o segredo de justiça. E nesta cruzada castradora das liberdades individuais, a sociedade leva a mal que haja quem se esteja a cagar para a sedução. É ofensivo para os bons costumes que um gajo queira simplesmente beber. Mas, e se é verdade que um gajo nunca quer só só simplesmente beber, a esparrela da sedução torna-se, ainda que inconscientemente, a muitos títulos, inevitável. E a tentaçao do perigoso jogo da sedução adensa-se dentro da cabeça como a irritante música do Mika, de cuja letra ninguém conhece o sentido, mas o caralho do ritmo fica ainda antes da primeira vez que o ouvimos. E esse ritmo da música do Mika, não é mais senão a sociedade a sussurar-nos: joga o jogo da sedução, olha a sedução, ai a sedução, é tão bom a sedução. Está bem que seja bom, mas eu tenho medo. É bom como jogar xadrez, mas eu só sei jogar damas. Não sei jogar xadrez, logo, especializei-me nas damas. Damas é um jogo mais básico. Não mete medo a ninguém. O xadrez requer muitos raciocínios cruzados, assim como a sedução. Antecipar jogadas do adversário, ultrapassar a barreira de peões, comer a rainha e fazer xeque-mate. Tenho medo do xadrez. Não sei jogar o jogo da sedução, logo, especializei-me em beber. E a sociedade reprime de igual modo um gajo que não quer seduzir ou um jogador de damas. Analogamente, idolatra os sedutores como endeusa os jogadores de xadrez. O jogador de damas é extremamente básico demais. É como o gajo que se senta e bebe. O sedutor, foi jogar xadrez e tentar comer a rainha. Quando digo que não quero saber jogar xadrez, o pensamento lógico do meu interlocutor é: pff, não sabes, né? É muito complicado! Quando digo que não quero sedução. Pff, o mesmo. Sempre pressionando, sempre empurrando o incauto alcoólico para as teias da sedução. É aqui que me assalta a maior dose de medo. Não sei jogar, o que é um bom ponto de partida para a derrota. A falta de arte, leva-me a que vá jogar mal. Envergonhado. O resultado mais previsível desdobra-se em dois ou três finais alternativos. a) ela não quer - volto a beber, humilhado. b) ela tem namorado, levo porrada - volto a beber, humilhado. c) até me safo, mas ela tem pila e bigode - volto a beber, humilhado. d) a minha namorada aparece, levo porrada - volto a beber, humilhado.
O resultado final é o equivalente a perder um jogo de xadrez sem ter sequer conseguido comer um peão. Humilhação total de quem não deu luta e sai do jogo sem qualquer dignidade. Daí o meu medo da sedução. Um misto de medo e preguiça. Se não vou comer um único peão para quê jogar zadrez, certo? Mas acima de tudo medo, porque mesmo que a minha namorada não apareça, há sempre no local a amiga de uma amiga de uma amiga de uma colega de uma prima de outra amiga que lhe vai contar, porque as mulheres (todas menos a que leêm este post) são umas vacas e gostam de contar essas merdas umas às outras. E, parecendo que não, ela tem um bíceps que aquilo de mão fechada e força bem aplicada é gajo para magoar.

Pitucha, se me estás a ouvir, acho que divaguei um pouco. Espero ter demonstrado a minha inabilidade para o jogo da sedução, apenas comparável à minha inabilidade para a colocação de vírgulas. Se por acaso está alguém com dúvidas e a pensar "ah, ele está-se a fazer de parvo e tal, seduz quem quer", tenho três - três - coisas a dizer: 1) obviamente, nunca nos cruzámos. 2) em menos de duas passagens de mão direita pelo cabelo consigo imitar os Beatles. E se elas gritavam que nem galinhas nos concertos, parece-me que tenho poucas possibilidades de vir a viver nos anos 60. 3) Se o movimento da mão for no sentido oposto, desde a testa até ao alto do cucuruto - termo técnico - e depois desde a nuca a subir até ao mesmo sítio, sou um Tony Carreira ao espelho. Estamos entendidos? Estou neste nível do jogo da sedução. Mas ainda me dizem: "Oh, João, mas tu até colocas as vírgulas de um modo impecável e irrepreensível!" Pois lá, isso é, verdade,


Então, posto isto, cá vai.
Pitucha, se me estavas a ouvir no parágrafo de cima, deduzo que continues. Como espero estar bem claro, sou a pessoa indicada para falar de sedução. No plano teórico, sou um autêntico Kasparov. E é com muitas das minhas convicções profundamente enraizadas nas próximas linhas que me arrisco a colocar três - ou quatro - situações possíveis de acontecer quando uma mulher seduz um homem:
1) a mulher aparece. já está.
2) se a opção 1 não resultou, esboçar um sorriso. já está.
3) se a opção 2 não resultou, tentar novamente a 1, pode ser que ele já não se lembre de ti. se ainda assim não resultar, o decote. não falha. o decote. e o sorriso. sorriso + decote. já está.
4) o gajo é maricas. ou então sou eu e estou com medo dos biceps da minha namorada.

that's it.
e deixo-vos com uma dica: o sucesso ilusório e o posterior efeito surpresa são tanto maiores quanto maior for o intervalo de canais só com chuvinha até aparecer a sic.
e por incrível que pareça, garanto-vos que já não são 2:12 am.
vírgula.

O Bergman não morreu. Gajos como o Bergman não morrem. Quer dizer, morrer morrem, mas num processo mais lento do que o habitual. O último passo do processo de Morte do Bergman começou hoje (ontem, talvez) mas só acaba quando toda a gente se esquecer que O homem filmou isto:

segunda-feira, julho 30, 2007

Breve nota mental: no dia do Juízo Final, entre Beja e o Inferno, escolher o Inferno. Sempre deve estar mais fresquinho.

frases desfeitas #22

café move montanhas.

sexta-feira, julho 27, 2007

problem gambling

hás-de espadas.

quinta-feira, julho 26, 2007

Futebol (ii)

Acho que o Benfica aumenta as hipóteses de ganhar qualquer coisa esta época. E digo-o sem qualquer ironia. Se quiserem, depois explico.

Se bem que, por outro lado, me parece que o Simão volta em menos de dois anos.

Futebol (i)

o Zéd, d'A Vez do Peão, nomeia Beckham como exemplo de "cepo". O João, da Estação Central, discorda. Eu, como acho o Beckham dos jogadores mais vulgares e sobrevalorizados das últimas décadas, faço minhas as palavras do enorme e saudoso George Best:

"He (Beckham) cannot kick with his left foot, he cannot head a ball, he cannot tackle and he doesn't score many goals. Apart from that he's all right."

Nada a acrescentar.

quarta-feira, julho 25, 2007

preciso de um fio condutor para a minha vida. um fio de prumo. ou o fio da navalha. ou de uma navalha. é isso, tenho que fazer a barba.

terça-feira, julho 24, 2007

taxonomia alternativa

Reino: da Dinamarca
Filo: Sofia
Classe: Quarta
Ordem: no Tribunal
Família: Real
Género: Masculino
Espécie: de Magazine

é quando um homem quiser

olho para o que escrevi em novembro e o conceito de silly season desvanece-se por completo.

sábado, julho 21, 2007

Neste Verão, não abandone o seu blogue.

cantar no duche


Morrisey - the first of the gang to die

eu bem me esforço, mas as minhas mágoas sabem nadar.

a verdadeira amizade

está aqui um amigo que me deixa mentir.

sexta-feira, julho 20, 2007

mas não estou sozinho. a água da torneira cá de casa também é.

sou, portanto, inimputável.