(...)
não há putas mais bonitas
do que as putas do meu bairro.
segunda-feira, dezembro 03, 2007
agora é só arranjar o resto do poema (ii)
quinta-feira, novembro 29, 2007
a SIDA é fodida
Mas ninguém quer saber porque a sociedade pensa que a SIDA é uma doença de putas, drogados e paneleiros. E quem sou eu para mandar palpites sobre o que eu acho que a sociedade pensa? João, muito prazer.
A SIDA é fodida, já disse. Já a luta contra a SIDA, nem por isso. É, sejamos simpáticos, fraquinha. Frouxa, torpe e, na maioria das vezes, pueril e ineficaz. A luta contra a SIDA em Portugal tem sido - e digo-o muita a sério - uma brincadeira.
A maioria das campanhas do suposto combate à SIDA pode ser englobada em dois tipos: aquelas que têm baixíssimos níveis de visibilidade e aquelas cujo nível de eficácia na transmissão da mensagem vai pouco além do risível. E ora vão alternando, ora acumulam ambas as qualidades.
Sei que já lá vão uns anos, e que os tempos eram outros, e que não se podia dizer tudo o que se queria nem como se queria. Mas uma das primeiras campanhas de que me lembro, da Abraço creio, constava de um desenho colorido com um jovem (ou seria um casal?) “a voar” em cima de um preservativo, com um fundo azul, a Lua e estrelas amarelas. Ora, o impacto teria sido muito maior se os utilizadores de preservativo tivessem idades compreendidas entre os 3 e os 11 anos. Entretanto mudámos de século mas as imagens continuam com um grau de impacto comparável, como podemos verificar no histórico de campanhas da Abraço.
Aos olhos da sociedade (que desde o início do texto continua a pensar que a SIDA é uma doença de putas, drogados e paneleiros), a Abraço tornou-se mais um símbolo do que uma prática constante e eficaz de prevenção. A Comissão Nacional de Luta Contra a SIDA em 2004 traçou um plano nacional, em que a teoria prevalece de sobremaneira sobre a prática. Nesse plano, traça metas para 2006 (ainda temos tempo, portanto) no âmbito da prevenção e acesso a tratamento de infecções com VIH/SIDA que, ou pecam por excesso de optimismo, ou são demasiado genéricos, ou alguém deixou o trabalho a meio.
Se nos campos da detecção e do acesso a tratamento se registaram resultados motivadores, em termos de divulgação da mensagem (o alvo deste texto), parece-me que não estamos muito longe de quase na mesma. O actual instrumento governamental na área – a Coordenação Nacional para a infecção VIH/SIDA, é igualmente contido nessa área.
A mensagem a passar, convenhamos, não é muito difícil de compreender. Basicamente: a SIDA é má, o preservativo é bom. E se o conteúdo se revela bastante simples o problema está, claramente, na forma como é apresentado. A Abraço existe “porque a SIDA existe”. Usa preservativo, é a tónica dos slogans ao longo dos anos. Protege-te, faz o teste. E não se passa muito destas cândidas palavras.
O ritmo a que as diferentes campanhas vão pingando também não ajuda muito ao estabelecimento de uma convicção na mente da população-alvo. Ou é nos dias 1s de Dezembro, ou nos dias do peditório nacional da Abraço que se fazem mais notar. Uma campanha mais eficaz teria que passar forçosamente por uma massiva e explícita intervenção de vários agentes (governamentais, figuras públicas, pessoas infectadas), envolvendo todos os meios de comunicação e dar assim uma valente marretada nas ignorâncias, tabus, preconceitos e discriminações associadas.
O tom, esse, agressivo. Com conversa de meninos está provado que não vamos lá. É certo que o facto de haver mais infectados pode querer (e parece-me claro que quer) dizer que há muito mais gente a fazer o teste. Não obstante, revela uma certa parte de fracasso nas políticas e nas campanhas levadas a cabo. A recente notícia de que Portugal é um dos países em que o número de novos infectados por transmissão mais aumenta prova-o inequivocamente. O mais recente relatório do Centro de Vigilância para a infecção VIH/SIDA (se não for o mais recente, let me know) data de Junho de 2007 e os dados vão confirmando a tendência de evolução dos últimos anos.
E o aumento da transmissão é sintomático da contínua prática de comportamentos de risco. E porque é que isto acontece? Entre outras coisas porque as campanhas são o que são. Quase sempre, uma merda. Doce, é certo. Mas uma merda.
Como faria eu uma campanha? Começava pelos slogans. Seriam rudes, sem meios palavreados inúteis. Claros, mas duros e precisos. Rudes e vis. Ou algo do género:
Preservativos: são do caralho!
(e além de o serem - literalmente - isto era dito pelos Gato Fedorento e estava garantido o sucesso)
- Usa preservativo, caralho.
(Uma miúda com cara de má a apontar para o preservativo):
Fode mas não te fodas!
(Imagem do preservativo)
Manda-o foder!
(Ou mais light)
(Multidão a manifestar-se na Av. da Liberdade)
Preservativo sempre! SIDA nunca mais!
E uma campanha deste género chocava a sociedade? Não tenho dúvidas que sim. E dava bastante mais visibilidade à prevenção da infecção pelo VIH/SIDA? Pois dava. E descredibilizava a Luta Contra a SIDA em Portugal? Claro. Mas se há coisa de que a a Luta Contra a SIDA em Portugal precisa neste momento é de ser descredibilizada. É a primeira a ter que mudar se quer que as mentalidades da sociedade se transformem. Em termos individuais não duvido do esforço tremendamente louvável de inúmeros agentes, profissionais e não só, na Luta contra a SIDA, mas em termos colectivos, meus amigos, andamos a brincar às prevenções.
E assim estamos e assim nos vamos ficando. Porque a SIDA existe, é certo, mas como toda a gente sabe é uma doença de putas, drogados e paneleiros.
pausa para divulgação* (coimbra)
ele também anda por aqui
acho que há mãozinha do santana lopes nisto de se ter que escrever vih barra sida*.
quarta-feira, novembro 28, 2007
terça-feira, novembro 27, 2007
o joão não gosta mas a ana grama
// SHARE LA BTT // THE LAB STAR // EARTH BLAST //
// HEART BLAST // THE ST. BAR, LA. // BEST TRALHA //
// BRASH LATTE // BLA THREATS // HATES BLART //
// AH, BLEST ART //
and so on, and so on...
please go on.
domingo, novembro 25, 2007
coisas de domingo
dia de limpezas. a barra lateral foi actualizada. saíram links, entraram outros e virou o disco.
hádes ter muitos amigos assim
coisas que reconfortam
sábado, novembro 24, 2007
sexta-feira, novembro 23, 2007
terça-feira, novembro 20, 2007
o mar tá bravo (ii)
o resto da história é mais fácil de contar. com o passar do tempo passei o tempo a jogar à bola. obviamente na rua, no tempo em que as ruas tinham muitas pedras a fazer de postes das balizas, em qualquer lado, a qualquer hora. julgo ter passado mais tempo do meu tempo a jogar à bola do que a realizar qualquer outra actividade (sim, mais do que isso inclusive). quanto a novas tecnologias, e apesar de já estarmos a falar dos noventas, em beja o spectrum era toda uma instituição, mas eu jogava sonic na mega drive. gastava uns trocos nas máquinas com aquele jogo de futebol muito manhoso do itália'90 e jogava matraquilhos com a moeda de 25 escudos, mesmo depois de ter saído de circulação. mas acima de tudo preferia o ping-pong, modalidade à qual não me recordo de ter perdido mais do que uma ou duas partidas.
[adenda: tenho uma memória de merda. e super mário, pá. muito super mário.]
o mar tá bravo (i)
thin red line (1998), terrence mallick. apesar do realizador, é (juntamente com o apocalipse now e o full metal jacket) um dos melhores filmes de guerra. e como um grande filme de guerra, não tem quase nada a ver só com a guerra. está ao lado de mystic river na galeria de grandes filmes sobre decisões humanas em situações extremas, no limite das fronteiras psicológicas que cada um de nós tem traçadas cá dentro.
sexta-feira, novembro 16, 2007
daqui a um par de horas
bússula [ou: olha que giro! o país não acaba no cacém]
o chefe de culinária: um auto-retrato
in the back of my mind
all i feel is mistrust,
in the back of my mind
all i see is the dirt,
segregation of thoughts,
ideals turning to dust.
where some houses once stood,
stands a manwith a gun,
in some neighbourhood
a father hangs up his son,
in the back of my mind.
quinta-feira, novembro 15, 2007
(não continua)
era uma vez um palhaço, com cabelo palha d'aço.
e a caravana a anunciar
que o circo chegou à saudade.
quarta-feira, novembro 14, 2007
não sei se é mais parvo tantos hífens no mesmo texto ou a palavra "gnu" em itálico. ou um título tão grande.
terça-feira, novembro 13, 2007
quis escrever um conto mas não estava pronto. ainda assim segui em frente e fiz o frete. e como quem conta um conto, acrescentei-lhe um tonto. como o tonto era à borla paguei a pronto mas sem desconto. fiquei então com um conto sem ponto mas com um tonto dentro do conto. um tonto qualquer ou um tonto diferente, o importante é que era um tonto no meu conto meio tonto. um tonto muito feio num conto que ficou a meio e nunca chegou ao fim. o tonto nunca falou, não cantou nem nunca chorou. a única coisa que o tonto fez em todo o conto foi rir-se de mim.
segunda-feira, novembro 12, 2007
sábado, novembro 10, 2007
qualquer dia peço o extracto de conta e sai-me um extracto de aloe vera.
quinta-feira, novembro 08, 2007
quarta-feira, outubro 31, 2007
a página 161
terça-feira, outubro 30, 2007
robert spritzel (michael caine), in the weather man.
às vezes, mesmo sendo a mesma hora, a hora é já uma hora diferente. hora de ir embora, hora da bola. hora bolas.
domingo, outubro 28, 2007
sábado, outubro 27, 2007
sexta-feira, outubro 26, 2007
beat this, suburbanos e quequinhos.
nem de propósito
quinta-feira, outubro 25, 2007
procura-se
terça-feira, outubro 23, 2007
mini conto
da série (que seria interminável se os começasse a enumerar): péssimos trocadilhos
saboreava o dolce fare niente, ao mesmo tempo que comia uma maçã doce e farinhenta.
sábado, outubro 20, 2007
epifania
sexta-feira, outubro 19, 2007
quinta-feira, outubro 18, 2007
o que mais me transtorna são as minis quentes no frigorífico
quarta-feira, outubro 17, 2007
um poema
um poema com um,
dois,
ou até três versos
que não chegam a ser os versos
de um poema
que não chega sequer a ser um poema.
*foi só uma pessoa, claro. mas a utilização de um plural impessoal dá a sensação que me relaciono com muita gente e discuto estas coisas amiúde.
gattopardo
"à noite nem todos os gatos são parvos."
[um dia ainda hei-de perceber como é que metem links no título.]


