quinta-feira, fevereiro 07, 2008

os feirantes juntavam-se por esta altura naquele descampado em que a câmara prometera criar uma zona de habitação social. reuniam todos os produtos carnavalescos que tinham ficado empatados em stock (ao contrário da selecção, que levou três da itália). serpentinas, máscaras do zorro, bombinhas de mau-cheiro, pistolas de água. um sem fim de inutilidades que as crianças já não queriam, preteridos por caricaturas da floribela e cabeçudos de ovar.
reuniam os produtos e queimavam-nos. depois vendiam-nos à população que, sedenta de promoções e oportunidades únicas, os levava para casa dentro de bonitos boiões de porcelana ou sacos plásticos recauchutados. acontecia assim desde 2005. e mais uma vez foi um sucesso esta que era já a IV Feira de Cinzas.

um dos grandes males do mundo consiste nas relações interpessoais.

esta frase não era para acabar por aqui, continuava com uma ou duas considerações sobre a confusão de grande parte da humanidade entre amor e amizade. mas vejo agora que isso estragava esta grande verdade. até porque amor não sei o que seja, embora desconfie que entre pessoas de família diferente envolva respiração ofegante. e amizade é partilhar o mesmo copo de tinto.

quarta-feira, fevereiro 06, 2008

now, you suck
suck it hard
go down, baby
you suck
lick it hard
and move your tongue around
[the yeastie girlz]

resumindo

conheceram-se, casaram, tiveram dois filhos, divorciaram-se e foram felizes para sempre.

ardósia

se fosse para comprar um carro novo, ou uma casa, ou para ir jogar golfe, ainda compreendia. agora despedir só para renovar os quadros parece-me um mau negócio.

terça-feira, fevereiro 05, 2008

torres vedras, a aldeia de monsanto do carnaval.

alguém me explica que raio significa o carnaval mais português de portugal?

em processo de amestração

o projecto? o projecto tem que ser curto, claro. claro e conciso. cinco, seis páginas, no máximo. um projecto curto, claro e conciso, portanto. apelamos ao seu poder de síntese e ao mesmo tempo evitam-se os projectos longos, escuros e semciso, que ao contrário dos projectos curtos, claros e com siso têm muita papelada desnecessária. estamos entendidos? é um projecto curto, claro e conciso, se faz favor. é só? sim, basicamente é só um projecto curto, claro e conciso. então e não tenho que entregar mais nada? não, é só um projecto curto, claro e conciso. um projecto curto, claro e conciso e um requerimento a dizer que quer entregar um projecto curto, claro e conciso. um projecto curto claro e conciso e um requerimento e uma declaração do professor a aceitar orientar o seu projecto curto claro e conciso. ah, tem mais do que um orientador? então é só o projecto curto, claro e conciso e um requerimento e uma declaração de cada orientador. pode enviar a declaração por fax ou email, claro, para evitar papelada descenessária. mas depois passe por aqui a deixar o original. e não é preciso mais nada? pode entregar o currículo, para anexarmos ao processo. mas um currículo curto, claro e conciso, para evitar papelada desnecessária.

segunda-feira, fevereiro 04, 2008

momento paulo coelho do dia

o ventre materno é a sala de espera para o consultório da vida.

surgira-lhe um imprevisto: reunião de trabalho com expectativas de ascensão a director executivo da empresa. como foi muito em cima da hora teve que faltar. já tinha marcado um compromisso inadiável para esse dia: estar duas horas parado na segunda circular.

sexta-feira, fevereiro 01, 2008

quarta-feira, janeiro 30, 2008

estatística

só para terem uma idéia de como isto anda mal, só agora consegui ir ali ao youtube espreitar o resumo do sporting. como vem sendo habitual - e isso constitui um dos principais problemas do país - geram-se discussões e alaridos desproporcionados sem ouvir a minha sábia opinião. o frango do helton nem é bem um frango do helton. num estádio que viu o ricardo todos os quinze dias durante cinco épocas, aquilo nem é bem considerado um golo. o golo fora-de-jogo nem é bem um golo fora-de-jogo. passo a explicar: o fiscal de linha viu que era o pereirinha que ia centrar e pensou (com probabilidades de 1:10 de estar correcto) que a bola sairia pela linha lateral do lado da central a. quando viu que era o purovic que ia cabecear pensou (com probabilidades de 10:10 de estar correcto) que jamais seria golo. o purovic concretizar um tento (ah, bela expressão) a cruzamento do pereirinha é daquelas impossibilidades (meta)físicas comparáveis às hipóteses que eu tenho de um dia concretizar uma cópula de belo efeito com duas trintonas em simultâneo. é óbvio que ambos os três (eu e as duas trintonas) ansiamos por esse dia, mas mais depressa o purovic marca um golo a cruzamento do pereirinha. não obstante fiscal de linha, o homem tinha razão. o problema é que depois chegou o nabokov a empurrar a lolita para o fundo da baliza e o tramou o fiscal de linha.

n. do a.: não faço idéia (nem vou pesquisar, obviamente) se o purovic já marcou um golo após cruzamento do pereirinha. mas tendo em conta o número de golos do purovic e o número de cruzamentos do pereirinha, este post tem probabilidades de 9:10 de fazer minimamente sentido. no remoto caso do purovic, por um azar do caralho, ter concretizado um golo a cruzamento do pereirinha, vamos considerá-lo (ao possível mas pouco provável golo) uma amostra não representativa, fora do intervalo de confiança de 99,95% da curva de gauss, aplicar-lhe uma anova de duas vias e deixar de ir ao youtube ver resumos do sporting.

coping*

não há maneira humanamente possível de me recompor. estou de rastos. continuarei a lamber solo durante alguns - temo que longuíssimos e exasperantes - tempos. a vida não continua, mas, não sei porquê, não deixei ainda de respirar. tenho que arranjar estratégias de coping (andava doidinho para escrever "estratégias de coping"), uma qualquer forma minimamente dignificante de lidar com a situação e não ser espezinhado enquanto rastejo com o que resta de mim.

*desporto matinal, alternativo ou complementar ao jogging, que consiste em não parar de beber copos de tinto.

terça-feira, janeiro 29, 2008

um bocadinho do mundo acaba de desabar, tirando isso está tudo bem.

o nick cave vem a portugal e eu não vou cá estar.
este blogue pára aqui até eu me recompor.

segunda-feira, janeiro 28, 2008

não tenho nada

tenho um gabinete numa empresa onde não trabalho, tenho um lugar cativo num estádio onde não vejo futebol, tenho um quarto numa casa onde não durmo, tenho uma garrafa num bar onde não bebo, tenho um post num blogue onde não escrevo, tenho tudo onde não tenho nada.

o funcionário público mcrae

metia quarta a fundo para chegar mais depressa ao fim de semana.

sábado, janeiro 26, 2008


sexta-feira, janeiro 25, 2008

consertação

quero ser o teu parceiro social só para te poder entrar no sindicato.

quinta-feira, janeiro 24, 2008

- are my breasts too small for you?
- sometimes.

[in Singles]

quarta-feira, janeiro 23, 2008

o escritor comunista

tudo o que escrevia estava protegido pelas leis de copyleft.

always look on the bright side

mesmo sem ser nomeado, o heath ledger vai aparecer na (eventual) cerimónia dos óscares.

terça-feira, janeiro 22, 2008

fodeu-se com uma overdose. era um dos mais talentosos actores da sua geração (peço desculpa pela frase). inúmeros talentos e virtudes, mas a história é injusta e tratará de o recordar como cowboy, paneleiro e drogado: dois defeitos num só.

[foto retirada da internet. quando ainda estava vivo, segundo parece.]

segunda-feira, janeiro 21, 2008

previsão

ah! pudera eu ao menos tocar uma vez mais
os teus cabelos ondulando ao vento
fraco a moderado de quadrante este,
mas tudo o que me sobra é o lamento.

só me resta recordar
como foi bom aquele dia de chuva
com possibilidade de ocorrência de aguaceiros
em que nos amámos, só nós dois
naquela praia, a ver as ondas
até quatro metros no litoral oeste.

ou aqueloutro, em que o sol brilhava
vinte e cinco graus de temperatura máxima
e fugimos para o mar, num barco à vela
e vimos ao longe, lá longe, bem longe
o sistema montanhoso montejunto-estrela.

nessa noite, que saudade!
amei-te por trás, durante quase quinze minutos
prometeste jamais contar ao teus pais
e regressar para junto de mim
num dia de nevoeiro ou neblinas matinais.

mas hoje olho em volta e vejo-me só
triste, decrépito e amargurado
deixo-me apodrecer, consumido por tamanhas dores
conto as horas, à espera de um novo amanhã
porém o tempo não te traz, só me maltrata.
e já são quase duas da manhã
menos uma hora nos açores.

sexta-feira, janeiro 18, 2008

what else?

só no outro dia descobri que uma italiana consiste em apenas queimar os lábios pelo preço de um café inteiro. logo eu, que tinha as italianas em tão boa conta.

refresh

sempre que alguém deixa o respectivo blogue sem actualizações durante semanas, meses, é-me inevitável pensar no que estará por detrás do abandono. que problemas? que motivações? às vezes penso que o bloguer morreu. ou, ainda pior, que se casou.

quinta-feira, janeiro 17, 2008

o chefe de culinária geólogo

o seu sonho era fazer feldspato com laranja.

terça-feira, janeiro 15, 2008

como ninguém percebera o seu livro, o autor via-se regularmente envolvido em citações embaraçosas.

quandos

quando lhe faltava uma cadeira para acabar o curso, desistiu. quando lhe faltava um mês para acabar o contrato, demitiu-se. quando lhe faltava um dia para sair da prisão, matou. quando lhe faltava um cromo para acabar a colecção, rasgou-a. quando lhe faltava uma semana para ser pai, abortou. quando lhe faltavam escassos meses de vida, suicidou-se. quando já não lhe faltava nada, morreu.

hooked on a feeling

dois dos meus blogues e bloguéres (a ver se arranjam tradução eficaz para isto, pá) preferidos, elencaram este url em que vou botando faladura na forma de caracteres qwerty no final do ano transacto, que dizem-me que já passou, num tom vagamente elogioso, ao qual tentei (juro que tentei) ficar indiferente. mas neste(s) caso(s), não consegui.

assim, em jeito de agradecimento e com umas semanas de resistência de atraso, cá vai um carinhoso - estou um lamechas, hoje - abraço multiplicado por dois. ao pedro e à shyznogud: obrigado, muito obrigado. acompanhado de um caloroso sound trash™.
david "o herói de todos nós" hasselhoff - hooked on a feeling

segunda-feira, janeiro 14, 2008

o que pode explicar muita coisa

passei grande parte da minha adolescência (até anteontem, portanto) a ouvir isto:

"él tenia una navaja, y tu por desgracia no
así es la puta vida en este mundo cabrón.
(...)
al final hubo partido y tu hiciste de balón
así es la puta vida en este mundo cabrón."


Mundo cabrón, dos enormes La Polla Records.

domingo, janeiro 13, 2008

portugal - europe's west coast


googlex

casais a fuderem continuam a entrar aqui ao engano e aos pontapés.
cada vez há menos esperança para um país que até no calão dá erros.

sexta-feira, janeiro 11, 2008

i have a dream

a fina nata de blogueres diz que começou a escrever por causa da coluna infame. quando a coluna infame acabou eu ainda não era nascido, pelo que pode ser atribuída a um erro geracional a falta de qualidade do escribão que aqui assina.
ainda assim, sonho com o dia em que serei eu a influência de novas gerações. o dia em que milhares de jovens dirão:
"- vi este blogue e pensei: se ele pode fazer esta merda eu também posso."
no fundo, aspiro a um dia vir a ser para os outros aquilo que o abrupto foi para mim.

só uma dúvida

já alguém foi preso por não ter cão?

comunicação importantíssima ao país e ao mundo

dói-me a barriga.
não gosto de compota de morango. não gosto de compota nenhuma. as compotas parecem-me quase sempre fruta que ninguém comeu misturada com açucar. quando não me parecem fruta que ninguém comeu misturada com açucar parecem-me fruta que alguém comeu misturada com açucar.

quinta-feira, janeiro 10, 2008

momento paulo coelho do dia

se és uma ave, voa. a não ser que sejas uma avestruz.

go obama

quarta-feira, janeiro 09, 2008

dias felizes

inútil, prostrado, acamado, acorrentado, arrasado, perdido, bandido, amargo[rado], atrasado, abstémio (há quase quinze minutos), incapaz e frustrado.

terça-feira, janeiro 08, 2008

grandioso concurso: onde é isto?

domingo, janeiro 06, 2008

estrela popular

naquele dia mágico apareceram-lhe três reis, mas nenhum era o de trunfo.

o nervosismo crescia à medida que se aproximava a hora do jantar. ia finalmente conhecer os pais da namorada. dois seres assustadores encantadores que, se tudo corresse mal, iriam ser os seus futuros sogros. para o resto da vida, ainda que tudo corresse bem e lograsse o divórcio. tomou banho, vestiu a sua melhor camisa e trocou os tinteiros para causar boa impressão.

o problema

o pior não é a vida serem dois dias. é um deles ser domingo.

frases desfeitas #25

[ou: auto-retrato num bar qualquer]

a cerveja no copo do tolo.

luiz pacheco

revejo o mulholland dr. pela seilágésima vez. percebo tanto como da primeira. toda a gente tem uma teoria sobre o mulholland dr., eu tenho apenas um par de palpites que não chegam sequer a ser uma teoria. uma vez conversei com alguém que "percebeu o filme todo". eu acho que "perceber o filme todo" é não perceber nada do que o lynch anda a fazer no mundo.

as histórias vendidas aos retalhos, os pormenores desconexos de memórias imaginadas, avulsas e sublimes, absurdas e geniais. só contam histórias assim alguns - pouquíssimos - génios, que nem sequer as querem contar. mas contam. em portugal só havia um génio assim. que conta a sua história e manda o mundo para a puta que o pariu mais as suas teorias, pensamentos, reflexões e tentativas de compreensão. só havia um assim. só houve um assim. só há um assim.

sábado, janeiro 05, 2008

ruas da amargura

sexta-feira, janeiro 04, 2008

a boa notícia do dia

já posso ir descansado aos pastéis de belém.

confirma-se

o jogos de poder é o making of do rambo 3.

quinta-feira, janeiro 03, 2008

exercício de mediocridade #7

farto de anos velhos, o meu único objectivo é causar dano novo.

o problema

o problema é que a maior parte das tascas que frequento cheiravam melhor quando se podia fumar lá dentro.

"antes de conhecer este blog eu achava que era bipolar."

não obstante anónimo, é o melhor elogio que já fizeram a este url.

[é o segundo comentário ao post abaixo e juro que não fui eu. e que me caia já aqui a asae na casa de banho se estou a mentir.]

domingo, dezembro 30, 2007

2008

nada prometerei. ainda assim, falharei todas as promessas. prometo.
mas ao menos fá-lo-ei num ano com jogos olímpicos, que, bem vistas as coisas, são a única coisa para que serve um ano ser bissexto.

2007, o balanço final

a todos aqueles que desiludi em 2007 - que são muitos - as minhas desculpas.
a todos aqueles que não desiludi em 2007 - se os houver - as minhas desculpas. não desesperem.

dois mil e sete - música

se fosse fazer um top dos melhores discos do ano, corria o risco de ser a única pessoa a não endeusar os national e o seu boxer. não faço tops de discos do ano porque, apesar de em 2007 o jp simões me ter feito nascer em 1970, o james murphy se ter reinventado e dado o melhor concerto do ano no sbsr, os arcade fire terem lançado o segundo melhor álbum da carreira, o eddie vedder ter composto a melhor banda sonora original da história do cinema, o boss ter feito a magia de me levar a paris, um senhor chamado nick cave fez esta obra de arte, passe a redundância.

dois mil e sete - filmes

o melhor filme de 2007:


o melhor filme de 2006 que só vi em 2007:

ah, no call girl (e não, não vou falar das duas vezes em que o microfone - microfone? - entra no plano da filmagem em cima e não é cortado, nem de quando o nicolau breyner a conduzir olha para o seu lado esquerdo e a câmera é reflectida nos óculos escuros espelhados) há duas ou três coisas a dizer:
a) há uma cena em que está a ser transmitido o funeral do álvaro cunhal. pouco tempo depois, o josé raposo aparece a ler o sol. e não estamos a falar de saltos cinematográficos no tempo. este hiato temporal confirma-se quando no final do filme surge o calendário de 2007.
b) o nicolau breyner, a conduzir, diz que "daqui a 20 ou 30 minutos" (ou uma quantidade de minutos parecida) está em lisboa, quando é filmado num cruzamento a meio caminho entre serpa e beja.
c) consegui escrever mais de meia dúzia de linhas sobre o call girl sem falar nas mamas da soraia chaves.

sexta-feira, dezembro 28, 2007

2007: 12 meses, 12 blogues, 12 frases.

JANEIRO
"a dona idália continuará a perguntar-me «é só»; um dia respondo-lhe «sou»" (azia)

FEVEREIRO
"evolução
de pombo correio a mocho de recados" (pimpinela)

MARÇO
"Varlhöll. O senhor mister Jesualdo Ferreira ou padece de dissonância cognitiva ou não sabe o que diz" (Nicky Florentino)

ABRIL
"Alguém que fala a nossa língua é alguém com quem temos uma relação de enorme intimidade. Isto é, alguém ao lado de quem podemos cagar." (filigraana)

MAIO
"Viagem imaginária
A Daniela quer ir a África para conhecer Macau. Eu quero ir com ela." (Henrique Fialho)

JUNHO
"Superficial
Gosto mais de ti pelo teu corpo de intervenção do que pelos teus serviços de inteligência"
(Samuel Úria)

JULHO
"O problema da amizade é que somos homens" (Paulo Ferreira)

AGOSTO
"A vida sem depressores do sistema nervoso central
Como será?" (Eduardo)

SETEMBRO
"Ruca só acreditava na hipótese de uma funtastic life se lhe instalassem uma power broche" (pedro vieira)

OUTUBRO
"O homem da sua vida
Eu nasci para fazer as mulheres felizes. Depois de mim, todas encontram o homem da sua vida" (Tiago Galvão)

NOVEMBRO
"toda a generalização é idiota. incluindo esta." (Rui Miguel Brás)

DEZEMBRO
"Em rigor, a literatura poderia ser babelicamente arrumada nas prateleiras de auto-ajuda"

o trabalho adia-se porque não vale a pena, os telejornais substituem o habitual enchimento de chouriços pelos melhores chouriços do ano. fazem-se balanços e elencam-se as figuras do ano. fazem-se mais balanços e descobrem-se o melhor desportista do ano, o melhor político do ano, o melhor apresentador de pragramas de entretenimento do ano (que muitas vezes coincide com o melhor político do ano), o melhor músico do ano, o melhor escritor do ano, o melhor porteiro de prédio do ano, o melhor josé mourinho do ano. esta semana não existe. os corpos arrastam-se até ao fim do velho com a esperança de chegar ao novo. o calendário insiste em mostrar-nos estes dias entre o natal e o fim do ano, mas esta semana não existe. e se não fosse a benazir ninguém tinha dado por ela.

quarta-feira, dezembro 26, 2007

basta, João, basta!

estou bastante (extremamente, mesmo) indignado comigo próprio. ao longo do tempo tenho manifestado atitudes e opiniões com as não me é possível conviver. opiniões e modos de estar comigo que não só extravasam a esfera da salutar convivência democrática, como ultrapassam o limiar do aceitável, em termos de uma relação intrapessoal condigna. é, portanto, inaceitável continuar com esta situação, cujo mau-estar não consigo esconder. tornou-se insuportável o convívio comigo e chegou a hora de dizer basta. e assim anuncio que abondono este blogue. sem dramas, sem ressentimentos. calma e pacificamente abandono este blogue através deste post que será o último que escrevo. agradeço o convite que me fiz para integrar este blogue, mas a minha participação, que se pautou sempre por um espírito de respeito para comigo, fica por aqui. é com tristeza que constato que o respeito, que julgava mútuo, há muito desapareceu da minha parte. é com alguma mágoa (mas sem surpresa, confesso) que assisto a manobras de bastidores que tentam empurrar-me para fora deste blogue (e a prová-lo tenho um mail que me enviei há pouco). é repugnante perceber que tenho como objectivo sujar o meu bom nome e trair uma relação que dura há anos. inclusive dei um jeito ao cotovelo, ao tentar dar-me uma facada nas costas. basta de me vangloriar em público e desprezar-me em privado. estou farto de mim. na impossibilidade de ser eu a sair, não me resta outra hipótese senão optar pela minha saída. saio e deixo-me sozinho, desejando toda a sorte do mundo a mim próprio, apesar de não concordar com nada do que digo, nem com a forma como o digo. não, não sou eu que saio por minha vontade deste blogue. sou eu que me expulso deste blogue. não, não me posso expulsar se já saí. não, agora não sou eu que saio. expulso-me, categórica e irrepreensivelmente deste blogue. estou farto de mim. sai. saio.
adeus.

apesar do david hasselhoff, não consigo encontrar uma boa razão para este blogue continuar a existir. (e a palavra-chave aqui é boa.) o facto de eu pensar isto sobre o meu próprio blogue parece-me a melhor razão para ele continuar a existir.

terça-feira, dezembro 25, 2007

season's greetings

domingo, dezembro 23, 2007

feliz coiso

[let me sleep, pearl jam]

apesar do frio, preferia a esplanada. sentava-se e olhar para as magras. abria o jornal e só lia as gordas.

o advento e a vulgarização do leitor de dvd marcam a transição entre duas maneiras diferentes de encarar o natal. diria mesmo que constitui uma fronteira bem marcada entre duas gerações. os sub-18 de hoje jamais perceberão que estar sujeito à "programação de natal" na televisão não era uma escolha, mas uma inevitabilidade. rever o sozinho em casa vezes sem conta, aturar comédias infanto-adolescentes na tarde de dia 24, os concertos de natal na consoada ao ritmo das meias desembrulhadas, a missa no canal 2. passar rapidamente para o canal 1. bem sei que havia o vhs, mas o clube de vídeo estava fechado. agora, com o dvd disponível 24 horas diárias, já não se dá o devido valor à quadra. sinal dos tempos: ainda não vi o sozinho em casa este ano (mas parece que já deu), mas já tenho ali guardado o belleville rendez-vous e um ou dois tim burtons para suportar o tempo que falta para poder começar a beber.

when i must remove your wings
and you, you must try to fly.

nick cave
, the ship song

quinta-feira, dezembro 20, 2007

mais coisa menos coisa, é isto.

os franceses a ver um concerto parecem estar num funeral. no próprio. e não sabem dizer bruce. não consigo ter respeito por uma língua que não sabe pronunciar correctamente bruce. o bruce tocou o because the night. a cerveja bebe-se ao preço do whisky. a mona lisa lá continua, com cara de quem lhe estão a pôr o dedo no cu e ainda não decidiu se gosta. a sacana da torre é mesmo grande. a shakespeare & co. tem à venda livros, por assim dizer, do paulo coelho. na fnac dos champs elyseés os xutos estão na secção pop latino, ao lado do juanes e da shakira. o sarkozy anda a comer a carla bruni, mas isso já devem saber. há festas muito, muito boas. não beijei a campa do oscar wilde. a easy jet é uma merda. em paris está - termo técnico - um frio do caralho.

sexta-feira, dezembro 14, 2007


bruce springsteen & michael stipe, because the night

cinco dias em paris

se não se importam, vou ali a paris ver um concerto do bruce springsteen e se calhar já volto. não é fácil, mas se alguém tem que sofrer por todos vós, que seja eu. pode ser que volte e faça um resumo.


[ps: por razões óbvias, um post que combina o bruce sprignsteen com paris sai com uma humilde dedicatória especial ao jmf. um abraço.]

quinta-feira, dezembro 13, 2007

arrematador

foi um amor de paixão à cova.

para ela tudo girava à volta de sapatos. a vida era feita de saltos altos e baixos.

dos pés à cabeça

não há sinapses com os pés gelados.

fixo um olhar vago no ecrã. espreito à volta, desconfiado do que aí vem. passo por este post como passo pela vida. à espera da frase perfeita, à procura da foto perfeita. espero que a inspiração me atinja acordado. espero em vão e adormeço. está frio e é difícil adormecer com os pés frios. estranha humanidade esta que sobrevive a holocaustos e vai à lua só para fazer chichi (chichi ou xixi?). estranha humanidade esta que sobrevive a holocaustos e vai à lua só para mandar uma mijinha mas não inventa uma maneira eficiente e duradoura de manter os pés quentes. ou moderadamente mornos, sequer. suportáveis, ao menos. tinha duas ou três coisas a dizer, importantíssimas para o futuro da felicidade, mas está frio e fica para outra altura. talvez a humanidade subsista sem saber que está uma versão muito gira do "there's no night out in the jail" na compilação de lados-b e raridades do nick cave e das bad seeds. mora na faixa 6 do vol. ii. o mesmo que começa com o dueto com o shane macgowan e o what a wonderful world. ou que vale mais cada um d' os contos de algibeira do que dez tratados do sousa tavares juntos. talvez a humanidade sobreviva a esta ignorância. desconfio que sim, mas amanhã saberemos. por falar em amanhã (que parece que já nasceu e se chama hoje) parece que é um dia muito importante no futuro da europa. não queria exagerar, mas sim: vou cortar o cabelo.

quarta-feira, dezembro 12, 2007

não abrir o blogger durante dois ou três dias sempre me dá a sensação que tenho alguma coisa mais interessante para fazer.

segunda-feira, dezembro 10, 2007

dia internacional dos direitos animais

coitados dos vermes.

dia internacional dos direitos humanos

pinochet: há um ano a servir de refeição a vermes.

para provar que o suicídio não é um acto cobarde, encheu-se de coragem, respirou fundo e encostou o cano à cabeça. fechou os olhos e carregou no gatilho. nunca chegou a contar a ninguém que tirara todas as balas.

domingo, dezembro 09, 2007

outra coisa que me causou indiferença foi aquilo que se passou lá no blogue da atlântico. não acompanhei a polémica. parece que foi uma polémica, apesar de polémica ser um termo bastante destroçado pelo uso corriqueiro. eu próprio mantive há pouco uma polémica com a minha mãe durante mais de cinco minutos, sobre a total irrelevância - do meu ponto de vista - de os meus cotovelos se encontrarem sobre a mesa. a minha mãe insiste no contrário e foi uma polémica que nem queiram saber. como dizia, não acompanhei a polémica da atlântico no momento. muito a custo e depois de ver ligações para o tema e todos os blogues do país e do mundo, lá fui espreitar. mas muito à pressa e apenas li cerca de 10% de cada post dedicado ao assunto. sou portanto a pessoa indicada para explanar aqui o meu ponto de vista. nem é tanto um ponto de vista com o carácter subjectivo inevitavelmente inerente a qualquer ponto de vista. é mais uma teoria praticamente comprovada. ei-la: o tiago mendes e o outro chatearam-se por causa do benfica-porto. that simple.

e isto parece-me tão óbvio que só não percebo como é que ainda ninguém o admitiu.

o último post d'época

estava aqui a escrever um texto (já ia grandinho, o menino) sobre a minha relação com o natal e os centros comerciais no natal e derivados. mas resumindo, estava para aqui a perder-me em vírgulas e recursos estilísticos apenas pelo(s) seguinte(s):


1. não gosto do natal (ou melhor, varia entre o não gostar e a indiferença*).
2. não compro presentes de natal.


* é mais indiferença do que não gostar. o natal é-me um pouco indiferente. só me chateia bastante ao nível de tudo o que é centro comercial. [excepção feita ao agradável chiado, que nestas coisas não conta.] só disso é que não gosto. não suporto, mesmo. e com um ponto de exclamação e tudo para terem bem uma noção de como me irrita o natal dos centros comerciais. ei-lo: !. insuportável o natal dos centros comerciais. isso e aquelas pessoas que falam do natal quando ainda faltam duas semanas.

lembrete d'época

manter-me afastado dos centros comerciais, manter-me afastado dos centros comerciais,
manter-me afastado dos centros comerciais, manter-me afastado dos centros comerciais,
manter-me afastado dos centros comerciais, manter-me afastado dos centros comerciais,
manter-me afastado dos centros comerciais, manter-me afastado dos centros comerciais,
manter-me afastado dos centros comerciais, manter-me afastado dos centros comerciais.


repetir baixinho durante todo o dia, até janeiro.

festa da taça

alguém me sabe dizer como é que ficou o europa-áfrica?

sábado, dezembro 08, 2007


nick cave & shane mcgowan - what a wonderful world

sexta-feira, dezembro 07, 2007

espírito d'época

santa clown is coming to town

os dois candidatos estavam tão entediados que aquele debate ficou conhecido como um frete-a-frete.

quinta-feira, dezembro 06, 2007

só uma dúvida muito muito rápida

o arcanjo gabriel pode ser considerado o primeiro teste de gravidez da história?

era um amor com prazo de validade e o tempo contado. durou exactamente três meses, quatro dias, duas horas e quinze minutos, sem tirar nem pôr. mais coisa, menos coisa.

o chefe de culinária navegador

o seu sonho era estrelar o ovo de colombo.

o chefe de culinária otorrinolaringologista

o seu sonho era fazer uma tarte de maçã de adão.

nasceu por obra e graça de espírito santo. morreu sem pagar a dívida ao bes.

na esquina dois mendigos. um mendigo rezava, o outro mendigo gemia. as horas passavam e um mendigo rezava, o outro gemia. ninguém parava e um mendigo rezava, o outro gemia. a fome matava e um mendigo rezava, o outro gemia. o dia passou, o mendigo que rezava morreu, o mendigo que gemia rezou.

quarta-feira, dezembro 05, 2007

foram (per)feitos um para o outro.

fiona apple, tonight you belong to me.

espreitou o relógio e percebeu que faltavam duas horas para acordar. tacteou as paredes do corredor até sentir o interruptor entre os dedos. deixou queimar os ovos que se esquecera de mexer. engoliu uma lata de atum e duas de cerveja. abriu o livro que prometera ler para o voltar a fechar três parágrafos depois. olhou para a janela que a preguiça impedira de fechar, sentiu o frio dos corpos mortos dançando a compasso no passeio. respirou fundo o cheiro a cadáver que a cidade teima em não enterrar. há muito que perdera a noção do tempo. olhou para o maço e percebeu que faltavam cinco cigarros para ir dormir.

in ovos mexidos com atum e outras estórias.

terça-feira, dezembro 04, 2007

coisas realmente importantes

um amigo diz-me que há dois tipos de pessoas: as que comem o ferrero rocher todo de uma só vez e as que o comem em duas dentadas.

mas eu como primeiro o chocolate da parte de fora, depois abro a bola ao meio, tiro a amêndoa e lambo o chocolate do recheio com a língua assim tipo minete*. em seguida como as duas metades da bola crocante e no fim como a amêndoa que não é uma amêndoa mas sim uma avelã.

et toi?



[*a primeira versão saiu um tudo-nada mais púdica, com um cunnilingus que tirava todo o ritmo à descrição. o que é importante, até porque consigo fazer isto tudo num incrivelmente pequeno espaço de tempo.]

segunda-feira, dezembro 03, 2007

percebemos que as festas e as multidões estão sobrevalorizadas quando a fazer-nos companhia temos o leonard cohen e uma garrafa de tinto.

agora é só arranjar o resto do poema (ii)

(...)
não há putas mais bonitas
do que as putas do meu bairro.

agora é só arranjar o resto do poema (i)

(...)
para que despertes
com os acordes
de uma guitarra.

a verdadeira missão de fé e sacrifício é ir de carro a fátima.

sim, 47 primaveras. mas tendo em conta o que se passou neste final de verão, apenas 46 outonos.

47 primaveras

quinta-feira, novembro 29, 2007

a SIDA é fodida

A SIDA é fodida.
Mas ninguém quer saber porque a sociedade pensa que a SIDA é uma doença de putas, drogados e paneleiros. E quem sou eu para mandar palpites sobre o que eu acho que a sociedade pensa? João, muito prazer.

A SIDA é fodida, já disse. Já a luta contra a SIDA, nem por isso. É, sejamos simpáticos, fraquinha. Frouxa, torpe e, na maioria das vezes, pueril e ineficaz. A luta contra a SIDA em Portugal tem sido - e digo-o muita a sério - uma brincadeira.

A maioria das campanhas do suposto combate à SIDA pode ser englobada em dois tipos: aquelas que têm baixíssimos níveis de visibilidade e aquelas cujo nível de eficácia na transmissão da mensagem vai pouco além do risível. E ora vão alternando, ora acumulam ambas as qualidades.

Sei que já lá vão uns anos, e que os tempos eram outros, e que não se podia dizer tudo o que se queria nem como se queria. Mas uma das primeiras campanhas de que me lembro, da Abraço creio, constava de um desenho colorido com um jovem (ou seria um casal?) “a voar” em cima de um preservativo, com um fundo azul, a Lua e estrelas amarelas. Ora, o impacto teria sido muito maior se os utilizadores de preservativo tivessem idades compreendidas entre os 3 e os 11 anos. Entretanto mudámos de século mas as imagens continuam com um grau de impacto comparável, como podemos verificar no histórico de campanhas da Abraço.

Aos olhos da sociedade (que desde o início do texto continua a pensar que a SIDA é uma doença de putas, drogados e paneleiros), a Abraço tornou-se mais um símbolo do que uma prática constante e eficaz de prevenção. A Comissão Nacional de Luta Contra a SIDA em 2004 traçou um plano nacional, em que a teoria prevalece de sobremaneira sobre a prática. Nesse plano, traça metas para 2006 (ainda temos tempo, portanto) no âmbito da prevenção e acesso a tratamento de infecções com VIH/SIDA que, ou pecam por excesso de optimismo, ou são demasiado genéricos, ou alguém deixou o trabalho a meio.

Se nos campos da detecção e do acesso a tratamento se registaram resultados motivadores, em termos de divulgação da mensagem (o alvo deste texto), parece-me que não estamos muito longe de quase na mesma. O actual instrumento governamental na área – a Coordenação Nacional para a infecção VIH/SIDA, é igualmente contido nessa área.

A mensagem a passar, convenhamos, não é muito difícil de compreender. Basicamente: a SIDA é má, o preservativo é bom. E se o conteúdo se revela bastante simples o problema está, claramente, na forma como é apresentado. A Abraço existe “porque a SIDA existe”. Usa preservativo, é a tónica dos slogans ao longo dos anos. Protege-te, faz o teste. E não se passa muito destas cândidas palavras.

O ritmo a que as diferentes campanhas vão pingando também não ajuda muito ao estabelecimento de uma convicção na mente da população-alvo. Ou é nos dias 1s de Dezembro, ou nos dias do peditório nacional da Abraço que se fazem mais notar. Uma campanha mais eficaz teria que passar forçosamente por uma massiva e explícita intervenção de vários agentes (governamentais, figuras públicas, pessoas infectadas), envolvendo todos os meios de comunicação e dar assim uma valente marretada nas ignorâncias, tabus, preconceitos e discriminações associadas.

O tom, esse, agressivo. Com conversa de meninos está provado que não vamos lá. É certo que o facto de haver mais infectados pode querer (e parece-me claro que quer) dizer que há muito mais gente a fazer o teste. Não obstante, revela uma certa parte de fracasso nas políticas e nas campanhas levadas a cabo. A recente notícia de que Portugal é um dos países em que o número de novos infectados por transmissão mais aumenta prova-o inequivocamente. O mais recente relatório do Centro de Vigilância para a infecção VIH/SIDA (se não for o mais recente, let me know) data de Junho de 2007 e os dados vão confirmando a tendência de evolução dos últimos anos.

E o aumento da transmissão é sintomático da contínua prática de comportamentos de risco. E porque é que isto acontece? Entre outras coisas porque as campanhas são o que são. Quase sempre, uma merda. Doce, é certo. Mas uma merda.

Como faria eu uma campanha? Começava pelos slogans. Seriam rudes, sem meios palavreados inúteis. Claros, mas duros e precisos. Rudes e vis. Ou algo do género:

Preservativos: são do caralho!
(e além de o serem - literalmente - isto era dito pelos Gato Fedorento e estava garantido o sucesso)

- Usa preservativo, caralho.

(Uma miúda com cara de má a apontar para o preservativo):
- Põe-te no caralho!

Fode mas não te fodas!

(Imagem do preservativo)
Manda-o foder!

(Ou mais light)
Whisky antes, cigarro depois. Preservativo durante.

(Multidão a manifestar-se na Av. da Liberdade)
Preservativo sempre! SIDA nunca mais!




E/ou outros da mesma estirpe. Acho que perceberam a idéia. Mas duvido que a sociedade (que vai continuar a pensar o mesmo) o permita. Podemos ter avisos inofensivos e inúteis ou imagens chocantes e hipócritas nos maços de tabaco, mas sexo explícito e palavrões na publicidade é que nunca.

E uma campanha deste género chocava a sociedade? Não tenho dúvidas que sim. E dava bastante mais visibilidade à prevenção da infecção pelo VIH/SIDA? Pois dava. E descredibilizava a Luta Contra a SIDA em Portugal? Claro. Mas se há coisa de que a a Luta Contra a SIDA em Portugal precisa neste momento é de ser descredibilizada. É a primeira a ter que mudar se quer que as mentalidades da sociedade se transformem. Em termos individuais não duvido do esforço tremendamente louvável de inúmeros agentes, profissionais e não só, na Luta contra a SIDA, mas em termos colectivos, meus amigos, andamos a brincar às prevenções.



Só que eu posso dizer asneiras à vontade (excepto no jantar de Natal), mas a sociedade não, embora não cesse de as ir fazendo. Pelo que duvido que uma campanha deste género - ou doutro, meu deus, desde que seja boa e eficaz! - venha a surgir este ano ou esteja para breve em Portugal.



E assim estamos e assim nos vamos ficando. Porque a SIDA existe, é certo, mas como toda a gente sabe é uma doença de putas, drogados e paneleiros.