there's time.
and if there's not
that's all right
too.»
- if i die, tell mom i love her.
- llwelin, your mom is dead.
- well, then i tell her.
há umas semanas escrevi isto e enviei para a minguante. como boa revista que é, a minguante não publicou esta treta.
baltazar tinha tanto azar na vida como no nome.
em jovem sonhava ser futebolista. entrou em campo com o pé direito. saiu lesionado.
mais tarde quis ser actor. os colegas desejavam-lhe muita merda, mas sempre depois da actuação.
estava tão convencido do azar com que tinha sido baptizado que se suicidou naquela quinta-feira 12.
- o que é que estás a fazer?
- a ler.
- sim, mas o que é que estás a ler?
- a ler.
- 'tá bem, mas estás a ler o quê?
- a ler.
- não sejas pateta, pá. estás a ler o quê?
- a ler. a revista.
- sim, mas que revista?
- a ler.
- oh, vai-te foder.
- também não é preciso seres ordinário.
tresleio sempre aquilo do bloco de esquerda como: juntar forcas.
só para avisar os mais incautos (que os há - oh!, se os há) que o enorme José Bandeira publicou mais aventuras do Rufino. o mais incrível é não ser preciso pagar para ler coisas destas:
"Rufino tentou o solipsismo, mas as outras pessoas não paravam de existir."
a vida é uma passagem de nível. sem guarda. no fundo a vida é um jogo do super mário.
e, antes que me esqueça, um abraço ao miguel cardina.
fui o alvo dos teus raios
te partam, em cheio,
parece impossível.
fui caindo no vazio
de uma rima previsível,
puta que pariu.
fizeste promessas, mentiras,
nem tiras nem pões
as mãos no fogo, lento,
futuras traições.
eu quero, mas não sei se devo.
e entre o deve e o haver,
o leve e o lazer.
agora foges, ó topete
debaixo dos pés, pelas mãos
que apertam
o nó na garganta.
afunda a cruz ao fundo do túnel,
carreguei, não vi a sacra
mas o calendário não engana
e todos os dias
são sexta-feira santa.
(que pouco dura a emoção,
tão pouco cura o coração.)
eu quis fintar a saudade
mas nunca fui bom no um p'ra um.
depois da bonança, tempestade
e o jogo adiado, ad eternum.
ainda quero, mas não sei se devo.
e entre o deve e o haver,
o breve e o prazer.
a vida é só isto
e pouco mais nada:
afago as mágoas
num copo de tinto.
absinto muito
e glórias passadas
a ferro, mortas,
sepultadas
e fósseis,
elos perdidos
a meio do caminho,
uma espécie de jogo já extinto.
(lembras-te?)
entre uma casa
comigo, imberbes, petizes,
ficávamos no meio da rua
da amargura, e felizes.
hoje quero, mas sei que não devo.
e entre o deve e o a ver,
que breve é o prazer.
e ora eu, ora tu
muitos oras depois,
eu roma e tu atenas.
o eterno jogo: ódio-amor.
dois para dois,
balizas pequenas.