sexta-feira, abril 03, 2009

suicide soul*

é dado assente (e relativamente aceite pela generalidade das pessoas) que, mais tarde ou mais cedo, cometerei suicídio. contudo, não me invejeis. cometeremos todos, mais dia menos noite. na verdade, estamos em processo de suicídio desde o dia em que nascemos. uns com mais sucesso do que outros. isto é como tudo. é a vida. o segredo é não precipitar as coisas. e cá vamos, alegremente respirando.


* dEUS, when she comes down.

textículo

não olhes assim para mim. não tenho culpa. não fiz nada. nunca fiz nada. limito-me a existir. não olhes assim para mim. sou só um texto. estou aqui. limito-me a estar aqui. nem sequer existo. sou só um texto e estou aqui. que faço aqui? que merda de pergunta. e tu, que fazes aqui? também não gostas de perguntas parvas, pois não? eu sou só um texto ridículo e estou aqui. e estou bem aqui, obrigado por perguntares. e, crê-me, ficarei por aqui. pelo menos até tu fazeres scroll down. ainda assim olhas para mim, desconfiado. mas eu não tenho culpa da tua tristeza. sou só um texto, afinal de contas uma história qualquer. uma vida qualquer. a tua. eu sou só um texto. e estou aqui. tu, nem sei. mas que vou eu saber se sou só um texto? um conjunto de letras e pontos finais. mais nada. ok, um ou outro ponto de interrogação, mas foste tu que começaste com essa merda. eu ia chegar ao fim sem te perguntar nada. não olhes assim para mim. não tenho culpa. sou só um texto ridículo e, por estranho que pareça, estou bem aqui.

quinta-feira, abril 02, 2009

só.

que faz um homem só? para começar não devia fazer perguntas mas um homem só não faz o que devia. nada do que um homem faz é o que faz um homem só. nada faz um homem só. um homem só faz o que faz um homem só. um homem só não faz nada. nada faz um homem só. um homem só vive. um homem só bebe. um homem só respira. um homem só não existe. a solidão não faz um homem só. um homem só não faz nada. nada faz um homem só. só um homem faz tudo. que faz um homem só? um homem só faz o que faz um homem só. um homem só. um homem, só. um homem. só. um. só.

quinta-feira, março 19, 2009

suicide notes #1

«drink more beer.
there's time.
and if there's not
that's all right
too.»

[excerto final de how to be a great writer, charles bukowski.]

and i can't break the chain

eo pedro manda-me a corrente da página 161, que alguém já baralhou e voltou a dar a volta. no ido de 2007 tinha dois livros à mão. de semear, que é como quem diz aqui ao pé. hoje não, tenho que ir à estante. o pura anarquia do woody allen não atinge as 161 páginas. estico mais o braço. o calvin & hobbes. seja. quinta frase ou quinta linha? quinta tira. seja. não, quinta fala. há uma tira em branco. a quinta frase aparece na sexta tira e diz o pai do calvin: «para isso vais ter que trabalhar muito.»

o joão pede-me 6 verdades e 3 mentiras. a m., 16 coisas - dezasseis - aleatórias sobre mim. não conheço dezasseis coisas aleatórias sobre mim e nunca tive jeito para dizer verdades. sou um gajo sem idiossincrasias, o que me impossibilita a resolução eficaz de tamanha empreitada. no entanto, nunca fui ao dentista. não sei se conta.

o andré benjamim já não se lembra, mas, vai para quase um ano, instava-me a enumerar seis canções seis marcantes da minha vida. fica uma, em jeito de resumo.


o chefe de culinária grego

gosta que todas as refeições sejam uma feta.

segunda-feira, março 16, 2009

isto não é um classificado

ando há anos à procura de casa.

se a vida te dá limões, caga na limonada e usa-os para diluir a droga.

sexta-feira, março 13, 2009

[pausa]

everybody knows this is nowhere.

quinta-feira, março 12, 2009

murphy's law meets bruno aleixo

joguei no euromilhões e saiu cocó.

quarta-feira, março 11, 2009

atenção: pode conter spoilers.

confesso: gosto de cinema. reformulo: antes de adormecer, gosto de ver um filme. é normal que amiúde assista a muita película desinteressante e efémera. mas, de tempos em tempos, lá aparece um que me marca de uma forma especial. foi o caso do filme que vi ontem à noite e que passo a relatar. não me recordo do título. sou péssimo para títulos. há a acrescentar a isto o problema que as traduções dos títulos impõem a pessoas com a mínima dignidade. divago. deixemos essa problemática para outro dia e foquemo-nos no importante. a história. pedro paixão diz que «deus inventou o mundo porque gosta de histórias.» talvez seja mais correcto dizer: deus inventou o mundo porque eu gosto de histórias. são as histórias que me atraem num filme. por exemplo, mais do que a acção e as explosões, é a complexidade dramática que me apaixona. são as estruturas narrativas que me fascinam. é a luta contra o sistema e a ânsia de justiça e liberdade de um homem ostracizado, solitário e apaixonado que me comove nos dramas de william wallace, harvey milk ou john mcclane.

no filme que vi ontem, narrava-se com mestria a história de james. james é um homem apaixonado. james e michelle mantêm uma relação especial para a época (a acção do filme decorre na américa conservadora dos anos setenta). james, apesar dos constrangimentos subsequentes ao preconceito que a sociedade revela perante o homem moderno, não se inibe de mostrar o seu amor por michelle, sua companheira de longa data, várias vezes por dia e em diferentes divisões do seu minúsculo t1. james e michelle surgem aqui como uma personificação de uma classe média baixa, explorada e que, impossibilitada de se exprimir livremente na rua, o tem que fazer no recato do lar. o drama da exploração das mulheres por uma sociedade maioritariamente machista é-nos relatado de uma forma exímia pela personagem de michelle. mulher lutadora que, para garantir a sobrevivência, se vê obrigada a acumular diferentes profissões. michelle é cozinheira durante o dia e enfermeira à noite. ao fim de semana michelle é polícia, numa bonita metáfora premonitória da forma como as mulheres acabariam por integrar um mundo até então reservado aos homens. mas o drama de james não é apenas familiar. james é um operário da canalização que se revolta contra a exploração e subtracção de direitos que o sistema capitalista lhe impõe, e que, com o ímpeto subservivo dos resistentes, não abdica de lutar pelo direito à felicidade e prazer no trabalho. numa destas acções com um fundo metasindicalista, james é obrigado a fazer horas extraordinárias não remuneradas ao domicílio e acaba por se envolver com rebecca, uma atraente secretária a cujos encantos james se viria a render. james regressa mais tarde a casa de rebecca, já em horário de expediente (e dia de folga para ela), e acaba por se envolver de uma forma arrebatadora numa relação extraconjugal. nesta altura o drama interior de james intensifica-se. james é um homem dividido: amargurado pela possível reacção de michelle, mas preenchido no seu espírito aventureiro. é sempre claro que james sente algo por rebecca. james não é indiferente à forma carinhosa com que rebecca grita o seu nome, chegando mesmo a tratá-lo por jimmy. james é, todavia, um homem honesto e revela o seu segredo a michelle. michelle, muher corajosa desde o início, revela-nos mais uma vez uma mentalidade pouco habitual, novamente rompendo com os convénios sociais e não só aceita a relação de james com rebecca, como acaba por partilhar o seu afecto por rebecca, numa arrebatadora cena final que comoveria o charles bronson. é a enternecedora vitória da liberdade, a vitória do amor sobre todas as coisas. não sei se se nota, mas este foi um filme que me tocou muito.

não façam barulho que eu estou a dormir.

segunda-feira, março 09, 2009

este país não é para velhos

este país não é para velhos (2)

- if i die, tell mom i love her.
- llwelin, your mom is dead.
- well, then i tell her.

domingo, março 08, 2009

ela pôs-lhe as malas à porta. ele era tão preguiçoso que saiu pela janela.

o romântico militar

terminava o telefonema dizendo lover and out.

desculpem, isto já passa.

diz uma mosca para a outra: «ah, filha duma granda pupa!»

sábado, março 07, 2009

não tenho talento para nada. a não ser para a auto-depreciação.

«Procrastination is the art of keeping up with yesterday.»
[George Carlin]

sexta-feira, março 06, 2009

o meu lado conservador (reprise)

e quando digo água das pedras quero mesmo dizer água das pedras. sem modernices de vidago nem sabores.

o meu lado conservador

continuo a dizer «carrefour de telheiras».

now i wanna be your dog

não sou de me queixar, mas há dias piores que os dias maus. e os dias passam, no adia-adia da vida. e um gajo, coiso. vê os dias passar, passarinho, pasarão. no pasarán. e um gajo resiste. e um gajo desiste. não há assim grande diferença. e mesmo que haja ninguém nota. ninguém vê, ninguém repara o que está estragado. cheira mal que fede, confunde-se com lixo e porta fora. fechada à chave. sem fendas, não te ofendas. ou ofende, tanto faz. ninguém faz nada. nunca ninguém faz nada, são uns malandros. como o arroz. todo, que a fome aperta. e um gajo, coiso. arrasta-se no pára-arranca, que consome o gasóleo da vida. queria ser um cão, só para te poder mijar nas rodas do carro. mas nem cão sou, e só rastejo. mas um gajo, coiso. lá sorri, como está passou bem. vai-se andando, diz que chove. e um gajo, coiso.




quinta-feira, março 05, 2009

entretanto fiz uma chamada internacional. o post anterior fica sem efeito.

nem tudo são más notícias

para compensar, o saldo no telemóvel é superior ao saldo da conta bancária.

terça-feira, março 03, 2009

tu, môr.

humor refrescante: escorregar numa casca de banana e cair numa piscina. um tipo de humor muito praticado no final dos anos oitenta pela equipa de almada nos jogos sem fronteiras.

humor inteligente: o einstein escorrega numa casca de banana. muitas vezes incompreendido, não requer explicação para pessoas inteligentes.

humor negro: o nino vieira escorrega numa casca de banana. humor muitas vezes confundido como sendo de mau gosto e racista, mas não tem nada de racista.

humor ácido: escorregar numa casca de banana e cair de cara num frasco de ácido sulfúrico. um tipo de humor muito apreciado no sul de itália e pelo mickey rourke.

humor físico: o eisntein a escorregar numa casca de banana. há quem não considere isto como humor físico, mas é tudo muito relativo.

da estupidez enquanto argumentário

aquando do referendo sobre o aborto, chegou a insinuar-se que só as mulheres deviam votar, porque os homens não têm nada a ver com isso. sobre o casamento entre pessoas de sexo não oposto, chega a parecer que é preciso ser maricas - ou bispo - para opinar. pelo menos é recorrente o incompreensível (para mim, ok) argumento do «eu até tenho amigos gays». «até», vejam lá bem como sou tolerante. é só para avisar que, se quiserem falar comigo sobre eutanásia, é favor falecerem primeiro.

o principal problema do país é a quantidade de pessoas que chama papel celofane à película aderente.

quinta-feira, fevereiro 26, 2009

era tão inteligente que todas as suas notas mentais eram de vinte valores.

amava-a tanto que só se vinha na cara das outras.

saiu para comprar tabaco e só voltou cinco minutos depois.

mentia com todos os dentes que tinha na boca. porém, quando tirava a placa, dizia toda a verdade.

sim, taxe.

no início era o verbo. mais tarde apareceu um sujeito. por fim chegou a mulher, complicou tudo e inventou a gramática.

chegava sempre tão atrasado que só brincava à quarta-feira de cinzas.

quinta-feira, fevereiro 19, 2009

quarta-feira, fevereiro 18, 2009

há umas semanas escrevi isto e enviei para a minguante. como boa revista que é, a minguante não publicou esta treta.


baltazar tinha tanto azar na vida como no nome.

em jovem sonhava ser futebolista. entrou em campo com o pé direito. saiu lesionado.

mais tarde quis ser actor. os colegas desejavam-lhe muita merda, mas sempre depois da actuação.

estava tão convencido do azar com que tinha sido baptizado que se suicidou naquela quinta-feira 12.

prémio: ai que o próximo é o último.

os coldplay são o herberto hélder da música.

terça-feira, fevereiro 17, 2009

em linha rectal

hemorróidas are really pain in the ass.

dirigiu-se aos perdidos & achados da estação e disse que tinha perdido o comboio.

hora tonta

aquilo devia chamar-se segunda não-circular.

um dia perceberemos que, na verdade, isto é tudo a fingir.

sábado, fevereiro 14, 2009

especial dia dos coisos

segunda-feira, fevereiro 09, 2009

diálogo verídico que eu acabei de inventar

- o que é que estás a fazer?
- a ler.
- sim, mas o que é que estás a ler?
- a ler.
- 'tá bem, mas estás a ler o quê?
- a ler.
- não sejas pateta, pá. estás a ler o quê?
- a ler. a revista.
- sim, mas que revista?
- a ler.
- oh, vai-te foder.
- também não é preciso seres ordinário.

domingo, fevereiro 08, 2009

o que também faria sentido para enfrentar a crise

tresleio sempre aquilo do bloco de esquerda como: juntar forcas.

sábado, fevereiro 07, 2009

RT

se o casablanca fosse um filme porno:

«toca-te outra vez, sam.»

road show

a relação dos portugueses com os piscas é igual à relação dos portugueses com os preservativos. sabemos onde estão, podem evitar acidentes, mas quase ninguém os usa.

adivinha quem voltou

só para avisar os mais incautos (que os há - oh!, se os há) que o enorme José Bandeira publicou mais aventuras do Rufino. o mais incrível é não ser preciso pagar para ler coisas destas:

"Rufino tentou o solipsismo, mas as outras pessoas não paravam de existir."

sim, por incrível que pareça, ainda me vou dando ao luxo de respirar.

ainda - e sempre - as lágrimas do federer

não obstante o já natural delay, tentei em vão servir uns quantos clichés metaforizados ao longo de outras tantas linhas, em género de passing-post sobre as (ainda e eternas) lágrimas do federer. com indisfarçável embaraço nem cheguei ao tie-break e apaguei isto tudo.

cheguei a ter aqui escrito no lugar da presente, uma frase a tentar provar que as lágrimas do federer - imaginem a piroseira - eram as lágrimas de um pirata que, sentado na costa, vê o barco conquistado afundar-se ao longe, em alto mar. umas lágrimas de impotência perante o irreversível.

no wimbledon de 2007, federer despediu o discurso de vitória com um premonitório e certeiro «before rafa takes it all». federer conquistou o barco antes do previsto e agora vê o tempo a escapar-lhe. lei da cruel vida para um pré-reformado; requintes de injusta malvadez aos vinte e sete escassos anos. federer é um homem claramente aborrecido. sem barcos para conquistar foi passear para a praia. agora, as nuvens negras carregam a imagem de um rafa taking it all e desenham a sombra de um sampras inatingível. o alto mar, visto da costa, é um lugar inacessível. federer é um homem claramente aborrecido. como é que federer resume isto tudo? com um simples, e certeiro, claro: «this is killing me», australia 2009. federer é um homem aborrecido. com a vitória, com a derrota, com o jogo. com a vida. ganhará jogos (quiçá finais) a nadal. ganhará grands slams. acabará por bater baterá o record de sampras com a naturalidade de sempre. (record esse que será depois batido - ou mesmo posteriormente pulverizado - por nadal; outra conversa). nem que seja ao ritmo de um grand slam por biénio, federer fará isso tudo, é certo. mas há algo do federer que conhecemos que morreu na australia, melbourne, 2009. as lágrimas do federer são as lágrimas de um génio. ele viu, muito antes de nós, ali, a sua morte. e sentiu-a. e chorou-a. agora está morto e ninguém espera que o pirata morto vá navegar de novo. mas também ninguém espera que um pirata se chame federer.

segunda-feira, fevereiro 02, 2009

domingo, fevereiro 01, 2009



uma coisa é certa: o problema é não sabermos qual.

quarta-feira, janeiro 28, 2009

obama

sim, o mundo começa lentamente a mudar. eu cortei o cabelo.

terça-feira, janeiro 27, 2009

o pós-modernismo não existe. o pós-modernismo foi inventado pelos pós-modernistas.

pó. pó de gesso, pó de talco, porte pago, pó d'arroz, pó lifónico, pó-pó, poste, popota, póstumo, poligâmico, pórompompom, pólvora, pote, pó dos livros, pós modernos, pó de ser, pós traumático, pórompompero, posta de pescada, pólicarpo, porta, pólipo, pobre, porcos e maus, pommes frites, podes crer. ainda falta limpar tanto pó. pó caralho.

um inglês, um francês e um português entram num bar. fim da história.

segunda-feira, janeiro 26, 2009

sobrevalorizadas

suspeitas de pagamentos de luvas de milhares de euros. deve ser por isso que as avós oferecem meias.

exame de condução

antes de qualquer mudança, vem sempre um ponto morto.

lição de condução (iv)

são sempre os outros que têm prioridade.

lição de condução (iii)

a vida é uma passagem de nível. sem guarda. no fundo a vida é um jogo do super mário.

lição de condução (ii)

o sentido da vida é sempre proibido.

lição de condução (i)

a vida circula sempre em excesso de velocidade.

conto (a)variado

o menino fernando mendes nasceu e três cozinheiros magos foram preparar-lhe a primeira refeição. para encontrarem o caminho, uma vez que ainda não havia gps, seguiram a estrela michelin.

(não cont.)

o chefe de culinária realizador

o seu sonho era fazer um filme em película aderente.

silogismo

logo, a lixeira é a árvore que dá lixo.

o pirata manda

get a rum.

o dante na tasca

escreveria the vine comedy.

é reconfortante saber que o álcool em coimbra continua bom

e, antes que me esqueça, um abraço ao miguel cardina.

apesar de tudo

apesar de tudo, continuo vivo. o meu computador é que não.

terça-feira, janeiro 13, 2009

adolescência sofrível, passe o pleonasmo.

fui o alvo dos teus raios
te partam, em cheio,
parece impossível.
fui caindo no vazio
de uma rima previsível,
puta que pariu.

fizeste promessas, mentiras,
nem tiras nem pões
as mãos no fogo, lento,
futuras traições.

eu quero, mas não sei se devo.
e entre o deve e o haver,
o leve e o lazer.

agora foges, ó topete
debaixo dos pés, pelas mãos
que apertam
o nó na garganta.
afunda a cruz ao fundo do túnel,
carreguei, não vi a sacra
mas o calendário não engana
e todos os dias
são sexta-feira santa.

(que pouco dura a emoção,
tão pouco cura o coração.)

eu quis fintar a saudade
mas nunca fui bom no um p'ra um.
depois da bonança, tempestade
e o jogo adiado, ad eternum.

ainda quero, mas não sei se devo.
e entre o deve e o haver,
o breve e o prazer.

a vida é só isto
e pouco mais nada:
afago as mágoas
num copo de tinto.
absinto muito
e glórias passadas
a ferro, mortas,
sepultadas
e fósseis,
elos perdidos
a meio do caminho,
uma espécie de jogo já extinto.
(lembras-te?)

entre uma casa
comigo, imberbes, petizes,
ficávamos no meio da rua
da amargura, e felizes.

hoje quero, mas sei que não devo.
e entre o deve e o a ver,
que breve é o prazer.

e ora eu, ora tu
muitos oras depois,
eu roma e tu atenas.
o eterno jogo: ódio-amor.
dois para dois,
balizas pequenas.

segunda-feira, janeiro 12, 2009

p'ra queijinho

em clicando, o verso do cartão.

o título já está, só falta o livro.

desabaforismos.

o problema

é um gajo estar em recessão de fodas.

(no entanto, quanto mais tempo em recessão, mais cresce o produto interno bruto).

frases que infelizmente um dia vamos esquecer

"resolvo isto na playstation"
[jorge jesus *]
(mas para grande pena nossa, o braga não vem na playstation)

sexta-feira, janeiro 09, 2009

até hoje

ao sétimo dia descansou. ao oitavo ninguém sabe, mas o mais provável é ter metido baixa.

notícia: o frio em janeiro é notícia.

quinta-feira, janeiro 08, 2009

tempo-espaço

a juventude estava perdida. como não sabia fazer mais nada, limitou-se a envelhecer.

versão tecnológica:
a juventude estava perdida. entretanto apareceu o gps.

euri,bora.

pior do que ser uma geração sem causas é caminhar para uma geração sem casas.

quarta-feira, janeiro 07, 2009

há quem defenda que quando conhecemos alguém as primeiras impressões são muito importantes. concordo. principalmente se o tinteiro estiver quase no fim.

reproblemas

o seu grande projecto para o ano novo era o suicídio. felizmente tinha o hábito de deixar tudo a meio.

há quem considere nojento usar os mesmos boxers dois dias seguidos. a estas pessoas estranhas, uma questão: se o dia tivesse 48 horas, trocavam de boxers a meio do dia?

deolinda

não gosto de balanços. tenho queda para o desequilíbrio. mas queria só deixar claro que foi em 2008 que saiu isto:

quem tem medo da recessão?

descobri há pouco tempo que a recessão não passa de uns míseros dois trimestres seguidos a ter menos dinheiro do que no semestre anterior. não compreendo tanto escândalo. dois trimestres seguidos a ter cada vez menos dinheiro? pff, grande coisa. relaxai, não custa nada.

terça-feira, janeiro 06, 2009

remake a reboque do rebater dos sinos

o mundo seria muito melhor se aquilo fosse a faixa de ganza.

segunda-feira, janeiro 05, 2009

do mérito

não fui eu que inventei mas fui o primeiro a plagiar.

lição de geografia pós-moderna

paris-dakar na argentina/chile.

era uma vez uma ironia tão fina, tão fina, que.

o autarca que não mandava construir rotundas

era um nome incontornável da política portuguesa.

faria muito mais sentido em portugal um museu nacional do ultraje.

scrabble

uma árvore pequena não dá frutos, mas uma grande medra.

quis beber um vodka puro mas só serviam com sumo, obrigatório.

estratégia de marketing

escrever um livro em inglês (ou assim) só para depois pedir ao vasco graça moura para o traduzir.

nunca percebi

toda a gente diz que dispensa apresentações. mas a seguir apresentam-no sempre.

2009 não é um ano novo. é um ano velho, só que ainda não foi usado.

a passagem dano explicada à crianças

milhares de pessoas embriagam-se só porque a meia-noite coincide com mudança de dígito no calendário e, no reason why, prometem deixar de fumar e ir mais vezes ao ginásio. a ressaca dura um dia ou dois. as promessas, uma semana.

ânimo.

2008 foi só um ano mau. mas ânimo, que 2009 só tende a piorar.