quarta-feira, setembro 29, 2010

smells like tinto spirit

éramos jovens. errávamos errantemente. ríamos muito, mas não sabíamos por quê. a vida ameaçava chegar a qualquer momento, como a chuva em dia de trovoada. o calor era um falso pretexto para o sufoco. respirávamos aquela imensa falta de ar. o passado estava morto, o presente envenenado e o futuro atrasado. a adolescência é um país estranho. primeiro estranha-se, depois estranha-se. a esperança era o mais perigoso dos sonhos. os sonhos, um jazigo de ingenuidades. promessas por cumprir que nunca chegaram a ser feitas. um pedaço de revolta à refeição; a desilusão para sobremesa. chamávamos memória às histórias que inventávamos. fotografávamos a saudade em cada ponto de fuga impossível. tivemos amores impossíveis, impossíveis de esquecer. a cada sorriso, duas lágrimas. fazíamos de conta que a intenção é que contava. ainda mal tínhamos vivido e já tínhamos esta mania de ir morrendo. e vamos. uns sacanas sortudos livraram-se disto tudo. e morreram, ou casaram, ou cresceram. mas nós chegámos a idade dos para quês. a revolta  sabe ao mesmo, sem nunca se transformar em revolução. cantamos como quem chora, e choramos como quem chora. lembras-te, amnésia? a verdade é não percebíamos nada do que o kurt cobain dizia, mas percebíamos tudo o que o kurt cobain queria dizer.

terça-feira, setembro 28, 2010

reversículo

para o poema
uma linha
é o universo.

blind date

«long time no see.» [stevie wonder]

diagnóstico

inconsciência e irresponsabilidade. ou, como o devido atestado psiquiátrico, ataraxia.

segunda-feira, setembro 27, 2010

bob dealer

cocaine is my heroin. [#]

sábado, setembro 25, 2010

faq you

Q: João, por que é que voltaste a escrever no blogue?
A: Porque já ninguém lê blogues.

joão gaspar pergunta:

se enrolar o cabelo se chama "fazer uma permanente", por que é que alisar o cabelo não se chama "fazer uma temporária"?

apologia de gaspar

só sei que tudo sei.

quaz quiz

como é que se chama aquela música fixe dos coiso?

quinta-feira, setembro 23, 2010

não sei o que fiz o verão passado.

irish pub. sevilla. seis da tarde. ainda é cedo. talvez sete. não sei. nunca fui muito bom a matemática. 
uma guiness, para o livro dos recuerdos. 
johnny keeps walking. 
vazio, o irish. só eu e o "camareiro" surpreendentemente velho. vou ali já velho. meia idade? quarentas e tais, cinquentas. não sei. nunca fui muito bom a matemática. eu e ele. vazios. por dentro e por fora. 
outra guiness. uns cacahuetes de cortesia. ela entrou. comprou tabaco e fugiu sem dizer nada. finjo-me poeta, mas já poeta não sou ou o bocage, sei lá. ao fim e ao cabo somos todos soldados sem guerra. generais sem tropas. metáforas sem sentido. 
outra guiness? sim, por suposto. três ou quatro já bebi. cinco, diz ele, que as conta. a continha. sei lá, nunca fui muito bom a matemática. 

sevilla, 21 de agosto de 2010.

reciclismo

coloque as suas piadas usadas no piadão.

o chefe de culinária bailarino

foi à pista de dança dar um pezinho de salsa.

shame on you

até há umas horas, o endereço http://conadamana.blogspot.com estava desocupado. nem parece vosso.

terça-feira, setembro 21, 2010

guess who's back / back again




«'cause you feel so empty without me»

same old shit

i'm fucking back again.

bem,

deixa lá ver se esta merda ainda funciona.

terça-feira, setembro 14, 2010

...

segunda-feira, julho 06, 2009

dr. pill

era tão viciado em drunfos que sempre que soltava um peido era de gás comprimido.

sexta-feira, julho 03, 2009

um typo sem sorte

por uma questão se superstição, baltazar assinava sempre com "s".

[*]

terça-feira, junho 30, 2009

a fome é uma filial da sede.

novas oportunidades

abrir uma agência de divórcios chamada caso contrário.

o encenador vegetariano

o seu sonho era encenar uma peça de fruta.

hipótese de carreira

sentar ao lado do pessoa na brasileira e cobrar por cada fotografia.

presuntos ex-plicados

estive ali a olhar para o frigorífico e percebi que vou comer melão com presunto só que sem presunto.

o míope vegetariano

durante o verão usava uns óculos com armação de pêra.

improbabilidades estatísticas

deixar de ser parvo.

segunda-feira, junho 29, 2009

a guerra é a guerra

bebo cerveja com a espuma dos dias. procuro em vão o exílio. encontro apenas mais da mesma solidão. durmo há anos nos braços da solidão. velha amiga, companheira. das horas más e das ainda piores. a solidão aparece independentemente (ou talvez por causa) das pessoas. já fiz amor com a solidão no meio de multidões. a solidão é fácil. demasiado fácil. mas agora procuro um exílio que não encontro. o exílio é longe. demasiado longe. o exílio requer que os outros desapareçam. mas os outros estão sempre lá. demasiados outros. demasiado lá. e lá é demasiado perto de cá. procuro como quem foge sem saber onde acaba o mapa. procuro o exílio longe de tudo, procuro o exílio no quarto mais escuro da noite, procuro o exílio debaixo da cama (onde só encontro as pantufas e o cotão jaz empalhado, ao estilo das pradarias do velho oeste onde mandava o terrence hill). mas o exílio não aparece. ou vai-se tornando infrutífero com o passar das horas e das pessoas. e não cumpre a função para a qual havia sido destinado. dar abrigo, ser um ponto de fuga para a fotografia de um cadáver pouco adiado. regresso do exílio sem nunca lá ter estado. em mau estado, como sempre. sonhei com o exílio mas esqueci o sonho ainda antes de adormecer. quis ser um exilado a lado comigo próprio. ou mesmo comigo outro. quis ser um refugiado de guerra interior e só encontrei esta paz podre. um armistício assinado por analfabetos. estive vai não vai para lá ir. não fui. mas vou indo. de metáfora merdosa em metáfora merdosa até à sinédoque final. em que o todo pela parte se parte todo. todo fodido. dividido. resto zero. o tetrahidrocanabinol e o tom waits lá vão fazendo o que têm a fazer. o único exílio possível (provável) é a morte. o sartre, por pura teimosia, ainda acha que o inferno são os outros. não são. o inferno somos nós. então e os outros? puta que os pariu.



quinta-feira, junho 25, 2009

all we gotta do is...

quinta-feira, junho 18, 2009

call of duty

toda a gente devia usar um peacemaker no coração.

quem diz o raid, diz um chinelo.

toda a gente acredita que as baratas sobreviveriam a um acidente nuclear. no entanto, não parecem resistir ao raid.

quarta-feira, junho 17, 2009

horoscopia

amor: não tem tido sorte nenhuma, não é? com uma cara dessas estava à espera do quê? no entanto, esta semana, é pouco provável que se venha a safar. ainda assim aproveite para fazer uma surpresa à pessoa de quem gosta. leve-a a jantar fora, de preferência num sítio junto ao mar, que as gajas gostam dessas coisas. ao guincho, por exemplo.

saúde: ui, essa barriguinha. e essa cor de pele. há quanto tempo não faz exercício e apanha sol? vá à praia. a sua saúde não vai melhorar, mas ao menos vê gajas em bikini e homens em tronco nu. em chegando a casa, masturbe-se, para não acumular gorduras desnecessárias. vá ao guincho, por exemplo. evite os fritos e o ic19.

trabalho: está desempregado, não é? ainda não? então é provável que esteja a ler isto no trabalho enquanto devia estar a tirar fotocópias ou a despachar aquela encomenda urgente. tenha cuidado, nunca se sabe quando o patrão vai aparecer aí atrás... ah, bolas, que pontaria. óptimo, agora que está desempregado aproveite o bom tempo e vá à praia. ao guincho, por exemplo.

dinheiro: isso não vai lá com trabalho. aposte no euromilhões. perderá dois euros, mas aproveite e compre o jornal (ou o público, se os jornais já tiverem esgotado) para ler enquanto for à praia. ao guincho, por exemplo. para não dizer que isto são só coisas ruins, vou-lhe dar uma dica para poupar dinheiro. quando levar a pessoa de quem gosta a jantar fora, no final da refeição diga que se esqueceu da carteira no carro e vá-se embora sem pagar. a pessoa de quem gosta provavelmente nunca mais lhe vai falar, mas eu avisei lá em cima que não ia ter sorte nenhuma.

os seus números da sorte da semana passada foram o 6, 14, 16, 34 e 50. as estrelas foram o 4 e o 6.

incoerência ou daltonismo?

por que é que a bandeira de montenegro é vermelha e a bandeira de cabo verde é azul?

quarta-feira, junho 10, 2009

10 de junho

dia de portugal, de camões, e de manter a televisão desligada.

ainda se fosse o dia da racha

apesar da concorrência renhida, o 10 de junho continua a ser o feriado mais idiota de sempre.

o som e o sentido ©

já foste.

[©om a devida vénia]

o som e o sentido ©

tens horas?

[©om a devida vénia]

o som e o sentido ©

'tou sozinho.

[©om a devida vénia]

o som e o sentido ©

sabes bem.

[©om a devida vénia]

o som e o sentido ©

estou-me a cagar.

[©om a devida vénia]

aprendeu uma palavra nova

num discurso de quatro minutos, o cavaco disse 8 - oito - vezes a palavra diáspora. sim, contei.

terça-feira, junho 09, 2009

o som e o sentido ©

partido político.

domingo, junho 07, 2009

o voto é a arma do povo mas o povo é analfabeto e assina de cruz.

sábado, junho 06, 2009

o voto é a arma do povo. mas de pólvora seca.

reflecte aí mais um bocadinho

«cruzes, canhoto.» pode ser considerado apelo ao voto na esquerda?

colete reflector

parece que é dia de reflexão. reflictamos. que fazer quando nenhum dos partidos (e pseudopartidos) concorrentes às eleições nos atraem? que fazer quando a instituição para a qual os votos se dirigem nos provoca pouco mais do que ligeira indiferença? que fazer quando o parlamento europeu acaba por ver o seu papel ironicamente subvertido pela comissão ainda menos democrática? que fazer quando a campanha eleitoral é um cerrar de fileiras, de cães de fila, cada qual a ladrar para o seu lado? os convictos e os convencidos disso não passam. nem convencem ninguém. trocam-se acusações, insinuações e outras complicações. abafam-se as ideias com os megafones. escondem-se os argumentos com as bandeiras. a vergonha ao menos é transversal. é quando vejo uma campanha eleitoral que percebo o que o sérgio godinho queria dizer com aquilo do "a má qualidade está tão bem distribuída". que resposta dar a isto tudo? abstenção? como distinguir a abstenção protestativa (nem protestante nem potestativa, atenção) da abstenção desinteressada e desinteressante? voto em branco? poder-me-ão dizer que é infantil o argumento de que o voto em branco devia ter correspondência em número de assentos vazios. ok, o argumento pode ser infantil, mas o melhor do mundo são as crianças. no dia em que o voto em branco não for hondtoexcluído, contem comigo para votar em branco em todas as eleições e começar a vazar parlamentos. socorrer-me dessa aberração estatística que é o voto nulo? o voto nulo é um subproduto da democracia. o voto nulo é aquele gajo que nunca é escolhido para a equipa, nem sequer para ir à baliza. o voto nulo é a democracia a dizer-nos: ok, podes estar aqui mas não faças muito barulho. e mesmo que faças nós nem sequer te vamos ouvir. à democracia interessa mais a abstenção do que dar importância ao voto nulo. o protesto abstencionista é rapidamente esquecido e silenciado. o protesto do voto nulo nem sequer chega a ser protesto. o facto do sistema democrático-partidário parecer incutir claramente a abstenção cada vez que apela ao voto é das poucas coisas que me leva a querer ir votar. uma coisa é certa, com o meu voto não vai nem um eurodeputado assentar o rabo para o parlamento europeu. sei que eles vão à mesma e, provavelmente, lhes pagarei uma parte da viagem. mas não serei eu a comprar-lhes o bilhete. amanhã decidirei qual a melhor forma do meu voto não ter qualquer utilidade. o voto é a arma do povo, mas de pólvora seca. ou, parafraseando mourinho, o filósofo, parlamento europeu o caralho ta foda.

quarta-feira, junho 03, 2009

europeias

segunda-feira, junho 01, 2009

não precisa de pensar duas vezes. basta que pense melhor.

enjoy stick

fui à festa do pedro na ilga e estavam lá paneleiros a dar com um pau.

«sand is overrated. it's just tiny, little rocks.»*

a tortilla direito

uma vez num bar em espanha pedi uma sandes e o empregado respondeu-me: "espera aí um bocadillo".

hang on

conheço um gajo que se suicidou por motivos de forca maior.

round square

conheço um gajo que gosta de números redondos mas no fundo não passa de uma besta quadrada.

mamá-la hoje

oiço sempre: "que perfeito o cu da são..." [*]

champignons league

aproveito para mostrar alguma indignação. coisa pouca. ou cousa poica. nem sei. mas o que se passa começa a atingir contornos lamentáveis. que jornalistas e comentadores revelem publicamente a sua (deles, isto não é consigo, caro amigo, não se preocupe) ignorância é algo a que já nos habituámos. mas quando vejo pessoas que respeito a incorrer na mesma falta, é coisa que me chateia.

o que se passa é o seguinte.

eu sei que aquela equipa que ganhou a liga dos campeões ganhou a liga dos campeões porque pensava que estava a jogar contra o real madrid, pois sei. mas o treinador daquela equipa que ganhou a liga dos campeões responde pelo nome de pep e não - nunca - pepe [pépé, às vezes] guardiola. sim, sou um picuinhas, e isso tudo que vocês quiserem. mas sucede que o pep (josep na grafia registada para efeitos civis) guardiola é das poucas pessoas daquela equipa que ganhou a liga dos campeões que merece respeito. todo. até, e se calhar principalmente, no nome diminutivado, que não diminuído. é que pepes há muitos. mas pep há só um. o guardiola ia para o aquecimento de phones nos ouvidos ao som de música clássica. haja decência nos nomes que lhe chamam. o guardiola escrevia poemas com a bola nos pés e mandava-os com aviso de recepção a mais de quarenta (pfff, quarenta) metros, o cabrão. não se trata assim o nome de um poeta. se é bom treinador não faço ideia, que nunca o vi treinar. mas agora que já lhe tiraram a caneta, continua a ditar poemas, o cabrão. nunca pensei dizer isto na vida mas respeitemos o catalão.

contra minha vontade, vejo-me obrigado a interromper a morte.
pedimos desculpa pelo incómodo. prometemos ser breves.

terça-feira, maio 26, 2009

se perguntarem por mim digam que eu morri. até porque haverá 50% de probabilidades de estarem a dizer a verdade.

i am goodbye

segunda-feira, maio 25, 2009

put that on your pipe and smoke it

perguntaram-me se eu gostava de surf mas, para dizer a verdade, o surf não é bem a minha onda.

greatest hits & run

era uma banda que sempre que tocava as pessoas fugiam. enfim, era uma banda com muito êxodo.

pecado capital

o sexo para mim é como o comunismo. na teoria é muito giro e faz todo o sentido, mas é muito difícil pô-lo em prática.

skip intro

os polícias mantêm as fardas sempre impecavelmente limpas porque uma das suas funções é deter gente.

sou uma pessoa de princípios e, como tal, nunca acabo nada.

domingo, maio 24, 2009

o domingo é um dia ainda mais estúpido quando calha ao sábado.

quinta-feira, maio 21, 2009

código morte

pa bo enten me pala bas.

cooltura

fui à fnac dos ciganos. bons preços. comprei um livro e um filme.

o mau tempo no canal caveira, do vitorino mnésico.
o há lodo no cais do sodré, do hélio à canzana.

half time

será que 333 é o número do diabo anão?

quarta-feira, maio 20, 2009

a vossa vida

não tenho a tua vida é das mais embirrantes expressões que a linguagem podia ter parido. sai-nos em tom de crítica para com essa mesma vida - a tua -, meio tom abaixo de desprezo e desconsideração. no fundo, esconde a mais pura das invejas. queríamos todos ter essa tua vida que não temos. a vida que já foi nossa (ou devia ser nossa) e não o é. passou. e passou-nos a ferros com que nos há-de matar. tivemos vida, noutra vida. e sobrou isto. fomos pequenos, ingénuos e, com alguma sorte, mais ou menos felizes (dependendo do grau de pureza). depois crescemos (ok, esqueçamos o antónio vitorino e a maria vieira) e sobrou isto. esta conversa de encher chouriços fumados faz-me lembrar um filme do altman (acho que é do altman) em que o marcello mastroianni (acho que é o marcello mastroianni) diz à sofia loren (acho que é a sofia loren): «nós eramos comunistas.» e a sofia loren responde: «tu eras comunista; eu tinha catorze anos.» dir-me-ão que tudo isto seria muito fácil de confirmar com meia pesquisa no google, mas eu não tenho a vossa vida.

segunda-feira, maio 18, 2009

chorus

i wanna be forever neil young
hey hey, my my.
everybody knows this is nowhere,
and i came here to die.

e se calhar era mais verdadeiro.

tresleio sempre aquilo como fakebook.

estudo demarcado

a melhor estratégia de marketing de um escritor ainda é falecer.

o pedófilo geek

adorava brincar com as novas tecnologias.

o doente original

passam-lhe coisas pela cabeça que nem o dsm explica.

corte de graça

- o que é que te passou pela cabeça para cortar assim o cabelo?
- a tesoura.

sexta-feira, maio 15, 2009

mystery train

quinta-feira, maio 14, 2009

da estupidez humana

foi para isto que inventaram os blogues

Estão em exposição no Rossio diversos objectos que uma equipa resgatou do Titanic. Mas se um gajo se esquecer do guarda-chuva num cacilheiro nunca mais o vê.

o turco que tentou matar o papa quer ser cidadão português. acho bem, alguém tem que substituir o pepe na selecção.

há quem diga que tenho alguma dificuldade em exprimir-me mas eu acho que coiso.

incontinente

tinha aqui um pseudotexto sobre um gajo que sempre que vai ao hipermercado faz uma entrada de carrinho. e depois metia uma piada pior ainda sobre o bruno alves. mas apaguei tudo antes de publicar este post.

quarta-feira, maio 13, 2009

tuned in

haverá poucas coisas mais maricas do que o tunning. um gajo olha para um carro e pensa:
«ai, o que ficava aqui bem agora eram umas luzes e uns brilhantes.»

a música mais perfeita de sempre desta semana

versão censurada

«ela riu-se e disse baixinho:
estava aqui a cagar.»

dissionário alternativo #8

calvário: substantivo colectivo; grupo de homens carecas.

do plágio

alguém lhes devia explicar que ir a pé a fátima não é assim uma ideia muito peregrina.

via sacra

que fazer a nacional número um de carro é uma aventura todos sabemos. fazer a nacional número um no dia 12 de maio é especialmente divertido e, não obstante, assustador. na nacional número um há um jogo muito giro que é o desvia do buraco (uma espécie de jogos sem fronteiras para amortecedores). a 12 de maio há ainda o desvia do peregrino. o desvia do peregrino faz mal ao desvia do buraco. há que decidir entre um e outro. pessoalmente prefiro os buracos, que sempre fazem menos mal aos olhos. mas neste momentos, o respeito pela vida humana e pelo pára-choques relega a suspensão de um automóvel para segundo plano (cerca de 10 centímetros abaixo do plano normal do asfalto). e um gajo lá se desvia do peregrino. e é neste momento que, por impossibilidade física da nacional número um, o desvia do peregrino se transforma inevitavelmente no acerta no buraco. meus amigos, fiz prestações altíssimas no acerta no buraco. ao nível de um tiger woods ou um rocco siffredi. peregrinos deixei-os todos intactos* (aquilo nos joelhos não fui eu, juro). já as jantes do meu carro, um poço de lacerações a esconder hemorragias internas.



* aliás, coincidi com vários grupos de peregrinos numa bomba de gasolina onde parei para - adivinharam - tomar café. perguntei se queriam boleia. não quiseram. mas rimos muito. espero que tenham chegado bem e que não tenha chovido, porque o pavio molhado não deve fazer o mesmo efeito.

balança, balança.
no fio da navalha
não há quem nos valha.
avança, avança.

love is the hard way

ele detesta quando ela vem com falinhas mansas.
ela detesta quando ele vem com falinhos mansos.

darwin não explica isto

a capa do the god delusion é horrível. quase tão má como a tradução portuguesa.

vida na sargenta

de um modo geral, ao fim e ao cabo, só a vida do soldado faz sentido.

sábado, maio 09, 2009

despedida

sempre que vou, vou com dores de parto.

i drink

«fish swim
birds fly
daddies yell
mamas cry
old men
sit and think
i drink.»


[i drink, mary gauthier. em carregando no play ali ao lado, por enquanto.]

da série: se eu tivesse uma banda chamar-se-ia

os irmãos coen.

psiconálise

foi ao psicólogo e expôs-lhe os seus medos. ele olhou para ela e pensou: «fobia-te toda.»

back to basics

ela disse: «eu amo-te, caralho.»
e ele sorriu, enternecido, sem perceber a literalidade.

e já que aqui estamos, só para dizer que acho que o zé pedro toca sempre a mesma música. o tim é que vai variando a letra, mas o zé pedro toca sempre a mesma.

a minha vida é isto

afinal não.

a minha vida é isto

acho que perdi os óculos.