segunda-feira, dezembro 04, 2006

o surrealismo no café da esquina [prefácio]

bica pós-jantar. balcão de café. dois alcoólicos no seu estado normal compõe a única vizinhança circunstancial. um deles, mais pequeno, traga aos soluços um uísque sem gelo. o outro, dono de portentoso bigode, vaza uma água das pedras num copo de fino. o bêbado sem bigode, magro de ossos, tosse, tuberculoso. o outro, o do bigode, braceja soluções para os males do mundo. o dono da casa escalda-me a chávena. já me explicou um dia que o café não é tão bom sem a chávena escaldada. a julgar pelo mal que sabe, prefiro não saber se tem razão.

3 Comments:

red^mosquito said...

e tinha bigode, esse?

susana said...

o álcool tira a dignidade a um homem... e a uma mulher também! (deixa lá... coisas de ressacas ainda presentes...). e pelo sim, pelo não, mais vale tomar o café em chávena escaldada... sempre mata o que for de matar...

joao said...

não, não tinha bigode. só a bela da barriga criada à custa de anos de árduo trabalho. e uma barba mal aparada de vez em quando.

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o álcool não tira a dignidade à malta, só turva a vista mas no dia a seguir passa. ou assim se espera.