domingo, janeiro 06, 2008

luiz pacheco

revejo o mulholland dr. pela seilágésima vez. percebo tanto como da primeira. toda a gente tem uma teoria sobre o mulholland dr., eu tenho apenas um par de palpites que não chegam sequer a ser uma teoria. uma vez conversei com alguém que "percebeu o filme todo". eu acho que "perceber o filme todo" é não perceber nada do que o lynch anda a fazer no mundo.

as histórias vendidas aos retalhos, os pormenores desconexos de memórias imaginadas, avulsas e sublimes, absurdas e geniais. só contam histórias assim alguns - pouquíssimos - génios, que nem sequer as querem contar. mas contam. em portugal só havia um génio assim. que conta a sua história e manda o mundo para a puta que o pariu mais as suas teorias, pensamentos, reflexões e tentativas de compreensão. só havia um assim. só houve um assim. só há um assim.

11 Comments:

menina limão said...

da série de filmes marados Lynch, este é o que mais e melhor compreendo. há alguns pormenores obscuros sobre os quais muito podemos teorizar que não saímos desse estado de escuridão, mas o sentido geral apanhei-o, pensando dedicadamente após o acto. é uma boa sensação. :p

João Gaspar said...

o alguém que diz que "percebeu o filme todo" existe mesmo. e diz que percebeu mesmo a história toda, pormenores incluídos. no sentido geral é dos devaneios lynchianos (que eu vi, claro) com mais detalhes passíveis e com um enredo mais passível de ser apanhado. ainda assim, continua para mim a ser muito mais obscuro do que claro.
não pensei dedicadamente após o acto, nem o vi em nenhuma das vezes com um bloco de notas, mas não duvido que a sensação seja boa demais. a sensação de o ver, sem sequer pensar muito nele, chega para ser um dos filmes da minha vida.

mas reitero que percebê-lo todo é não perceber o absurdo assumido que é o universo lynch. sei que há qualquer coisa de irracional (e religioso?) nisto de admirar sem compreender, mas é exactamente essa a sensação, que para mim é comparável ao ler luiz pacheco (li ainda menos livros dele do que filmes do outro).

comparável na (minha) incompreensão de todos os detalhes, na amálgama de idéias postas ao serviço da arte de contar uma história e na atitude de marimbarismo para com quem tenta compreendê-la. no caso do luiz pacheco, inclusivamente à própria história de vida. conseguir contar uma história e mandar o mundo à fava não é para todos.

era só isso que eu queria dizer, mas se calhar divaguei muito. ando a escrever comentários grandes demais (e a abrir demasiados parêntesis). a ver se me acalmo.

Jp said...

E já não andas a dar tantos erros. Eu, como teu revisor, protesto.

E estou a ver agora o Ministro das Finanças a dizer que o pior já passou. Fez-me lembrar o Taveira:
"Primeiro é cabeça, depois é pescoço, já não doi..."

João Gaspar said...
Este comentário foi removido pelo autor.
João Gaspar said...

erros era quando escrevia finjir em vez de fingir. o que ando a fazer são gralhas.

agora trazeres para aqui o ministro e o taveira? mais respeito pelo pacheco, foda-se!

ivan said...

pensei em dizer-te não merecias mais o meu respeito, já que quem vê de livre vontade um filme do linch (seja ele qual for) mais do que uma vez é um perfeito idiota.

mas depois reflecti um pouco e mudei de ideias já que aparece um estrondoso e agradável par de seios... e aí percebi tudo.

só uma dica:
tenta sincronizar a história com o aparecimento daquela chave azul esquisita. parece que a dita tem algum significado no eixo espacio-temporal do filme

João Gaspar said...

a cena do estrondoso par de seios deve estar no youtube (mental note: ir lá sacá-la), por isso não precisava de rever o filme. podes voltar a perder o respeito.

nuno said...

qd falas de génio ùnico em portugal, tàs a falar do manuel joão vieira?

menina limão said...

bien, jóni, concordo. isso até dava um post. comentários longos, posts curtos, andas ao contrário.

João Gaspar said...

ando sempre ao contrário.

João Gaspar said...

o manuel joão vieira tem várias desvantagens.a idade, pinta, e está vivo. e não chegou a efectivar a candidatura. eu votava nele.