quarta-feira, abril 11, 2007

sócrates made in bollywood

tinha prometido a mim mesmo não voltar ao tema. mas se há uma metáfora para a minha vida é fazer coisas que tinha prometido a mim mesmo não fazer. assim como aqueles gajos do fim dos maias, que prometem nunca mais correr para o autocarro e mais não sei o quê e acabam a correr para o autocarro e mais não sei o quê. enfim, é uma questão de hábito.

ora aí vou eu.

tens toda a razão. também eu não quero que o primeiro-ministro do meu país seja desonesto. embora me pareça pouco provável que venhamos a ter um primeiro ministro que não seja desonesto, isso não é desculpa para que não continue(mo)s a não querer um primeiro-ministro desonesto.

mas a desonestidade do homem foi dizer que era engenheiro quando ainda não o era, como se isso fosse razão para se vangloriar. não sabemos por que razão mentiu. aposto na vergonha. e aí vem a parte triste. pelos vistos duas ou três letras antes do nome ganham mais respeito do que duas ou três vidas cheias de trabalho.

a vergonha? escudada num provincianismo bacoco de quem estudou em coimbra e não se fez lá doutor. mais triste que a vergonha é a necessidade da vergonha. claro que a desculpa das 21h em directo vai ser outra. foram lapsos, não tenho qualquer responsabilidade, é uma campanha contra mim, quando me apercebi retirei essa informação do curriculum. enfim, ópio pró povo.


quanto às trapalhadas do diploma/ não diploma, equivalência/ não equivalência, assinaturas ao domingo e a pedido, cheira-me a lobby bafiento. quantos diplomas desses haverá? se sócrates cair, não cai sozinho. há muito interesse em branquear a situação, essa sim, digna de investigação.

nunca saberemos se o bacharel josé sócrates teria tido maioria absoluta. quero acreditar que sim. as eleições foram no século xxi, c'um caramba.
que o engenheiro caia de podre, mas que o primeiro-ministro caia (e vai cair) por razões políticas.

os jornalistas? uma cambada. excepção feita aos que se estão nas tintas. não há maneira profissional de abordar o tema. este assunto é um não-assunto.

PS: é sempre um gosto ler a tua admirável ironia.

4 Comments:

M.Ferreira said...

Isto hoje é que foi.Já aqui venho ler isto tudo.Agora vou buer um Mimosa de morango.

M.Ferreira said...

Eu acho que o importante agora é averiguar se ele mourou mesmo no meu quarto em Coimbra

M.Ferreira said...

Nunca ninguém me chamou admirável.É de admirar.Ou não.

João Gaspar said...

é preciso é ver se há ajgum recibo da renda. e se não foi passado num domingo, dia em que o clube médis se reunia.


e és admirável, caralho.